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Observando, VIDA

> Observando: Sobre ser tia

18/06/2013

Neste momento, a exatamente 4 anos atrás, eu estava no trabalho quando meu pai me mandou uma mensagem “Estou indo para o hospital, você vem?”. Já sabia que não poderia ir, pois minha ex-chefe disse que aquele dia seria “só mais um dia”. Em um impulso levantei e entrei no carro com meu pai à caminho do hospital. Eu não conseguia acreditar que em algumas horas, eu seria para sempre, “tia”.

Mais do que isso, eu não imaginava o que era de fato ser tia. Todo mundo diz que tia só leva a parte boa e em partes, eu tenho que concordar. Ser tia te faz pensar como é ser mãe, só que sem tanta pressão e responsabilidade. Sim, é poder zuar, sem pensar “Estamos educando ele certo?”, é ser mais livre para aprender e errar.

Ser tia é dar risada ao ver seu irmão todo estabanado no começo, carregando aquele pacotinho de gente. E pensar “Não deve ser tão difícil assim”. Até que você pede para segurar e percebe que você tem um mundo no seus braços, treme, tentando disfarçar a falta de experiência, mas na verdade, a gente não quer ser perfeita, só quer estar por perto. Bem perto. Só quer saber de quando poderemos fazer a maior bagunça quando ele crescer. Ser tia é ficar longe por 15 dias e ter a sensação de que eles já começaram a falar outra língua. Passa tudo muito rápido. E a gente sabe, tenta, mas não pode controlar.

Ser tia é achar graça. É deixar ele comer derrubando tudo ou pintar se sujando inteiro, só para rir. Para lembrar como é ser criança e não ter que limpar tudo depois. Para então, poder contar com aquele sorrisão no rosto para seus amigos e dizer “Vou fazer isso com meu filho”, nãnaninanão meu querido, isso é privilégio pra tio.

E quando a gente planeja fazer aquele bolo ou aquele biscoitinho com ele e fala “Coloca só um pouquinho de farinha”, e metade do saco cai no pote? Aí, você não tem nada o que fazer, a não ser inventar outra receita. Afinal, ele merece ainda ganhar a melhor sobremesa, sem uma tonelada de farinha. A gente aprende a se reinventar e ter mais jogo de cintura na vida, com uma criança de apenas 4 aninhos vividos, sim, só 4.

1Mas uma coisa minha ex-chefe estava errada naquele dia. Aquele não foi um dia qualquer e desde então nunca mais foi. Esses pequenos serzinhos não fazem ideia de como nos fazem maiores, mais humanos e mais simples. A gente se preocupa tanto, com tanta coisa, querendo agradar tanto, quando o que para eles só o que importa é ter uma garrafa pet pra chamar de “Martelo do Thor” e correr atrás de você pela casa. Nem tudo precisa ser tão real assim. Só precisa ser e acontecer, do jeito que for.

Ser tia, é voltar a imaginar.

E naquele dia, quando voltei ao trabalho, em plena felicidade, eu só conseguia lembrar como ele era tão pequeninho! Que sua única função no momento era olhar pra cima, com toda pureza no olhar e ver várias cabeças flutuando, que já o amavam demais. Mesmo que depois de 4 anos, ele fale que a “Tia Isa é nenê”, só porque eu sou a única que consigo entrar na motoca dele. A verdade é que mesmo depois de 4 anos, eu ainda tremo ao te segurar, mas agora porque você esta muito pesado pra mim. Mas quem se importa? Ele me fez muito melhor. Muito.

A verdade é que ser tia, é ganhar o maior presente do seu irmão, aquele que você encheu o saco a vida inteira, e só ter que amar demais. Só.

Na verdade… Ser tia, é não ter parte ruim. ♡