Navegando em Tag

namoro

AMOR, CRÔNICAS

> Quando a coisa é simples

12/09/2016

O amor é aquela coisa que quase não precisa nomear. A gente sabe.

Quando a coisa funciona não precisa de cobrança. Daquele tipo que invade, incomoda e passa até mesmo a privacidade do outro. A vida tem o seu rumo normal, cada um toca os dias da melhor maneira possível e os caminhos que cruzarem, tudo bem, vamos juntos.

Quando a coisa bate não precisa forçar. Não precisa de jogo, enrolação ou medo do que vai pensar em dizer isso ou aquilo. O medo de ser quem somos desaparece e descobrimos um mundo novo crescendo dentro de nós. Descobrimos ser maiores, queremos conhecer e abraçar o universo do outro para fazer parte do nosso. Mostrar o que amamos e o que nem tanto assim, o que sonhamos e o que imaginamos. O coração aprecia a vida transborda.

Quando a coisa é especial há vontade de se doar nos momentos difíceis e nos clímax dos capítulos da vida. O desejo de não magoar, ver chorar ou brigar por motivos bobos mora na alma. E essa coisa vira quase como um termômetro: criamos jogo de cintura e aprendemos o que importa e o que é coisa para deixar pra lá.

Quando a coisa tem diálogo não existe espaço para achar isso ou aquilo. Se não entendeu direito, manda uma mensagem e se quer esclarecer, senta para um café. Conversar é a chance de enxergarmos a vida com outro ponto de vista. É pá, tchum e pronto. Só existe a vontade de consertar e ver tudo além dos nossos olhos.

Quando a coisa é pura vem o desejo de fazer sorrir e construir uma amizade forte e forjada, que não será fácil de abalar. Duas bases se unem para montar um mundo. Não importa se ele faz isso, ela aquilo, pois quando a pauta é a vida, os dois sabem bem onde querem chegar.

Quando tem a coisa a gente sabe, mesmo sem ter um manual. Mesmo achando que não sabe sentir, a gente sabe. A coisa nos puxa para o nosso estado mais simples e, até por vezes, bobo. Um café, o sol no final da tarde, um guardanapo escrito ou email na madrugada. Nada disso será mais igual.

A coisa também não perdoa e exige esforço. Algumas vezes nos faz chorar e muito. Mas quando voltamos a sorrir, é como se nunca tivéssemos sorrido antes. A coisa vale a pena.

Quando a coisa é simples a gente esquece até de chamar de amor e está tudo bem. É amor, aquele momento da vida em que nos faltam as palavras. A gente não sabe nem explicar. Só vai vivendo – essa coisa toda simplesmente como é.

AMOR, CRÔNICAS

> Cartas: Para você

18/02/2015

 

Para você, eu só queria dizer algumas coisas. Eu prometo ser bem breve dessa vez. Juro não me apegar tanto aos detalhes. Mas estou feliz e só queria te dizer. Afinal, nesse mundo gigantesco e cheio de presepadas no dia a dia, eu preciso com carinho agradecer. Todo mundo sempre precisa, né? Afinal, todo mundo tem alguém que é fácil abrir o coração, aquele alguém que podemos ser inteiramente quem somos, até com nossos defeitos; alguém que, se alguma meleca acontecer, é para ele que você vai ligar para chorar ou para rir; aquele alguém que você prefere ouvir a risada dele soar antes da sua, só para garantir que, sim, ele está feliz. E se ele não estiver?

Todo mundo tem alguém que sempre topa pedir uma pizza. Aquele alguém que te conhece mesmo você tentando esconder o que sente, ele sabe, te conhece e reconhece e é, por vezes, até irritante. Todo mundo conhece alguém que gosta dos filmes que você não gosta, mas assiste sempre com essa pessoa, pois a companhia não é de se desperdiçar.

Pois todo mundo conhece alguém com quem sempre sonhou em ter por perto, mas tem outro alguém, que é muito além de qualquer sonho – é real; todo mundo tem alguém que faz merda, erra, faz a gente chorar, mas que também enxuga nossas lágrimas e está sempre disposto a recomeçar; todo mundo tem alguém que a parceria é risada garantida e que vem com um ombro quase almofadado de tão aconchegante e bem encaixado que é; todo mundo tem alguém que a sintonia é natural, ela bate e não tem santo que faça ficar mal; todo mundo tem pelo menos um irmão, amor ou melhor amigo e um conhecido assim; todo mundo tem pelo menos um alguém de quem é fã de quem essa pessoa simplesmente é: por ser livre, por ser sempre inteira e tão cheia de paz – e que fala sempre um monte de besteira.

E, de todos esses, eu trombei com todos eles em você.

