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AMOR, CRÔNICAS

> Sem status de relacionamento

16/05/2017

Solteira, namorando ou casada: Não importa. Eu sempre gostei de falar de amor.
Agora com nenhum destes status de relacionamento é ainda mais legal.

Chega a ser engraçada a necessidade do ser humano de rotular as coisas: roupas, modo de viver, comer. Sim, engraçada. Algumas pessoas acham irritante e, tenho que dizer que me enquadro um pouco neste grupo. Quando falamos de amor parece que fica ainda mais difícil de fugir da família, amigos e de nós mesmos que queremos saber o que é que estamos vivendo e onde tudo isso vai dar. Aí, entra a famosa pergunta do “em que ponto nós estamos”?

É. Chega uma fase da vida em que parece que todo mundo quer saber em que fase você está.

Quando se conhece alguém querem saber quando será oficializado o namoro, como se o objetivo das pessoas quando estão se conhecendo é apenas mudar o status de relacionamento do Facebook a qualquer custo. Depois onde será o restaurante para comemorar o aniversário de 1 ano. Se você resistiu ao primeiro ano pode esperar a chuva de brincadeiras de quando começará os preparativos para o noivado e depois  o casamento. Calma, a lista não pára! Quando virá o primeiro cachorro, gato, filho, papagaio, outro filho, casa própria, outro cargo no trabalho e poupança para a faculdade das crianças. Uma enxurrada de quandos que você poderá enlouquecer ou desenvolver um sorriso sem graça balançando a cabeça positivamente.

Acredito que pessoas ficam juntas para se conhecer, literalmente. Aprender, errar, rir, acertar, ser companhia e se sentirem mais fortes e melhores juntas. Mas, ainda que você fuja de rótulos, todo mundo passa por uma fase em que deseja saber para onde tudo aquilo está caminhando. Uma santa inocência.

Quando eu era mais nova soava difícil acreditar que um dia eu conheceria alguém que não teria medo de assumir um amor e, ainda melhor, amaria tanto que deixaria suas intenções definidas sem precisar de longos discursos. Quando este dia chegou consegui provar o gosto da confiança e a certeza – um pouco incerta – de quando duas pessoas decidem caminhar juntas. Nos nossos primeiros 6 meses juntos nos definíamos como “indo”. – E aí, estão namorado? – Estamos indo… Eu sabia que estávamos juntos, ele também. A palavra “indo” apenas parecia mais certa e a mais legal de falar. E sincera: Não sabíamos onde tudo ia dar. Até hoje? Também não sei. A verdade que a gente tanto teme em encarar no amor é que nunca temos como saber “onde tudo isso vai dar”.

Que bom. O amor gosta de surpreender.

Começar, manter e terminar um relacionamento não é fácil, mas a vida fica mais leve quando paramos de tratar o amor como um pote de geléia. Coberto por rótulos, lista infinita de ingredientes e modos de usar. Às vezes está tudo bem não pensar na fase que virá a seguir. Aprender a apreciar cada segundo do momento presente sem planejar milimetricamente qual será o próximo passo e quão seguro está. Amar sempre será uma aventura com risadas, choros e com momentos silenciosos forrados por pontos de interrogação. É preciso deixar a vida surpreender – positivamente ou algumas vezes não. Amar é uma escolha que nos tira da nossa zona de conforto.

Amar é saltar sem saber a altura e ao certo onde tudo isso vai dar, mas trilhando juntos o mesmo percurso e dividindo as cargas da vida com status no facebook atualizado ou não.

“A vida é um risco”. Enquanto isso: aproveite a companhia desta jornada.

Continuem indo. Além.

AMOR, CRÔNICAS

> Quando a coisa é simples

12/09/2016

O amor é aquela coisa que quase não precisa nomear. A gente sabe.

Quando a coisa funciona não precisa de cobrança. Daquele tipo que invade, incomoda e passa até mesmo a privacidade do outro. A vida tem o seu rumo normal, cada um toca os dias da melhor maneira possível e os caminhos que cruzarem, tudo bem, vamos juntos.

