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crônicas

Pedaços+Momentos, VIDA

> Pedaços + Momentos: Reflorescendo e o Certo que deu errado

03/11/2015

Faz tempo que não posto nesta categoria! A vida anda uma loucura e traz a sensação de que temos poucas novidades para contar e nada para fotografar fora agendas rabiscadas. Na verdade, muita coisa tem mudado por aqui – de dentro para fora. Muitos planos a longo prazo, sonhos, plantando com carinho e a maturidade que só o tempo nos dá como presente. Alguns cantinhos plantados não florescem, quanto outros que não havíamos plantado, brotam. A natureza é algo assim, impressionante e imprevisível: o equilíbrio perfeito. Ringo tem fuçado menos nos vasos, mas o pé de mexerica recém plantado continua fechadinho para não ser atacado. A acerola brotando tanto que não sabemos sequer o que fazer com tantas, enquanto eu respiro privilegiada por ter esse pedaço verde com a gente. Alguns cochilos quando a madrugada é intensa de trabalho, minha indignação com as roupas dele fora do armário e o faça você mesmo de vaso de concreto que segui a risca cada passo e, deu errado, mas uma hora vai dar certo – e claro, conto pra vocês. A vida é isso: um misto de erros que precisamos aprender.

E por aí, como anda a vida?

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Entre crônicas, VIDA

> Hoje em dia: o que você não postou, não existiu.

31/03/2015

 

“Como assim você prática exercício? nunca vi você postar uma foto, deve ser por isso. Não acredito que você viajou! Não vi você colocar nada, pensei que estivesse só trabalhando. Jura que você se interessa por política ou torce pra algum time? não vi nenhum post seu nas últimas semanas. Jura que você foi naquele boteco? achei que tinha ficado em casa, não vi check-in e nenhuma foto taggeada sua. Você foi ver o castelo ra tim bum e a exposição da tia doida das bolinhas? não achei foto no seu instagram. Você está bem? não postou nenhum snap hoje. Qual seu app? Por que você não me responde? Não quer dizer? que frescura”
– Me desculpe, fulano. Eu estava em um velório e esse é o meu app. Seja “feliz”.
Quem nunca passou por essas e outras? Quem nunca pensou em explodir algum aplicativo ou sumiu de uma rede social, quem nunca? É assim que – infelizmente – caminha nossa humanidade: tentando adivinhar e julgar a intensidade da vida alheia com uma foto sequer que se poste – ou se não a postamos. Pois, infelizmente, hoje em dia não importam os 10km que você corre, o vinho que bebe no final de semana ou a vida cultural que tem: se você não postou, ela não existiu.
As redes sociais e sua velocidade de informações, que é uma coisa maravilhosa quando bem usada, trazem a doce ilusão de quem temos as pessoas não só por perto, mas nas nossas mãos com acesso apenas em um touch. Que tristeza!
Então, viu, é melhor deixar por pensar, deixar fantasiar. Compartilhe o que te dá vontade, como e quando estiver afim, sim. Mas, algumas vezes quando por dentro o silêncio for mais alto, deixe- o ser também e, nem por isso, quer dizer que você não tem sua opinião claramente formada ou uma vida bacana o bastante para ser compartilhada. Pois o prazer de viver o dia que a vida nos dá, não precisa de filtro nenhum: é genuíno e de coração. Não precisa de endereço IP e longe de ser tipo net.
É a vida como ela é e deve ser: naturalmente ao seu tempo, não instantânea e, que acontece muito bem sim, offline.
Não é pela foto que se poste, mas pela vida fora da internet que se preste. Bora viver – a nossa vida, de preferência né -, minha gente!

