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texto sobre a vida

VIDA

> Justo a mim coube ser eu

29/02/2016

Às vezes acordar e lidar com a gente mesmo é um saco. Você olha no espelho e não vê exatamente o que queria, não sabe se permanece no seu trabalho e acreditar que é capaz do que quiser, é uma missão impossível. Tem dias que caminhar até a porta de casa é um peso danado. São cobranças, culpas e sentimentos indecifráveis amarrados no calcanhar. Cada passada dos pés é um desafio. Desculpe, mas tem dia que é assim.

O que importa, em dias assim, é conseguir a proeza de terminar o dia vivo. Sentimos pouco, nos arrastamos e conseguimos de alguma maneira fazer com que tudo ocorra sem mais surpresas do que a de lidar com a gente mesmo. A gente já sabe que o mundo não tem nada com isso, que ninguém pode fazer nada e que resmungar, não vai adiantar nada. Nada. O silêncio torna- se a melhor companhia.

Em dias assim, apesar de ser um saco, nos vemos mais humanos do que em qualquer outro dia do ano. Notamos o início de uma dor de cabeça aqui, dor de estômago ali, só para realmente constar: somos de carne e osso. De certa forma, a vida é toda interligada em sí. Quando não estamos bem em nossas profundezas, sentimos em totalidade: a mente pesa e o corpo se torna uma caçamba dos entulhos que decidimos acumular – ou não.

Dia desses, acordei assim. Ninguém soube. Meu silêncio foi grande e nada poderia mudar o que eu estava sentindo naquelas 24 horas, eu sabia. A única conclusão que tive é que dias assim são necessários. Nos repensamos, modelamos, sonhamos, desacreditamos para reacreditar com mais força, com mais alma. Por isso, não me desculpe. Faz parte.

Afinal, justo a cada um coube ser quem é. Por mais que em alguns dias seja difícil e pesado se manter em pé, nunca deixe de ser inteiramente você. Mesmo que seja um saco: é melhor ser inteiro do que qualquer outra coisa.

Seja como for, mas seja, vá. A vida também irá continuar.

O que aprendi, VIDA

> O que aprendi: com a Falta de Tempo

18/10/2015

Não ter tempo é o novo mal do século. A gente corre, corre, corre e parece nunca ser o suficiente para fazer tudo o que julgamos ser necessário.

Na verdade, não ter tempo, em determinada fase da vida é um presente que a idade nos dá, para aprendermos a nos entregar apenas com o que realmente importa. Os problemas ganham uma escala diferente e apenas nos abalamos, quando é algo realmente necessário. Caso contrário, é hora de apenas rir e relevar.

Quando não temos tempo, a rotina ganha um brilho diferente. O simples banho quentinho no fim do dia é uma benção, um refúgio, um suspiro. Dormir? Ah dormir! Dormir é um presente. Inspirar antes de dar o primeiro gole no café pela manhã é o melhor perfume para ganhar forças de começar o dia. O caminho de ônibus com uma boa trilha sonora, é quase uma terapia de estrada, uma viagem. Ver os amigos é um obstáculo maior, mas quando os encontramos é risada, afago e uma saudade que vai e volta em cada história. Valorizamos quem compreende a nossa fase como algo passageiro e, ainda assim, decide não sair do nosso lado. Quando não temos tempo é que a gente sabe para onde devemos correr e um simples café da tarde de meia hora com quem amamos, tem o poder de salvar a semana inteira. É na falta de tempo que podemos notar que, o maior investimento de tempo que fazemos na vida, é amar.

Quando não temos tempo é natural pedir a vida por mais horas, minutos, segundos. Mas, hoje é hora de aproveitar o que temos e não fazer nada correr mais que o natural. É na falta de tempo que a vida ganha outro ritmo, brilho e valor. É na falta de tempo, que nos respeitamos a correr não mais além do que podemos e valorizamos os mínimos detalhes da vida. Então, foi assim, correndo e brigando contra o tempo que recuperei o fôlego para ver a vida em outro compasso – sem perder a poesia.

Ah.. Por fim e finalmente: Bons tempos!

Entre crônicas, VIDA

> Arruma essa cama, digo, essa vida!

15/04/2015

 

