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crônicas de amor

AMOR, CRÔNICAS

> O que ninguém te contou sobre o amor

18/09/2017

Passamos a vida escutando que um amor muda as nossas vidas. Lemos livros sobre a sensação de sentir borboletas no estômago, quebrar a rotina e não estar mais só. Não vou dizer que não é verdade, mas acredito que o verbo Amar é muito mais que isso. Não podemos nos esquecer.

O que ninguém te contou sobre o amor é que seria uma coisa bagunçada e sem ensaios. Ele não saberia o que queria da vida, você muito menos e, se soubessem, talvez sentissem dúvidas se fosse o momento certo de se envolver. Ninguém te contou que vocês não teriam uma noite perfeita como em filmes, mas, sim, ela seria completamente inesquecível. Afinal, toda história de amor é – inesquecível e bagunçada como precisa ser.

O que ninguém te disse sobre o amor é que o frio na barriga existe, mas o que o amor quer de nós é disposição para permanecer e lutar para que a cumplicidade e admiração não se percam com o passar dos anos. Dormir, viver e acordar com o outro não cansa, ver o parceiro de pijama furado, meia rasgada e passando mal de virose, faz parte. Amar é dividir tudo: o bom e o que parece nem tanto, somente para tornar a vida mais fácil – ou pelo menos mais divertida. Ninguém te disse que mesmo depois de tantos anos, ver aquela pessoa ao acordar ainda faria o teu dia incrivelmente mais feliz. Amar não enjoa, se renova.

Ninguém te contou que o amor não teria sentido algum. Em algumas discussões ele falaria A e você B, sem se importar em ouvir o que o outro tem a dizer. Você quer comprar C e ela D. Pois é, ninguém te disse que o amor te faria ter brigas super bestas iguais a que você tinha com o seu irmão com 8 anos de idade e, que aquela mesma pessoa que te faz incrivelmente feliz, também um dia te fará chorar. É verdade. Amar é dar tempo e espaço. O maior aliado para aprendermos aquietar o nosso ego e construir uma amizade forte e profunda.

Ninguém te disse que vocês nunca parariam de enfrentar os pepinos da vida. Ela teria que ficar até tarde no trabalho, ele gostaria de ficar em casa, o dia dos namorados cai na data do plantão e as férias não se coincidem. E tudo isso é muito pouco. Ninguém te disse que o amor está em passar um café sem o outro pedir, cuidar de todos os problemas da casa quando um fica doente, comprar o doce preferido no mercado, curtir uma segunda feira no sofá comendo pizza com as mãos e passar um sábado a noite consolando quando um não está tão bem.

Ninguém te disse que a vida é no plural, mas o amor é próprio. Também não há nada como sair, comprar, comer e fazer algo que só a gente gosta, quer ou está afim. Sem precisar de desculpas ou grandes explicações. Amar é ter duas pessoas individuais vivendo juntas e saber que no final do dia que aquela será a primeira pessoa que você ligará para dizer uma novidade, pedir um conselho ou contar uma fofoca. Ninguém te disse que amar dar trabalho e que a remuneração é a paz de ver aquela pessoa única no seu mundo dormir tranquila.

Será redundando dizer, sei que já te disseram, mas todo amor que passa na nossa vida realmente nos muda. Ninguém te disse que não importa o quanto podemos tentar descrever, contar ou dizer do amor e não adianta de nada tudo isso que me esforcei para expressar ou que qualquer outra pessoa irá contar: só o amor poderá te dizer como acontece PARA VOCÊ. Depois me conta 😉 Falar de amor nunca é demais.

AMOR, CRÔNICAS

> Ele

12/06/2017

Era janeiro quando o conheci. Ele era em essência exatamente como é hoje. Conheci ele de tênis, mas depois só o vi de chinelo nos pés. Em poucas horas foram incontáveis as vezes que chorei de rir. A piada dele fazia sentido e, se não fizesse, valia a pena rir só para vê-lo sorrir. Decorei os sorrisos dele em poucos dias. Vivemos anos em semanas, séculos em um mês. Não contamos dias, não marcamos datas e até tentamos fugir um do outro – mas não deu. A gente se queria assim: juntos.

Ele gostava de conversar assim como eu, mas a gente sabia a hora de ouvir o outro, não era preciso pedir. Desde o início ele queria me ver sorrir e, quando eu começava a chorar sem motivos, era ele quem ria de mim. Organizei a caixa de contas dele como se fosse minha, fez sentido pra ele. Ele me deu um livro que faltava na minha coleção. Ele observava tudo e todos sempre. Parecia uma boa companhia para conhecer e criar memórias pelo mundo.

Ele gosta do verão, sol e dias de céu azul, mas me ensinou a curtir um dia sem fazer nada, coisa que eu nunca consegui, como ninguém. Com ele era confortável pensar que tudo bem não querer fazer e resolver tudo. Afinal, tínhamos ali tudo, sem saber disso. Quando descobrimos, ele resolveu me pedir em namoro. Já tínhamos nos pedido sem pedir há um bom tempo. Ajoelhamos juntos: sempre estivemos no mesmo nível.

