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Corrida, Inspirações

> MINHA PRIMEIRA MARATONA

10/04/2017

Essa foto foi nos 30km. O dia mais desgastante da minha vida, foi o melhor. Mas, calma, temos muitos km pra contar ainda.

Tudo começou a nem 2 anos atrás quando meu cunhado tinha começado a correr e fez meu namorado se apaixonar também. Não demorou muito para que eu desse uma chance a mim mesma para testar. Hoje, posso seguramente dizer: foi a melhor escolha que fiz para minha vida.

Essa semana passou voando e mexeu muito comigo. Além de estar animada, os dias de TPM são bem dureza na questão psicológica. Pensei, achei que não ia dar, depois pensei que podia e, então na sexta-feira pela manhã, eu decidi que ia fazer dar certo sim. Eu ia.

Domingo de manhã, chegamos na prova e tudo estava muito bem organizado. Acordei tranquila, me posicionei no meu setor e comecei a me alongar. Observava as pessoas ao redor e vi de tudo: altos, pequenos, magros, mais cheios e muitas, MUITAS pessoas de idade concentrados e sentados no beiral da calçada. Olhei uma senhora com seus lá 60 anos e pensei “vou ficar na cola dela, ela sabe o que faz” e a perdi de vista. Às 7:30H, foi hora da largada. Como de se esperar bem devagar e com quase nada de espaço , o que foi bom para manter um ritmo leve e de aquecimento. A maioria quebra na empolgação da saída. Afinal, quando se vai fazer 42km a pergunta a ser feita é: Aguento mais ou menos nessa média até o final? O seu corredor administrador precisará responder. Decidi ir sem pressa. Apenas conferindo no relógio para não empolgar com os gritos e energia tão boa e que nos anima. Logo nos 8km, uma moça parou comigo: “Posso ir com você?” Claro que sim, eu respondi. Ela ia fazer 24km e comentou que estava com receio de não terminar. “Na verdade, você vai correr só 16km agora” eu disse. Ela me olhou sorrindo. Estávamos em um pace bem baixo do que eu queria, mas sentia que a medida que engrenava, ela perdia o controle. Decidi me manter ao lado dela. Fui e peguei dois copos de água, um pra mim e outro pra ela e seguimos. O primeiro anjo no caminho que me fez olhar menos para o chão e mais para o lado. Foquei menos em mim, mais nela e foi lindo.

No 14km um moço de americana chegou em nós também. Contou que ia fazer a maratona e estava com medo de quebrar e não terminar por não conseguir concluir os treinos longos direito. Tentei distraí-lo com outras coisas: Rimos do moço comendo salame, do cara bebendo coca-cola e nos emocionamos com a senhora de 70 anos correndo cantando. Meu único erro, foi não ter perguntado o nome deles. A moça disse que iria segurar e ele, se apressar mais. Espero muito que tenham chegado onde queriam.

No 18km eu me sentia bem. Tinha energia, perna e a cabeça estava boa. Me arrisquei e mandei uma foto para os meus pais que não puderam ir para dizer que estava tudo bem. Mandei um te amo para o Fabinho. Entrei na USP e sabia que ali o buraco já seria mais embaixo. Mas, logo no 21km, conheci a Regiane. “Eu te vi vindo bem e vim atrás de você”. Sério? Ela balançava positivamente a cabeça enquanto comia o gel de carboidrato e me oferecia. Contei que estava comendo de 6km em 6km e agradeci, estávamos no ritmo que eu queria completar a próxima metade da prova. Regiane ia fazer a prova de 24km, contou que fazia triathlon e me indicou exercitar outro movimento nas pernas de tempo e tempo para aliviar o ácido lático. Foi ótimo. No 23km ela sorriu e me disse “Isadora, muito obrigada por me trazer até aqui”. Eu ri e disse que foi o contrário. Ela me olhou e continuou “Você me deu vontade de fazer 42km, mas eu vim com cabeça de 24km e vou quebrar se continuar. Mas, vai com força. Você já enfiou os 42km na cabeça?”. Disse que sim, mas só tinha me dado conta naquele momento do quão puxado seria. Ela apertou minha mão como se acreditasse em mim, saiu para seu sprint final e gritou “24km é a hora do seu gel”. Regiane foi meu terceiro anjo. Ela me deu consciência da força que eu ia precisar.

Dali até os 31km foi quando me senti um pouco mais fraca. Sol, muitas pessoas caminhando e o trajeto sem nenhuma sombra. Foi exaustivo demais, mas não pensei 1 segundo em parar. Olhei no relógio e meu tempo não era o que eu tinha pensado, mas estava no estágio que não percebia que estava correndo, as pernas apenas iam. Acho que Regiane tinha ajustado os 42km na minha cabeça de qualquer maneira. Combinei com Fabinho de que eu iria mandar uma mensagem nos 32km, para dizer como estava. Eu não via a hora de chegar nesse trecho para dizer que estava bem. Peguei meu celular e disse que estava ok e com as pernas um pouco pesadas. Até que escutei um “ISA!!!!”. OXI? Fábio? Esse lado da história do Fabinho vocês verão no vlog.