AMOR, Observando

> Observando: Sobre o amor que se importa com algo que não o importa

10/07/2014

Pra falar de amor é preciso tempo, por que histórias – ainda que tristes, felizes ou cômicas – é o que não faltam. Amar é uma coisa fora de nós, mas que brota dentro da alma, do coração – sei lá de onde sai essa coisa – , dentro da gente. Escapa, assim, de graça e escorre pelas mãos, mas que pede um esforço DAQUELES… bons. Amar é uma recompensa da vida. A chance de não só nós vermos beleza em pequenas coisas diárias, mas de abrirmos os olhos para o outro ver juntinho da gente. É se importar com algo que você não se importaria. É canalizar todas as energias boas que se tem por dentro em um dia de stress a todo vapor, só para não tirar a paz do outro. É organizar a casa, improvisar um armário, só para o outro sorrir com tudo arrumadinho, em seu lugar como ele gosta. É também relaxar com os chinelos espalhados pela casa, comer Mc Cheddar sem hambúrguer sonso e sem graça como se fosse um risoto ao funghi para sorrir assistindo o outro comer um pão/carne/queijo como se fosse… bem, aquilo mesmo que ele adora. O amor é sorrateiro. Um dos mais! Quando se menos espera você abraça o mundo do outro como se fosse seu – que também é abraçado por ele, oras bolas.
É assim, se entregar, se revirar do avesso, suar o coração sem precisar de porquês e, sem quase nem perceber esse esforço. O amor realça o lado mais natural de nós: de fazer o bem sem medir esforços. O amor quando surge, é um louco que parece por todos os pingos nos is que faltavam na nossa vida, mas não os põe pra depois de um tempo, nos fazer pensar: e quem precisa deles? O amor simplifica qualquer coisa, qualquer problema. Por isso, quando dizem que o amor é solução. Não é só poesia, é verdade-verdadeira. O amor, ás vezes, enche as budega… por 5 minutinhos, sei lá, pode ser mais. Mas, ainda assim, é amor.
Quando se fala de amor, bom, falamos de amor. Nem pra mais, nem pra menos, só amor. Seja para quem e como for.
E, esta era pra ser só mais uma crônica meio faça você mesmo contando que eu ganhei um armário temporário que ele fez usando um gaveteiro velho, um cabo de vassoura e restos de madeira de uma caçamba só para não me ver reclamando da bagunça no quarto e me sentir incomodada por dentro e, virou um texto de amor. Quando se ama até texto que não era pra ser de amor, vira de amor. Me desculpem o transtorno: tô amando.

Entre crônicas

> Entre crônicas: Tô ficando velha…

28/05/2014

Tô ficando velha e escolhendo vinho um pouquinho melhor. Tô ficando velha e querendo menos coisas. Tô ficando velha e preferindo casas cleans. Tô ficando velha e amando ainda mais jardinagem. Tô ficando velha e ainda uso roupa colorida e com ciganismo demais. Tô ficando velha e cuidar da alimentação faz cada vez mais sentido. Tô ficando velha e me sentindo com a alma cada vez mais hiponga. Tô ficando velha e ainda não vivo sem minhas meias quentinhas. Tô ficando velha e me tira do sério quem estaciona na garagem dos outros ou não dá lugar pra idoso sentar. Tô ficando velha e mantendo cada vez mais perto de mim quem eu amo, me faz sorrir e não tem frescura. Tô ficando velha e ainda somo cada vez mais amigos. Tô ficando velha e dá cada vez mais preguiça de sofrer. Tô ficando velha e aprendi que as vezes vale mais dormir um pouquinho do que forçar a resolver uma briga na hora. Tô ficando velha e mudar o cabelo ainda renova. Tô ficando velha e só quero saber de rir por rir. Tô ficando velha e tô com menos pressa de viver. Tô ficando velha e tenho mais coisa pra cuidar mas, eu e o tempo temos nos entendido muito bem. Tô ficando velha e com preguiça de gente que só reclama, critica e quer competir. Tô ficando velha e Rolling Stones ainda me faz dançar sozinha.

Tô ficando velha e a casa tá ficando mais cheia e nós amamos. Tô ficando velha e com preguiça de brigar. Tô ficando velha e cada vez com mais mania de organização. Tô ficando velha e o café é cada vez mais meu parceiro. Tô ficando velha e o delineador ainda me salva da cara de sono. Tô ficando velha e faço qualquer coisa, mudo meus horários e me viro de ponta cabeça para fazer bem pra quem está perto de mim. Tô ficando velha e assar cookies ainda abraça a alma. Tô ficando velha e troco qualquer rolê pra ficar com meu pai colhendo fruta no quintal e assistindo minha mãe costurar. Tô ficando velha e ainda adoro cheirar pão. Tô ficando velha e querendo cada vez mais bichinhos por perto. Tô ficando velha e usando menos maquiagem. Tô ficando velha e ver Friends ainda alegra meu dia. Tô ficando velha e lendo muito mais. Tô ficando velha e as viagens mais curtas, pelo bairro, estão tão libertadoras quanto qualquer uma em qualquer país. Tô ficando velha e ainda me meto em qualquer arte porque não consigo viver sem. Tô ficando velha e amando a independência que o amor depois de alguns anos traz. Tô ficando velha e o melhor da vida ainda é offline. Tô ficando velha, nada moderna, odiando remédio e a melhor medicina ainda são as dicas da minha vó. Tô ficando velha e o mundo tá ficando louco. Tô ficando velha e minha esperança ainda tá grande. Tô ficando velha e ficar velha aprendendo assim, só me deixa a cada ano mais feliz, por ficar velha.

