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CRÔNICAS, VIDA

> Um pouco de paz

11/09/2017

Semana passada eu decidi ter uma semana em paz. Ao contrário do que você pode imaginar isso não significa que fui à praia, deitei na rede e tomei água de coco. Vivi minha vida normal, só que com uma cabeça diferente.

Eu não sei se existe uma síndrome para isso, mas meus pais diziam que eu “queria ser adulta rápido demais”. Sempre fui muito focada, concentrada e se tenho algo pra fazer, eu não paro enquanto não terminar. Eu sempre tentei me virar e dar um jeito de ter o meu dinheiro desde muito nova. Fiz bijuteria, pintei telas, vendi roupas em salão de cabeleireiro: Eu queria inventar o meu mundo. Por consequência isso me deixou apressada demais para resolver, fazer e produzir.

Atualmente, estou MUITO LONGE de ser como era quando comecei a trabalhar. O tempo nos faz aprender muitas coisas. Dentre elas, aprendi a respirar, tomar um café demorado se preciso e sair para passear com os cachorros se não tem o que fazer com um problema e só me resta esperar. Porque estou contando tudo isso? Pois eu ainda assim vivia com um pézinho de guerra com a minha agenda. Ou melhor, com a minha cabeça.

Eu diria que eu sou uma pessoa focada e sou, mas sou até demais. Ao ponto de se estou digitando aqui, eu não respondo ninguém ao redor. Isso resultou em várias vezes me desdobrar para resolver coisas que poderiam ser feitas com mais tranquilidade ou até mesmo de aceitar que algumas vezes terei atrasos. Também faz parte.

Decidi fazer uma semana com mais calma e descobri que isso não tem segredo: Sentei, gravei e editei. Não me stressei com a sujeirada no quintal, a campainha que não parou de tocar, o vizinho gritando fazendo meu vídeo demorar mais que o normal para se terminado. Acordei ainda mais cedo para correr, aceitei falhar no almoço e comer um sanduíche, não bufei por ter que esperar 30 minutos para exportar um arquivo e não dormi me sentindo mal por não conseguir vencer e responder todas as mensagens que recebi. Deu problema? Vários, como sempre. Porém tentei parar para pensar que isso faz parte, acontece e só me resta resolver para continuar meu dia como estava previsto. Caso não fosse urgente, o problema que me esperasse. Me esforcei muito no primeiro dia. No segundo e terceiro passei a agradecer muito mais por não estar tão fora do meu eixo. O que me deixou mais forte para acredito que as coisas acabariam bem de alguma foram no outro dia, no outro e no outro…

Aprendi a me aceitar mais humana esta semana. Posso errar, esquecer de pendurar a roupa no varal sem sentir que abandonei a casa e parar para retribuir um abraço de quem eu amo no meio do trabalho. Esta semana percebi que temos na nossas mãos duas opções: solucionarmos um problema e deixá-lo ir ou fazer exatamente a mesma coisa reclamando e permitindo que a cabeça pese mil vezes mais.

Esta semana produzi mais do que o normal. Hoje já acordei exausta, mas com a cabeça mais tranquila de que fiz meu melhor e continuarei tentando fazer. Algumas coisas não consegui resolver, em compensação outras me surpreendi que foram possíveis de realizar e a vida segue.

A gente sempre tem uma escolha. Seja ela qual for, dará trabalho, mas uma delas pode nos fazer respirar fundo mais leves no final do dia.

Semana passada decidi optar por um pouco de paz de espírito.

Que vire rotina!

Observando, VIDA

> Observando: Sobre depois da tempestade

01/10/2013

Passei por dias longos de trovoadas e relâmpagos. Sentei na janela e esperei com uma santa paciência pela chuva passar. Esta era eu: sendo um bom ser humano e tentando prever o que estava acontecendo, jurando que a vida estava a testar minha paciência mais uma vez. Passei dias olhando a chuva cair, pacientemente, envernizando as lágrimas com alguns sonhos e polindo as forças, algumas coisas que precisava fazer. Eu acho. A gente sempre precisa, pra manter o espírito em ordem, em plena maré.
Até que percebi que a tempestade não parava nunca, nunca. Ainda com lágrimas secas no rosto e com algumas paradas no queixo, abri as antigas e arranhadas janelas de madeira e estiquei minhas mãos para fora. Estava um dia fresco e com uma brisa molhada, com cheirinho de esperança. Dava pra sentir. Era belo, só de olhar. Isso, que eu estava com os olhos fechado, mas era. Não sabia mais o que eram as lágrimas e o que eram gotas. Estiquei meus pés e logo os encolhi para dentro de novo. Não sabia se devia, não sabia se era aquilo que a vida queria me ensinar. Paralisei por alguns minutos e pude ver que meus pés já estavam respingados. Que mal teria então?

Eu não tinha que advinhar nada naquele momento. Eu tinha que vestir meu vestido confortável, tomar meu melhor café, por meus pés no chão – literalmente – e encarar. Encarar o sol, a chuva, o tempo que vier.
Confesso que é difícil ainda não tentar advinhar o que está por vir ou a crise que é. Mas, quando a vontade vem, eu sento na janela, respiro toda paciência que tenho, olho o tempo lá fora e mal posso esperar a hora de abrir a porta, pois se tem chuva eu sei que minhas tímidas lágrimas de sonhos ainda tem esperança. Pra qualquer coisa e qualquer lágrima, sempre tem.IMG_4796A gente pega gosto por experiências. Pelo risco, pela paciência, pelo riso inseguro e pelos relâmpagos.
A gente pega gosto pelo o que nos ensina a dançar melhor, sem ensaios, sem platéias, sem guarda chuvas, sem lenços de papel.

Afinal, a alma por muitas vezes também precisa se afogar para juntar folêgo e voltar, e então aguentar a previsão do tempo que a vida quer dar. Seja lá qual for vir, nenhuma mais será como essa. Como um choque e um impulso, ao mesmo tempo. Como uma tempestade interior, limpando, para então brotar a tão esperada primavera no olhar.

… que venham as flores!