Quando eu era pequena eu era meio viciada em organizar meu quarto. Eu o mudava pelo menos todo final de semana. Pegava o armário botava de um lado, a cama do outro e meus brinquedos preferidos dispunha na estante. Eu lembro que minha mãe estabeleceu uma nova regra da família: ARRUMAR A CAMA. Essa, meus amigos, era uma dificuldade tremenda pra mim! Eu poderia limpar e deixar o quarto brilhando, mas minha cama no dia a dia eu não conseguiria lembrar de arrumar.
Até que começou o outono fazia um friozinho leve como faz agora em São Paulo e pensei comigo, “se eu arrumar a minha cama pela manhã, quando eu chegar a noite ela estará quentinha”. Passei o outono e inverno todo lembrando de esticar meus lençóis religiosamente, afofar o edredom e colocar uma mantinha na metade do pé da cama. Quando a noite chegava a cama magicamente, parecia a melhor cama do mundo. Ela era. Eu tinha onde dormir, onde me aquecer – um lugar para agradecer.
Ontem, depois de recolher os lençóis do varal, subi as escadas e lembrei de tudo isso quando arrumava a bendita cama e pude sentir no peito o mesmo carinho daquela fase e ri sozinha. A minha, digo, a nossa cama, parecia sim, mais gostosa que o normal.  Calma! Esqueci do final.
No fim do inverno, eu arrumava o meu quarto e lembro que teríamos que sair para algum lugar e meu pai veio me apressar para sair. Contei que eu precisava arrumar minha cama, expliquei o porquê e ele me disse, “a cama só esquenta quando você está nela, por causa da temperatura do seu corpo na coberta”.
Meu mundo caiu, MAYSA. Mas, mesmo assim, continuei arrumando a cama direitinho.

A verdade é que nem sempre algumas motivações precisam fazer sentido. Elas simplesmente precisam acontecer. Afinal, foi aprendendo a arrumar uma cama que pude enxergar que não importa quão pesado foi o dia, a cama vai estar mais quentinha para você se ela estiver carinhosamente em ordem.
O mesmo é sobre organizar a vida e a nossa alma. Fazer uma faxina pesada no fim ou no começo do ano sempre vai bem, mas manter a nossa casa interior em ordem é tão diário quanto esticar os lençóis da cama todos os dias. Não existe milagre, as coisas não vão se ajeitar sozinhas. Nós podemos não prever as surpresas e as bads da vida, porém podemos zelar por pequenos detalhes do dia e assim, viver com carinho, pois é o que a gente pode fazer pela gente e para com ao nosso redor para viver plenamente bem e quentinhos – isso vale para o coração também.
PS: Mãe, ainda não consigo lembrar de arrumar sempre a cama. Mas, a vida, eu não tenho esquecido não – pode deixar.

Observando, VIDA

> Observando: Ih, deu ruim.

11/02/2015

Tem hora que a vida nos esmaga, tem dia que nem o cafezinho salva. Tem momento em que é difícil enxergar algo além do que se vê e dias em que as respostas, até as aparentemente mais óbvias, somem do nosso campo de visão, emoção ou o que quer que seja. Dias em que as palavras que saem chegam a doer em algum lugar misterioso em nós e a cabeça? Só faz peso.

Tem noite, tem noite também, em que não se dorme, longe de ser pela alegria que explode, mas pela amarga indecisão que vem nos afligir e que resolve voltar; noite que escurece muito além do céu, foge para nosso peito e se faz madrugada ali no céu do que se é. Tem horas que parece ser mais fácil pular aquele momento, calar a dor e apressar a inquietude que não para de brotar, mas não precisa, deixa estar.

Tem minuto que custa passar, segundos em que só nos resta contar e horas em que tudo o que podemos é… chorar? Chorar.

Quem disse que é ruim se entregar? Quem disse que é errado por um dia não sorrir? Mas, olha, tolice é não viver apesar de: apesar de tudo isso que acontece dentro de quem a sincera plenitude optou por viver. Tolice é achar que coração é de aço, que gente não cai e que a vida não pesa. Faz parte? Faz. Vai entender!

Quem mandou humano nascer e querer sentir e viver de tudo um pouco, de pouco um tudo, do mundo e do que é ser. Esse é o interessante da vida: sentir o mundo e viver com tudo que se pode ser.
Deu ruim, deu, mas amanhã, vai dar bom, vai, sim. Ah, vai.

Esperança não pode parar de nascer – você sabe, mas é só para reforçar.


Revisão de:
Thaís Chiocca

Pra não dizer que não escrevi, VIDA

> Pra não dizer que não escrevi: da vida

20/01/2015

É, amiga, talvez a vida não seja sempre bela. Talvez não, ela não é. Por vezes é tão dura que chega a parecer brincadeira, mas, ainda assim, ela é bela, acredite e tenha fé. Se você não estivesse vivendo agora, o que exatamente estaria fazendo? Pois é: nada, literalmente.

Que tristeza pensar que não, você não levantaria cedo com aquele solzinho da manhã para mais um dia exaustivo, você não tomaria o seu cafezinho e, pior, não sentiria o cheiro dele tomando a casa. Que chato seria não ter que ir trabalhar, não contribuir ao mundo com o seu talento de calcular, pintar ou rodopiar. Que agonia não sentir saudade de nada, de ninguém. Saudade da terrinha que nasceu ou de onde cresceu, saudade dos amigos do colégio ou daquela primeira e inocente paixão; saudade do pudim da vó, de costurar com a mãe, daquele futebol cheio de capotes com os irmãos e dos sermões longos do pai. Não sentiria nada. Digo, nada.