Eu disse que precisava agradecer, só não disse que era por você ser a melhor versão de quem você pode ser.

Por tudo. Obrigada, você.

Revisão de: Thaís Chiocca

Ps: Feliz 31 verões, barbudo.

AMOR

> Além das ramelas

09/04/2014

1500 dias ao lado dele. Do cara que me levou gentilmente em um dia qualquer uma caneca de café – que aliás, nem é sua especialidade fazer – enquanto eu ainda estava deitada. E eu, rabugenta, ou melhor sonolenta e, acordando meio mais para lá do que pra cá, não via nada a não ser um borrão barbudo sorrindo pra mim. Corri as mãos pelo meu rosto até chegar na direção dos olhos e pensei: “RAMELAS!!!”. E, eu não sei porque pensei nisso, pois já perdi as contas de quanto vezes abri meus olhos diante dele pela manhã, tarde ou noite. Ou nos dias em que ele me viu com uma virose lazarenta que pois pra fora tudo que tinha de bom e de ruim dentro de mim e, ainda assim, não saio do meu lado, mesmo com a cara enterrada na privada por 24 horas. Romantismo? companheirismo, prefiro chamar assim.
Sei que existem cafés e cafés, amores e amores e… Ramelas e ramelas? – não, não sou uma defensora delas, tirem as benditas por favor – Mas, só sei que eu segurei aquele café quentinho, enquanto o barbudo continuava sorrindo feito bobo: ele não estava nem aí pra aquilo. O amor quando pega mesmo, tem dessas, faz um cara ignorar se você está de moletom surrado, meia esburacada e as unhas por fazer. E faz você ver um bom parceiro, por traz de todo aquele cabelo sem corte. A paixão até nota essas minúsculas coisas. Mas, o amor, enxerga além, e só vê o que realmente importa.
Pois, no final das contas, o que importa é que o romance mais mirabolante da sua vida será ter alguém que você possa simplesmente ser: sem rodeios, sem frescuras. E vocês vão se olhar sorrindo feito duas bestas, porque fazem a proeza de não notar as ramelas ou as meras imperfeições que o outro carrega na bagagem. E mesmo se notarem, vão enxergar além disso: as janelas da alma de quem se ama, com um detalhezinhoinho a mais. Meros detalhes, que servem para compartilhar o riso depois. Afinal, não é pra isso que se divide a vida?
Só é humano por que tem defeito. Só tem amor quando se aceita ser humano.
Só é amor, quando se compartilha o que somos sem medo, para moldar uma versão com algo além de nós, e além do que podemos ver.
Um amor, além de qualquer ramela, é o que desejo para todos nós. Que assim seja. ♡

ps: Que venha o dia 1501.

AMOR

> Ser feliz ou ter razão

25/11/2013

Existem dias e existem aqueles dias. Ela acorda cedo pela manhã e ele quer dormir até 2 da tarde. Ela liga a tv, faz barulho na casa e nada dele levantar. Ela quer tomar um belo café da manhã e ele? nada com nada, nem se mexe: “Mas que coisa! me deixa dormir”. Foi a deixa para ela dizer que ele não sabe aproveitar o dia, se arrumar e sair. Na rua, ele quer ir para um lado e ela para outro. Ela diz que tem que cortar o cabelo, talvez fazer uma franja para melhorar os ares e ele diz que isso não vai mudar em nada e ela fica bonita de qualquer jeito. Mas, ela nem percebeu o elogio.
Eles vão até uma loja de instrumentos. Ela quer tirar foto e ele não quer saber: “aproveita o momento”, ele diz até com razão, mas ela consegue fazer os dois mesmo que ele não. No caminho ele diz que prefere o álbum Rubber Soul e ela discorda e diz que é o Abbey Road, embora os dois gostem de todos. Ela diz que eles precisam viajar para se conectarem melhor e ele diz que é bobagem e que eles só precisam ir para uma praça relaxar. Na praça, eles deitam na grama, olhando pro alto e ele diz que ela deveria ver mais filmes de terror e zumbi com ele ao invés de se emocionar até com comercial de banco. E ela, começa a chorar.
Eles caminham de mãos dadas e ele troca de lado, pois não quer que ela caminhe pro lado da rua e ela diz que quer ficar daquele lado porque o anel dela esta machucando o dedo. A noite, ele quer ver o tal do filme sanguinário, ela quer fazer uma noite só deles e ele pergunta se não dá pra fazer os dois. Ela nem responde e vai pra cozinha: ele quer comer picanha, ela quer pizza de queijo. Ele diz que o caminho mais curto até a praça era um, ela diz que o caminho mais curto era outro. Ela não pára de falar que vai pedir pizza pra jantar. Ele não quer escutar e muito racional entra no google para medir os kms do caminho e provar.