Dos 32km em diante seguimos juntos. Resolvi diminuir o ritmo por questões de pernas mais pesadas que o normal. Tive muito receio de faltar para os kms finais e comprometer tudo até ali, apesar de me sentir bem e inteira na medida do possível. Fabinho estava bem e animado, embora agora ele me conte que continuou correndo só para terminar comigo e que não estava nos melhores dias. Nos 35km foi quando a maratona oficialmente começou pra mim. Brinquei que não corri 42k, corri só os 8km mais duros da minha pequena vida na corrida. Minhas coxas pareciam ter 10kg a mais, tinha que me policiar para manter a postura e o pace já não me importava: era trote até o fim, contanto que meu relógio mostrasse 42.195km. Neste trecho a maioria das pessoas estavam parando e caminhando, confesso que isso me deu dor no coração. Não importa o tempo de chegada, se você fez 42km, você é um maratonista. Mas, vi muitos chorando, gente com físico muito bem preparado sentado, senhores com passinho devagar animando quem aparentava desistir, pessoas passando mal. Eu sentia minhas coxas bem pesadas, mas sabia que não iria parar ali. Eu pensava no que eu poderia fazer, jogava água, seguia o conselho da Regiane, pensava na mensagem que minha mãe enviou de manhã. Foi duro. Pensei que não ia dar.

Os últimos 2km foram dramáticos, mas os mais especiais. Durante todo o percurso tinham pessoas animando, gritando, aconselhando e ajudando com TUDO o que podiam. Eu me emocionei o tempo inteiro. Gente que não me conhecia, lia meu número de peito e me chamava pelo nome. Gente que sonhou esse sonho como a gente sem nem nos conhecer. Faltando 1km, um moço me viu com lágrimas trancadas e disse “CHORA QUE JÁ É SEU”, desatei a chorar e soltei as pernas. Eu já enxergava o pórtico, minha melhor amiga me esperando de surpresa, meu melhor amigo ao meu lado e eu só conseguia sorrir: nem 2 anos atrás, eu chorava porque não conseguia correr 400m. Olha onde eu tô?! Fabinho abriu os braços e eu o abracei forte. Chegamos onde queríamos e sonhamos juntos.

A maratona foi um processo pessoal, doloroso e especial pra mim. Já não importava mais se eu terminaria ou não, eu tinha aprendido tanto. Eu estava apaixonada pela corrida, mas foi neste processo que realmente virou amor. Parei de me preocupar com números, parei de me cobrar ser 100% sempre, passei a me divertir e entregar o meu melhor de cada dia. Quando terminei minha primeira meia maratona, 1 ano atrás, eu não sabia pra quê correr 42km. Hoje, eu sei. Vivi cada km nesse percurso. Senti cada dor, cada sorriso, cada cansaço e cada lágrima. Não fugi: eu queria viver tudo isso ainda que fosse preciso dar todas minhas reservas e inseguranças. Terminei com mais vida do que nunca dentro de mim. Terminei com fé na bondade das pessoas, terminei com fé em mim.

Este, parafraseando Lucy, foi o melhor dia da minha vida. O primeiro..

Corrida, Diálogos

> 4h e 40min correndo só..

03/04/2017

Quando decidi que iria correr minha primeira maratona eu olhei para o Fábio e disse: vai lá bater o seu recorde pessoal, não se importa comigo. Ele sorriu e agradeceu pela minha torcida. Virei as costas e pensei, “Não vou conseguir“. Passei a tratar esse pensamento como natural de quem se inscreve para uma maratona com tão pouco tempo de corrida e fui levando. Logo nas primeiras semanas de treino, em uma corrida normal e curta e eu disse para ele:

– Não vou fazer uma maratona sozinha. Ele me olhou e disse:

– Não vai mesmo… se continuar com essa cabeça. Sozinha, você já corre.

Fábio jogou a bucha pra mim. Na verdade, ela já era minha, só faltava eu assumir.

Quando eu era adolescente eu me incomodava com solidão e o silêncio. Não era fácil ficar parada, quieta ou contar apenas com a minha presença. Brotava o medo misturado com o receio de alguém que eu não conhecia tão bem e não estava disposta ainda a dedicar meu tempo. Sim, eu mesma. Só podia ser. Depois com o tempo, não o tempo que passa para afastar ou ensinar, mas da dedicação em entender os meus dramas, eu finalmente aquietei o facho. Mais alguns anos depois e ficar só passou de um hobby para amor. Eu não só curto, como eu preciso.

Logo na minha primeira tentativa de corrida o choque da solitude voltou. Não era apenas eu comigo mesma, era eu, com meu corpo, minha mente e minhas desculpas, a preguiça e os problemas diários gritando dentro de mim. Eu não era capaz de correr e eu sabia, mas queria tentar. Apesar da estratégia de ir escutando música optei por encontrar na corrida,  assim como na meditação, uma forma de limpar minha cabeça e ouvir o silêncio. Eu olhava fixo para o asfalto e assim fui rumo até a minha primeira meia maratona. Naquela época a corrida já era uma das melhores partes do meu dia, mas ainda era algo que eu fazia principalmente pela empolgação externa.