Que venham mais anos. 23 ainda tá pouco… Tô te vivendo, vida! ♡

AMOR, Entre crônicas

> Entre crônicas: Além das ramelas

09/04/2014

1500 dias ao lado dele. Do cara que me levou gentilmente em um dia qualquer uma caneca de café – que aliás, nem é sua especialidade fazer – enquanto eu ainda estava deitada. E eu, rabugenta, ou melhor sonolenta e, acordando meio mais para lá do que pra cá, não via nada a não ser um borrão barbudo sorrindo pra mim. Corri as mãos pelo meu rosto até chegar na direção dos olhos e pensei: “RAMELAS!!!”. E, eu não sei porque pensei nisso, pois já perdi as contas de quanto vezes abri meus olhos diante dele pela manhã, tarde ou noite. Ou nos dias em que ele me viu com uma virose lazarenta que pois pra fora tudo que tinha de bom e de ruim dentro de mim e, ainda assim, não saio do meu lado, mesmo com a cara enterrada na privada por 24 horas. Romantismo? companheirismo, prefiro chamar assim.
Sei que existem cafés e cafés, amores e amores e… Ramelas e ramelas? – não, não sou uma defensora delas, tirem as benditas por favor – Mas, só sei que eu segurei aquele café quentinho, enquanto o barbudo continuava sorrindo feito bobo: ele não estava nem aí pra aquilo. O amor quando pega mesmo, tem dessas, faz um cara ignorar se você está de moletom surrado, meia esburacada e as unhas por fazer. E faz você ver um bom parceiro, por traz de todo aquele cabelo sem corte. A paixão até nota essas minúsculas coisas. Mas, o amor, enxerga além, e só vê o que realmente importa.
Pois, no final das contas, o que importa é que o romance mais mirabolante da sua vida será ter alguém que você possa simplesmente ser: sem rodeios, sem frescuras. E vocês vão se olhar sorrindo feito duas bestas, porque fazem a proeza de não notar as ramelas ou as meras imperfeições que o outro carrega na bagagem. E mesmo se notarem, vão enxergar além disso: as janelas da alma de quem se ama, com um detalhezinhoinho a mais. Meros detalhes, que servem para compartilhar o riso depois. Afinal, não é pra isso que se divide a vida?
Só é humano por que tem defeito. Só tem amor quando se aceita ser humano.
Só é amor, quando se compartilha o que somos sem medo, para moldar uma versão com algo além de nós, e além do que podemos ver.
Um amor, além de qualquer ramela, é o que desejo para todos nós. Que assim seja. ♡

ps: Que venha o dia 1501.

AdoCão, Entre crônicas

Entre crônicas: Diagnóstico grave

19/03/2014

São 3 da manhã, quase horário de janta por aqui. Um barulho na casa! Espio pra fora do quarto e não vejo nada. Uma manada? trovões? raios? Nãnão, só a Lucy correndo pela casa enlouquecidamente com uma garrafa pet, driblando entre as próprias patas e tentando morder, como quem quer dizer “esse é o melhor brinquedo do mundo e ainda vem com musiquinha”. Ela passa pela sala, corre pelo corredor, vai pro quarto, acelera mais e chega na cozinha. Isso tudo em umas 5 vezes por segundo – tá ó, demais.Os mais modernos e que entendem das doenças da moda podem dizer que ela é hiperativa ou ansiosa – e já os consigo imaginar receitando Diazepam pra cadela de 12 em 12 horas. Já nós, preferimos pensar que ela só é feliz demais, com uma garrafa pet ou qualquer coisa que não valha. Na verdade, ela não precisa de mais nada fora pegar seu rabo, sua fase preferida no jogo da vida. Mas, a garrafa pet é seu deleite, um pecado da felicidade canina.IMG_8046-1
E eu? adoro esse barulho as 3:30 da manhã, imagina. Já passaram minutos e ela não vai desistir, não vai largar. Saio do quarto pronta pra correr atrás da bendita. E eis que vejo na sala, um marmanjo barbudo agachado correndo atrás da vira lata que dispara em êxtase com a garrafa na boca pra cima e pra baixo do sofá . Já ele, desconfio que deve sofrer de uma doença parecida com a dela, só que ataca de maneira diferente, como: ser bobo demais e ter uma alma eternamente de criança. Tem cura pra isso doutor? “maracujina todo dia!” Hum, deixa pra lá, vai dar certo não. E eu observo sorrindo e bufando um pouquinho, pensando que eu deveria dormir para render melhor amanhã cedo, mas deixa estar.
Depois os dois se aproximam menos ofegantes e ele, infestado de pêlos brancos. Ela deita na caminha ao lado com sua garrafinha. E ele me diz: vamos adotar mais uma? O sono estava de matar mas, é claro que sim. Mas, não antes de um check-up de doençaonde só entram almas em estados graves de gargalhadas incontroláveis e em casos terminais de bobisse impregnada na pele. Afinal, pra aguentar essa vida, só sendo doente mesmo.
Pois de saudável, já basta a água das nossas garrafas pets.