Quando a coisa bate não precisa forçar. Não precisa de jogo, enrolação ou medo do que vai pensar em dizer isso ou aquilo. O medo de ser quem somos desaparece e descobrimos um mundo novo crescendo dentro de nós. Descobrimos ser maiores, queremos conhecer e abraçar o universo do outro para fazer parte do nosso. Mostrar o que amamos e o que nem tanto assim, o que sonhamos e o que imaginamos. O coração aprecia a vida transborda.

Quando a coisa é especial há vontade de se doar nos momentos difíceis e nos clímax dos capítulos da vida. O desejo de não magoar, ver chorar ou brigar por motivos bobos mora na alma. E essa coisa vira quase como um termômetro: criamos jogo de cintura e aprendemos o que importa e o que é coisa para deixar pra lá.

Quando a coisa tem diálogo não existe espaço para achar isso ou aquilo. Se não entendeu direito, manda uma mensagem e se quer esclarecer, senta para um café. Conversar é a chance de enxergarmos a vida com outro ponto de vista. É pá, tchum e pronto. Só existe a vontade de consertar e ver tudo além dos nossos olhos.

Quando a coisa é pura vem o desejo de fazer sorrir e construir uma amizade forte e forjada, que não será fácil de abalar. Duas bases se unem para montar um mundo. Não importa se ele faz isso, ela aquilo, pois quando a pauta é a vida, os dois sabem bem onde querem chegar.

Quando tem a coisa a gente sabe, mesmo sem ter um manual. Mesmo achando que não sabe sentir, a gente sabe. A coisa nos puxa para o nosso estado mais simples e, até por vezes, bobo. Um café, o sol no final da tarde, um guardanapo escrito ou email na madrugada. Nada disso será mais igual.

A coisa também não perdoa e exige esforço. Algumas vezes nos faz chorar e muito. Mas quando voltamos a sorrir, é como se nunca tivéssemos sorrido antes. A coisa vale a pena.

Quando a coisa é simples a gente esquece até de chamar de amor e está tudo bem. É amor, aquele momento da vida em que nos faltam as palavras. A gente não sabe nem explicar. Só vai vivendo – essa coisa toda simplesmente como é.

Fotografia, Iphone

> Tirei e não postei – 5

28/06/2016

Então lá fomos nós mais uma vez para o Sul visitar a família do Barba e, para ele fazer a tão sonhada e treinada maratona. Confesso que as vezes a sensação que tenho é que cada vez mais em que vamos para lá, mais a saudade e a vontade de estar por perto aumenta. A gente aproveita o silêncio, as companhias, novidades e lembranças. A gente mais sossega e aprende do que qualquer outra coisa. Aprende a olhar pro que temos, a curtir a saudade que sentimos de casa, a aproveitar os mínimos momentos e agradecer a família e a força que não economizamos para que tudo se equilibre. Vale a pena!

Aqui, algumas fotos que tirei na viagem com o celular, mas que não foram postadas 🙂 13509720_1029802057055265_927087667_o13499726_1029801807055290_1780026867_o 13509609_1029801513721986_1588757587_o 13499923_1029801497055321_638651779_o 13499773_1029801890388615_1972048278_o

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Fotografia, Pedaços+Momentos

> Pedaços+Momentos: Tudo Cinza

20/06/2016

Os dias em SP estão mais cinzas que o comum. Confesso que eu adoro este clima, apesar da bagunça que ficamos aqui em casa com a dinâmica de Lucy e Ringo. O quintal molhado é quase como um sinal para eles de que ficarão mais fechados que o normal – coisa que eles não são muito fãs. Quem é? fala sério. O chão fica carimbado de patinhas marrons com um toque avermelhado das acerolas, os vidros embaçados e as roupas difíceis de secar. Barba se fecha no seu universo de poucos metros quadrados com as melodias mais altas que quase não se misturam com os pingos do quintal. O frio aumenta e não deixar nossos pimpolhos entediados é uma tarefa difícil.