A corrida é um esporte individual. É você por você. Por mais que alguém esteja ao seu lado incentivando, ninguém irá mover as pernas no seu lugar. Ainda assim, eu tinha amigos por perto que corriam e o meu namorado para dizer “você não vai hoje? eu tô indo” e eu ia por causa dele. Hoje, eu não me atrevo a ficar mais de 2 dias sem correr, aliás nem encontro motivos pra isso acontecer. Correr virou uma parte do dia de uma forma incrivelmente minha. Foi correndo que aprendi a fazer algo apenas por mim.

Muitos corredores dizem que há um momento no trajeto da maratona que você estará rodeado de mil e tantas pessoas e se sentirá só. Muito só. As pernas não irão responder como no início e o questionamento de “o que eu estou fazendo aqui?” virá à tona. Nessa hora é preciso ter bem fresco em mente o porquê e por quem se está ali.

Fábio tinha razão. Eu já corria sozinha, mas eu seguia com a certeza e os caminhos dele. Tudo são fases que precisamos passar para conquistar a segurança e nossas metas. A exigência e cobrança pessoal nunca me deixaram dizer “eu vou fazer isso, afinal eu mereço”. Sempre faltava algo. Nunca eu era o bastante. Achava mais nobre fazer por alguém. Demorei para perceber que eu era capaz. Não capaz de fazer uma maratona, mas sim, de fazer algo especialmente por mim e me sentir realizada por isso.

Hoje, alguns do meus ponteiros conseguiram se ajustar e compreendi as minhas imperfeições e, dessa forma, os meus limites. Dia 09/04 vou passar em média de 4 horas e 40 minutos sozinha com a minha cabecinha e estou esperando ansiosamente por isso. Para ela me dar um bug ou eu deixá-la maluca. No final vou encontrar o meu melhor amigo e agradecer por ter acreditado quando eu não conseguia admitir que tinha forças dentro de mim.

Você pode dar tudo de sí e pode ir ainda muito mais além. Só dependerá do quanto você quer e fará por isso. Só. Só vá…

VÍDEOS

> Primeira Maratona Do Barba

22/06/2016

Dia 12 de junho costuma ser comemorado o dia do amor. Para nós, não foi diferente.

Se tem algo que aprendi sobre o amor é que ele é companheiro. Um ano atrás, começamos a correr por aí. As vezes juntos, as vezes separados, as vezes brigados, as vezes fofocando da vida. O máximo que pude com ele, foi até a exata metade: 21.1K. Depois disso foram 4 meses que eu o assisti vestir as bermudas, fazendo chuva ou sol, passando por um caminho novo e desconhecido durante a semana. Todo domingo ele voltava suado, com ideias, planos, sonhos novos e a sabedoria aflorada de sempre. Eu não tinha muito o que fazer, fora torcer. Procurava lembrar de sempre deixar o gatorade na geladeira para vê-lo sorrir ao chegar em casa. Não importa onde eu estava, a gente ia se encontrar e ele ia falar sem parar de como estava indo.

Foi um longo caminho. Longo, literalmente. Nunca o vi pensando em desencanar mesmo nas semanas mais agitadas de trabalho. Deixar de lado aquela planilha, aquela ideia de ir mais longe, de ir tão além. Observava no meu cantinho, um cara que não sabia o caminho que iria percorrer, mas sabia que iria chegar lá. O que me faz pensar que talvez eu não seja a pessoa mais indicada para fazer este texto. Afinal, não sei o que são 42.2K. Sei o que vi: uma pessoa determinada, com disciplina e realizando um sonho.

Quando perguntei como foi chegar, ele me disse: foi emocionante. Poucas palavras, grandes atitudes. Ele é assim. Reza a lenda que até chorou. Não pude ver dessa vez, quem sabe na próxima?

Quando nos conhecemos, quase 7 anos atrás, ele me disse que correria a são silvestre(15k) e, emendava logo sem seguida, uma risada. Hoje, ele foi muito além. Esse cara que me mostra a cada dia, que nunca é tarde. Nunca é tarde para ir atrás, ainda que 5/6 anos depois. Você pode ir e alcançar o que quiser.

É só ir.

Dia 12 de junho não teve jantar, flores ou champagne. Deu tudo bem fora dos planos, mas comemoramos o amor de todos os 3270 dias juntos, realizando sonhos que jamais pensamos. Se tem algo que aprendi sobre o amor é que ele nos faz ir além. Neste dia, ele foi e muito.

Fabinho, em sete anos, passamos por tudo e de tudo. Se tem algo que você me faz sentir é orgulho: de estar, dividir, sonhar e conquistar um dia de cada vez contigo. Estarei sempre ao seu lado pra te aplaudir, afofar e sorrir com o seu sorriso. Você pode tudo. Fechando o primeiro ano de corrida assim: ❤

Escrevo este texto sorrindo de orelha a orelha, Barbinha. Como todos os outros dias contigo. Parabéns!