Ele conquistou tudo. Meus amigos, família, bichos e até ex meu. Bom de contar histórias, fazer contas, pegar um violão quando ninguém espera e servir algo gostoso para comer sem ninguém dizer que está com fome. Ele é um anfitrião de primeira, sem esforços. Ainda bem que isso foi contagioso, eu era péssima. Um grande parceiro para dormir, chorar, fazer uma receita de bombom na madrugada ou cantar músicas bregas de karaokê. Casamos, adotamos cachorros, reformamos, construímos, erramos receitas, nos trancamos para fora da casa, viajamos, rimos e brigamos. A gente vive sem medo de passar perrengue com o outro.

Ele sempre acreditou em mim, desde o nosso primeiro encontro que não teve encontro. Acreditou que eu poderia fazer um móvel sozinha, carregar 20kg de ração e correr uma maratona. Acreditou tanto, que torcia para que eu acreditasse sozinha, pois senão, de nada adiantaria. Ele sempre me viu tão humana e isso chegava a assustar. Infelizmente, isso é raro. Ele vê beleza quando estou com as mãos calejadas e unhas quebradas cuidando de uma planta e quando resolvo passar um batom vermelho pra ficar em casa. Gosta que eu me sinta confortável e não tem opinião sobre o meu corte de cabelo: prefere o que eu achar mais prático e me fizer sorrir para o espelho.

Ele me deu seu silêncio, suas palavras, seu ombro, olhos nos olhos, seu tempo e aperto de mão firme seguido de um abraço. Ele sempre diz que eu quem o ensinei abraçar, mas, na verdade, nossos mundos se aconchegaram. Foi fácil. Ele me ama pelo o que eu sou de verdade: do meu lado mais sereno ao mais triste e sem controle. Sabe o que me irrita e o que me tira o fôlego de tanta alegria. Ele sorri quando eu sorrio sem saber o porquê. Ele é feliz por mim. Isso é tão raro também. Ele sonha meus sonhos. Chora minhas lágrimas, toma minhas dores e deixa eu lutar minhas batalhas.

Ele é meu amigo. Uma parte profunda de mim que eu não conhecia. Tenho ele no coração e na pele. No cheiro, nas roupas que dividimos e na mistura de sotaques que é só nossa. No nosso mundo há espaço para o dele e o meu. É um mundo imperfeito que funciona pra nós e para as nossas esquisitices. Desejo a ele toda felicidade do mundo e sei que é apenas isso que quer a mim também. Mesmo quando às vezes a gente se faz chorar, nunca vemos o sol nascer assim. Ele é do tipo que sempre diz perdão antes. Ele aprendeu a escolher a ser feliz e não a ter razão antes de mim. Tenho tanto para aprender com ele. Às vezes penso que talvez este tempo seja pouco. Ele me diria que é o suficiente. Acredito nele. Chama isso de amor, namoro, casamento, amizade. E é tudo isso mesmo.

Sigo vivendo ao lado dele. Algumas vezes colados, outras mais distante, mas temos o mesmo rumo desde que o conheci. Tentar ser mais. E transbordar: de janeiro a janeiro.

Eu, que nunca acreditei em sorte, vivo ao lado dele me sentindo sortuda: Ele é o cara mais da hora que conheci.

AMOR

> Esteja com alguém que…

08/11/2015

Faça você rir. Alguém que além de tudo, saiba rir de sí mesmo e não se importe de você rir também. Alguém que independente do saldo estar negativo no banco, consiga desfrutar da sua companhia em uma pracinha qualquer: afinal, rir da vida, ainda é de graça.
Esteja com alguém que tope ser o seu cúmplice. Que troque a camisa dos seus sonhos e ideais e lute com todas as forças ao seu lado. Alguém que saiba te dizer sim, quando o mundo todo te diz não, mas que não pense duas vezes em te dizer não, quando realmente precisar. Alguém que veja o seu passado só como um passado e não um monstro pronto para acordar. Esteja com alguém que você chame de amigo porque realmente pode contar.
Esteja com alguém que ame os seus amigos e adore ir no almoço da família. Alguém que faça você se apaixonar ainda mais por ela e, além disso, te acolha na família dele e faça você se sentir em casa, como se você pertencesse aquele lugar desde sempre – e pertence. Esteja com alguém que te acrescente.

Esteja com alguém que abrace sua rotina e que não se importe quando você desejar ficar um pouco sozinha. Alguém que adore te conhecer a cada dia para descobrir uma nova e bizarra mania. Alguém que você possa confiar os teus segredos mais bobos e os medos mais patéticos, pra que vocês possam travar essa batalha juntos. Alguém que fique do lado de fora do box para conversar, enquanto as suas lágrimas se misturam com a água do chuveiro. Esteja com alguém que você não precise esconder nada do que sente e do que você é.
Esteja com alguém que você seja fã, por ser leal, amigo e carinhoso ou a qualidade que te fizer o admirar. Alguém que não tenha medo de dividir a vida e de lidar os seus maiores defeitos. Alguém que você não espere que seja perfeito ou muito menos um príncipe ou princesa: ele é ele – e isso basta. Esteja com alguém em que você queira estar com esse alguém, não por precisar, mas por querer estar.

Esteja com alguém que entenda do seu café. Alguém que consiga com naturalidade te decorar e assim, compreender o seu mundo. Alguém que possa ser diferente de você, mas que os ideais de vida se completem, sem nem sequer fazer forças. Esteja com alguém que valha esperar, que valha lutar.

Esteja com alguém em que você seja tudo isso e mais um pouco para ela, por tão somente, ela ser alguém no mundo e para você.