IMG_5778-2 IMG_5793-9Lucy fica indignada e tenta a todo pano fugir por qualquer fresta. A danada até descobriu como abrir a porta com as patas. Ringo aproveita para curtir a desculpa de ter que se movimentar pouco. Ele não liga, não se culpa.

IMG_5784-4 IMG_5785-5 IMG_5788-7IMG_5777-1 IMG_5789-8 IMG_5787-6Eu, aproveito para analisar tudo. Eles, eu, nós, a casa. Tudo mais complicado e pouco organizado, um convite para respirar fundo e relevar. Acreditem ou não, estou aprendendo! Já estamos em junho e muita coisa mudou por aqui, quase nada por fora, e uma revolução por dentro.

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Isso que ainda não chegou o inverno e os dias estão bem acinzentados por aqui. Engana- se quem pode achar que isso é ruim – cinza é uma das nossas cores preferidas. “A beleza esta nos olhos de quem vê” é uma frase cada vez mais real pra mim.

Como está por aí? 🙂

AMOR, CRÔNICAS

> Conjugação de amar

31/05/2016

Parece que quando um amor começa, a vida passa por um processo de conjugação diferente. A vida que antes era tão dita na primeira pessoa do singular aqui, involuntariamente, passa a ter mais um pezinho acolá.

Por vezes é até difícil separar ou notar. Contamos uma história, dizendo nós isso, nós aquilo, sem perceber que estamos sozinhos e ninguém sabe que você namora, é casado ou está em um compromisso. O amor mexe mesmo com a gente. E quando digo a gente, é porque realmente, ele precisa ser para os dois.

O que antes era mais árduo, passa a ser ao menos, mais divertido. O que parecia inalcançável, com alguém querido ao lado, fica mais simplificado para lidar. O que antes nos machucaria ou arrancaria choro, com um amigo ao lado, é reconfortante tornando a vida mais agradável.

Amar não é fácil. Talvez esteja realmente aí, o ato involuntário de ressaltar o compromisso com esse pronome no plural. Lutamos diariamente para que tudo funcione bem: para que os sonhos não morram, que paixão permaneça e que a cumplicidade não espaireça. O amor é uma batalha que só pode ser travada a dois, mas que a temos primeiro dentro da gente.

É normal reforçar que a pizza foi feita pelos dois, mesmo que um só picou o tomate. Vale dizer que a casa foi organizada as pressas e, com alguns berros, mas ainda foi por nós. E que até mesmo a solidão e passeios se fazem necessários, para sorrir sozinho. Mencionar que cada moeda para comprar um jogo de talheres, foi dos dois – nem mais, nem menos, mesmo que sem contar. Nós isso, nós aquilo. A música involuntária que todo casal passa a cantar sem perceber. Até mesmo quando o outro não está. É… Mas ainda somos nós.

Nós” ganha um significado diferente para quem ama. Nós torna- se é o laço maior de que, agora, o amor é parte da rotina. Algo impregnado e difícil de desvincular. Afinal, somos nós. Uma parte além e que se estende para fora e, que mesmo assim, não deixamos de ser singular.

Por isso, de tudo, uma coisa é certa: antes de se aventurar na pessoa do plural, é importante conhecer bem a do singular. Assim como na escola –  isso vale pro amor também.

AMOR, Diálogos

> Um problema, dois tipos de pessoas

04/04/2016

Dia desses eu estava meio maluca com tanta coisa para fazer em casa. Celular que toca, computador com email, cachorrada correndo, o outro celular que notifica e a cabeça tentando acompanhar. Eu sempre tive um jeito e tomar conta de tudo ao meu redor. Nada fica por fazer. Eu posso estar um zumbi, dou um jeito e faço – e é na hora. Me faz bem fazer bem a mim e quem está comigo, portanto, não ligo. Eu tenho meu tempo que geralmente é logo quando as coisas acontecem. Almoça e lava o prato, sujou e limpou, caiu e pegou. Nem todo mundo é assim. Bem, você já deve imaginar quem não é. Sim, um barbudo tranquilo, que sabe aproveitar o seu tempo, tirar um cochilo e depois levantar e fazer o que tem que fazer. É, você já deve imaginar: ele me deixa doida.