Ela deita emburrada querendo que apenas hoje eles ficassem mais próximos. Ele assiste ao filme querendo que apenas hoje ela fosse mais parceira. Até que com a luz apagada e olhando pra parede, ela diz:
– Você tem razão.

Ele pausa o filme e vira em direção a ela e diz:
– Eu não quero ter razão. Só quero ficar perto.

Ela ri. Ele ri. Ainda era ele, o desencanado. Ainda era ela, encanada. Ainda estava tudo bem.
Ainda eram do jeito que eram juntos, isso que importava. Ainda tinha riso e outro dia amanhã para tentar conversar e ter um pouco menos de razão. Ela deita sorrindo, abraçando ele forte. Ele fica vendo TV na madrugada acariciando o braço dela mesmo ela morrendo de cócegas. Ele pega o celular e coloca para despertar 9:00 da manhã para tentar vê-la mais feliz amanhã.

O celular toca às 9:00. Ele acorda ela com café. Ela querendo agradá-lo diz:
– Vamos dormir até mais tarde hoje?

E ele, rindo por dentro, diz:  Ah, baixinha, deixa pra lá…

AMOR

> Sobre o amor que não me disse “eu te amo”

25/09/2013

Era uma noite, não lembro se fria, quente ou daquelas tão boas em que o tempo passa mais rápido que o normal, só pra deixar saudade depois. Mas, lembro de risadas daqui e muito afago de lá. E foi em um tímido cantinho em que escutei do homem que hoje divido a vida -e que ainda me faz rir sem parar-, as palavras mais doces que já escutei.
Nessas pausas dramáticas do amor, a gente sempre imagina longas declarações no nível extreme da paixão, não é? Sempre. Mas não é.

Eu escutei muita coisa na minha -não muito grande- vida: declarações imensas, cartas, “bons” presentes, momentos dignos de “Own” gigantescos e até aquele famoso momento em que a gente só espera ouvir o “te amo” e “para sempre” na mesma frase. Mas e quando você esta com aquela pessoa que te faz sentir tudo, de tudo e de todas as formas e você lê nos olhos dela, mas ela não fala nada e você também não? Eu nunca tive tanto cuidado para soltar aquele “eu te amo” para alguém. Pois é. Eu, que sempre achei que tudo pudesse ser expressado em palavras, estava com aquela pessoa que me tirou o sentido de todas elas.

E aí, você pára e pensa: mas será que é mesmo o tal do amor? O meu Amor fez da música “l’amour”, a mais anti-amor de todas, ser de amor. Meu Amor nunca me disse “para sempre” mas, disse que me amaria a cada dia, conta? Ô! Esse amor não me engordou, me fez perder 3kg. Ele doeu muitas vezes, me fez chorar, mas não deixou de ser amor, me fez crescer. Ele não me deu chocolate ou flores, como um “kit apaixonado”, mas me deu as noites mais engraçadas e românticas da minha vida, apenas dividindo o seu silêncio com o meu ou jogando goiabinhas dentro da minha roupa no parque. E até mesmo os amigos que não botavam fé diziam: “É amor”. Foi bizzaro. Foi… Amor? eu juro que não sabia. Pois ás vezes é melhor só pensar “opa, tem algo aqui e ali também”.
Afinal, a vida me apresentou justo aquela pessoa que escolheu não usar as palavras que tanto amei escutar, pois esse é o meu jeito de amar, o meu, não dele. E é assim, sem modelos. Aprendi a amar e a compartilhar no silêncio do olhar. Pois a verdade é que a vida ensina a gente a ver o amor em coisas tão pequenas e tantas vezes disfarçadas no dia a dia. E quando aprendemos isso, os dias parecem ficar tão mais leves, tão puros, tão claros, tão…. amor? Eta palavrinha difícil de usar!

O meu amor não me disse eu te amo, mas me deu novos sentidos as palavras, deu sim. Olhou pra mim, sorrindo com os olhos – sim, eles sorriem também – e respirando fundo soltou as palavras que pareciam ser cantadas:- “Gosto muito de ti, baixinha”.

E eu esperei 6 meses para ouvir isso? É. E por favor, continue não desgastando o amor, pois eu compreendo. Afinal, o amor estava mesmo aí, sem ensaios, sem modelos, sem grandes palavras. Talvez o gostar seja o melhor do amor ou o melhor do amor seja isso mesmo: ter tudo que se gosta e aquilo que aprendemos a gostar em alguém. Simples. E é, gosto mais desse seu jeito de amar.