Que sem graça seria não poder sentir o vento batendo no rosto, o barulho da chuva na madrugada e o galo do vizinho te acordando cantarolando às cinco da manhã; que medonho seria não ter um bichinho para lamber o teu rosto e contribuir com a sujeira do quintal. Que estranho seria não sofrer de amor, que estranho.

Que maldade seria não ter experimentado tomar um banho de mar, cachoeira, lago, chuva ou de um chuveiro gelado; que crueldade não ter pra quem ligar para desabafar, quer dizer, que cruel não ter histórias da vida para choramingar. Que péssimo não poder tocar em uma flor, abraçar um amigo e beijar apertado os lábios de quem podemos chamar de amor; que triste não poder chorar de tanto rir.

Que desaforada essa ideia de não viver a vida.

Ô, vida! Que sem vida seriamos nós se não a pudéssemos viver e ainda tem vivo, muito bem de vida, reclamando do que não tem, mas o que só importa é ter e viver você: Vida.

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Essa categoria é nova por aqui e a ideia é você que acessa o blog escolher o tema dos textos que serão postados. #PraNãoDizerQueNãoEscrevi ( complete e deixa o tema nos comentários, por email nanossavida@gmail.com ou no instagram ) 🙂 .


Revisão de:
Thaís Chiocca

Dia a dia, foto e poesia, Fotografia

> Dia a dia, foto e poesia: 1

15/01/2015

Ainda há quem diga que cuidar da casa não é trabalho. Há quem diga que a profissão “do lar” não conta em nada, há quem diga de tudo e de um pouco tudo, é claro, por isso me atrevo a dizer que: não tem nada mais gratificante do que cuidar e amar o que quer que seja que lhe foi colocado em mãos para fazer – ainda mais quando a palavra lar está no meio do dizer, ainda mais quando o lar não é físico.
Então, nem pensa em discutir mais, para um pouco e agradece, pois quem é “do lar” tem um lar para estar e cuidar, e quem tem um lar, dentro de si, tem tudo.
É trabalho que não vai faltar, é uma paz que nunca cessará.

Essa categoria é nova por aqui e o título fala por sí só, né?  🙂 como me comprometer com uma foto e mais um texto por semana é difícil – e eu não gosto de prometer e não cumprir – , deixei essa categoria livre para ser em: p&b ou colorida, prosa, com métrica ou não. Vamos ver até onde ela vai. Vamos ver mais dessa vida que de pequenas coisas está bem servida e só nos falta ver, reconhecer e ser. Impregnar. 🙂


Revisão de: Thaís Chiocca

AMOR, Entre crônicas

> Entre crônicas: Além das ramelas

09/04/2014

1500 dias ao lado dele. Do cara que me levou gentilmente em um dia qualquer uma caneca de café – que aliás, nem é sua especialidade fazer – enquanto eu ainda estava deitada. E eu, rabugenta, ou melhor sonolenta e, acordando meio mais para lá do que pra cá, não via nada a não ser um borrão barbudo sorrindo pra mim. Corri as mãos pelo meu rosto até chegar na direção dos olhos e pensei: “RAMELAS!!!”. E, eu não sei porque pensei nisso, pois já perdi as contas de quanto vezes abri meus olhos diante dele pela manhã, tarde ou noite. Ou nos dias em que ele me viu com uma virose lazarenta que pois pra fora tudo que tinha de bom e de ruim dentro de mim e, ainda assim, não saio do meu lado, mesmo com a cara enterrada na privada por 24 horas. Romantismo? companheirismo, prefiro chamar assim.
Sei que existem cafés e cafés, amores e amores e… Ramelas e ramelas? – não, não sou uma defensora delas, tirem as benditas por favor – Mas, só sei que eu segurei aquele café quentinho, enquanto o barbudo continuava sorrindo feito bobo: ele não estava nem aí pra aquilo. O amor quando pega mesmo, tem dessas, faz um cara ignorar se você está de moletom surrado, meia esburacada e as unhas por fazer. E faz você ver um bom parceiro, por traz de todo aquele cabelo sem corte. A paixão até nota essas minúsculas coisas. Mas, o amor, enxerga além, e só vê o que realmente importa.
Pois, no final das contas, o que importa é que o romance mais mirabolante da sua vida será ter alguém que você possa simplesmente ser: sem rodeios, sem frescuras. E vocês vão se olhar sorrindo feito duas bestas, porque fazem a proeza de não notar as ramelas ou as meras imperfeições que o outro carrega na bagagem. E mesmo se notarem, vão enxergar além disso: as janelas da alma de quem se ama, com um detalhezinhoinho a mais. Meros detalhes, que servem para compartilhar o riso depois. Afinal, não é pra isso que se divide a vida?
Só é humano por que tem defeito. Só tem amor quando se aceita ser humano.
Só é amor, quando se compartilha o que somos sem medo, para moldar uma versão com algo além de nós, e além do que podemos ver.
Um amor, além de qualquer ramela, é o que desejo para todos nós. Que assim seja. ♡

ps: Que venha o dia 1501.