Eu estou correndo e ele caminhando. Eu sigo planejando e ele dando tempo. Eu busco deixar tudo sempre em ordem e ele sabe que tem horas que não dá. Eu vejo que uma merda vai acontecer e dou um pulo para consertar. Ele? Respira.

Estávamos na mesa da cozinha, ele volta da sua corrida em estado zen e plenamente leve. Põe a água para ferver com seu miojo e senta pra me escutar. Eu sigo contando os compromissos, o email respondido, o convite inesperado, organização da agenda, dando comida pros cachorros, limpo a pia, tiro o lixo, arrumo a mesa…

– FÁBIO, TÁ FERVENDO!

De longe eu podia ver a água borbulhando, miojo subindo, água vazando, macarrões esparramados no fogão…

– FÁBIO, TÁ FERVENDO!

Já estava pronta para pegar um pano pra secar, uma bucha pra esfregar, pensando em fazer outro jantar… mesmo sem nada ter ainda acontecido.

– FÁBIO…

Ele me olha como se nada tivesse acontecendo, vira os olhos e me interrompendo diz:

– Ah, água, né? E desliga o fogão ao seu tempo.

Naquele instante eu pude perceber dois tipos de pessoas. Uma que prevê um problema e corre para ajeitar, outra que espera o problema aparecer para lidar. A verdade é que na vida não existe certo e nem errado. Existe como a gente lida com a gente mesmo. Nunca serei o tipo tranquilo e que não se preocupa e ele, nunca será do tipo prevenido e pronto para lidar com 10 problemas do mundo de uma vez como eu. A única verdade nessa história é que a gente é quem é para aprender um com o outro.

6 anos depois de conhecê-lo e eu ainda faço mil coisas ao mesmo tempo. Prevejo uma explosão de miojo acontecendo, pego o meu paninho e? Respiro, não piro – e essa, eu devo a você: o meu lado mais tranquilo.

Diálogos

“6 anos Não São Nada”

24/01/2016

Foi em meio a um abraço longo e com sorriso nos olhos que ele me disse:

– Seis anos não são nada, baixinha..

– Ah vá que não!

Foram minhas sábias e imediatas palavras para esta frase. Claro que comecei a rir e enquanto isso tentei ser racional para não dar uma de doida. Mas, o que eu queria tentando esconder minha reação de uma pessoa que me conhece há seis anos? Minha própria cara me entregou.

Se alguém nessa vida fez questão de me conhecer de verdade, esse alguém foi ele. De certo, algumas vezes eu não sei o que quero jantar e, ele sabe – o que eu quero. Nunca pensei que alguém se interessaria em me ver limpando as folhas das plantas ou iria rir da maneira em que fico feliz por guardar as compras quando voltamos do supermercado. A roupa quando nos conhecemos, a data, o horário, o que eu tinha falado e como estava o meu humor há seis anos atrás, eu não faço ideia, mas ele lembra. “Esse alguém, com certeza, se importa” eu pensava. E fazia tempo que eu não conhecia alguém que quisesse ir além das minhas cores, músicas ou comidas preferidas para provar para minhas amigas que era entendido de mim. Até que ele apareceu: desligado, desapegado e com boa memória. Ou melhor, com bom coração.

Aí, que depois das minhas palavras incríveis, sorri e me acomodei naquele abraço. Ele se importa, eu sei. Era mais uma das suas piadas e eu esperava a sacanagem que viria depois. Afinal, depois de 6 anos eu também o conhecia bem. Mas nem tanto, quando ele resolveu completar a frase:

– … Se você parar para pensar, quando se quer viver algo a vida inteira.

Se saiu bem dessa, Fabinho.

Porém, a vida inteira talvez seja pouca para conhecer quem amamos, quem sabe duas? 😉

Obrigada por mais um dia 23/01, lado a lado.