E olha, pode ser assim, pois eu também gosto muito de ti, Amor.
Posso te chamar de amor, Amor?
Porque é melhor amar assim… gostando. Com todos os modos e sentidos de gostar.
Afinal, só sei que amo assim… amando. Digo, gostando. Tanto faz. Seja o que for: é você, é amar é gostar e também é por vezes simplesmente não dizer, não descrever. Só ser… amor, ou como preferir chamar. 

AMOR

> Sobre a rotina e o amor

13/09/2013

Eu nunca fiz 3 anos e meio e bláblá com alguém de namoro. É um tempo considerável, é. E é muito engraçado como a pauta das perguntas de cada aniversário de namoro muda. No primeiro ano de namoro: “Ah, o amor é lindo não? sejam felizes!”. Uma graça! você escuta isso até do tio da padaria e acha o máximo. Aí, vem a crise dos 1 ano e meio, quando toda aquela tensão e novidade dão uma desafogada. E aí chegam os 2 anos: “Uau, chegaram até aqui? Vocês brigam muito?” e você sorri e bate o pé no chão que vocês são o casal que mais dribla a rotina e com paixonite aguda do mundo. Com a chegada dos 2 anos e meio, você passa a se perguntar se aquela pessoa realmente vai envelhecer ao seu lado e se você demora para responder, já sabe a resposta e PUFT! Mas, se ao se perguntar isso dentro da sua cabeça, mesmo em um ônibus lotado, amassada feito sardinha, ainda assim você sorri sozinha… Sim, você também já sabe. Nessa fase, você vira a conselheira de todas as amigas, como se entendesse muito de amor e suas idas e vindas, como se isso tivesse regra. Até que chegam os 3 anos. Ah, os 3 anos… você enxerga que já estão com raízes sólidas. A família já pergunta quantos filhos vocês vão ter, cesárea ou parto normal, amigos distantes já falam “E aí, como vai o maridão?” e as amigas dizem: “A paixão ainda é a mesma?”. Você pára e um filme passa na sua cabeça e lembra dos primeiros passos do namoro e como as coisas mudaram. Mas é claro que mudaram, é óbvio e vão continuar mudando.
Nunca mais teremos um primeiro beijo (não vale dizer que “sempre é como a primeira vez”), as primeiras descobertas sobre o outro, as surpresas começam a ficar menos “UOU, isso é um filme da Cameron Diaz com o Ashton Kutcher?”, os presentes passam a ser por utilidades X preço e definitivamente não, nós não compraremos mais a primeira saboneteira juntos, o primeiro kit de copos e nunca mais será a primeira vez em que dançaremos na fila do banco ou que dividiremos a primeira pizza sentados no carpete da sala.

E isso assusta? Nãnaninanão. Dá frio na barriga? ah, se dá…

Aí, você percebe que tem ao seu lado não mais aquele cara que pensa que você não fica fedida e descabelada nunca. Mas, aquele que te diz como você está linda mesmo depois de uma corrida, toda suada ou quando erra o corte de cabelo. Você percebe que não se mede um relacionamento pela quantidade de brigas, mas se vocês se resolvem com carinho e respeito. Você sabe que tem ao seu lado, aquele homem que no meio da rua, caminhando numa boa, sem falar nada, segura no pulso e sabe que sua pressão caiu e você vai desmaiar e não precisa dizer nada. Coisas que só a rotina faz por você. Você sabe que tem aquele homem que sabe o desodorante que você usa e quando você compra algum com outro perfume diz “Ué, esse não é seu cheiro”. Aquele que sabe quando você tenta disfarçar o choro e quando finge ser forte nas pequenas decisões. E acredite, depois de alguns anos juntos, descobrir algo um do outro é ainda mais animador: “Como assim você nunca comeu donuts?”. Pois é, nunca comi e em 3 anos e meio nunca te contei isso. Mas, mais animador ainda é sentir na pele que amar é uma decisão. E que aquele mesmo cara decide ter paciência, parceria e se doar a cada dia por vocês. Ele é o mesmo. Ainda é.

Por fim, você sabe que sempre terá ao seu lado aquele homem que sempre fará a mesma brincadeira na mesa com amigos perguntando se você quer bacon, mesmo você não comendo carne. Você olha pra ele e sorri e ele já sabe disso. Ou melhor, você sabe que terá aquele homem que te arranca sorriso fácil, mesmo os sabendo de cor e olha pra você e diz que quer ser seu eterno namorado. E isso não tem rotina ou o tempo que tire, o prazer de ver a felicidade do outro e de um com e para o outro. É amor, porque é e como é.

E ainda me perguntam se eu sinto falta de como as coisas “eram” ou se elas mudaram? As coisas ainda são, apenas evoluíram e mudaram. Pra melhor? Não. É só assim… simples e ainda surpreendente amor.

Que o amor vire rotina, sim.