Texto do dia 01 e 02.02 – 4:00 hrs;

O que aprendi, VIDA

> O que aprendi: De crescer

18/02/2014

Seja em qual fase for, crescer é sempre uma boa opção. Dizem que dói. Ah, e como dói. Não é gostoso. Mas, fica, não fuja, não se perca: amadureça. Mete a cara, segue em frente. Vale a pena, vale sim. Escreva capítulos de desafios, sem medo. A vida é assim: um desafio sem fim. Se for jovem, escuta o velho. Se for velho, escuta o jovem. Depois dos 15 anos a vida voa, eles falavam, e é muito sério. E o dinheiro? Só some, não cresce. Agora a vida não tem pena. O carro quebra. O pedreiro some. A casa suja ingratamente. A louça brota e cria raízes na pia. O dinheiro da tatuagem vai pro IPVA. Não tem jeito. E aquele seu amigão te convida pra ir na balada e você só sente o cheiro de cândida na mão? Olê! Tá fácil não. Mas, algumas vezes, se permita. Faz parte. A vida é uma danada. E você? cresceu!
Se não cozinha, não come. Se não lava, não limpa. E quando a gente paga sozinho, valoriza. Mas, e o feijão? Nunca é igual da mãezinha. Tem jeito não. O sabor é o próprio tempero do amor, curtido no tempo. Tem que esperar, não dá pra apressar. Enquanto isso, trabalha. Arranja o que fazer. Inventa, faça exercício, incrementa. Não pela vida, mas por você. Cabeça vazia não vai pra frente. Conheça gente, muita gente, o máximo que puder. Tenha histórias, conte histórias, faça histórias. Quando envelhecer é o que a gente mais leva no olhar. Elas: histórias. Se permita. Testa um emprego por pior que seja. Pega o trem na Presidente Altino e vai até a Berrini amassado feito sardinha, junta dinheiro e continua sonhando. Uma hora vai meu amigo, vai mesmo.
decrescer
Abraça o que puder, o quanto puder, por quanto tempo puder. A vida não perdoa. Ame a família o quanto estiver por perto, um dia você se muda e a falta aparece. Aproveite seus pais, mesmo sendo eles sendo seu avesso. A distância faz milagres, abre rombos de saudade e reconecta corações. Não deixa o “tarde demais” chegar. Resolva o que puder hoje. Se vire pra lavar a roupa suja e em algumas madrugadas, assalte a geladeira – mesmo que não tenha mais a mesma graça. Valorize quem cuida da sua casa. Parcele o mínimo que puder, pague à vista o que estiver na sua vista. Assuma o controle, até mesmo das baratas. E se não alcançar os armários, compre uma escadinha.
Faça o que puder sozinho, movimente-se e cuide do que é seu. E quando vier visita, passa um cafézinho. Sorria, mesmo não tendo pagado o IPTU. Não fuja, jamais. Bate no peito e corre atrás. Se não der certo sozinho, não deu. Pede ajuda ou tenta outra vez. O tempo ainda é o melhor professor. Por isso, não tenha pressa. É isso. Não se cobre tanto. Se o sonho não deu certo: reinventa. Curta o tempo. Porque o tempo é curto. Amadureça, deixa ser. O caminho não dá pra prever. Traça aqui, contorna ali, colore, retoca, retoca, retoca. Somos uma tela em constante preenchimento. Eternamente. Colorindo e? crescendo.
Mas, não esqueça dentro de você, a sua criança na alma, que nunca deverá crescer. (-;