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Corrida

> Correr pra quê?

17/10/2017

Eu achava que precisava ser forte para correr, mas é justamente o contrário.

“A dor é inevitável, o sofrimento é opcional” é uma das minhas frases preferidas escrita por  Carlos Drummond de Andrade, entretanto foi no final do ano de 2016 e começo deste ano que pude entendê-la perfeitamente na pele.

Comecei a correr porque eu não conseguia, sou teimosa neste nível. Meu cunhado e meu namorado já estavam viciados quando pensei que poderia tentar. Na verdade eu sempre quis e inventava milhões de desculpas, dentre elas, a que eu precisava ter força, aprender a respirar e uma cabeça boa para conseguir. Até certo ponto eu realmente não estava errada. Correr é muito mais do que apenas colocar um pé na frente do outro: Se a sua cabeça disser que você não consegue, o seu pé não vai pra frente. Se o seu pé não estiver fortalecido, não adianta nada sua cabeça acreditar que você pode ir mais rápido e se você tiver tudo isso e não conseguir ouvir o seu corpo e controlar a respiração, a corrida não durará mais do que 50 metros. Naquela época tudo isso eram maneiras de tirar a responsabilidade de mim e, de infelizmente, não acreditar que eu era capaz. Eu passava por uma fase de transição de trabalho, mudanças e por consequência a minha confiança estava muito abalada. A vida doía, como dói para todos, mas, neste momento, eu escolhia sofrer e não aproveitar o caminho.

No fundo, correr nunca é só sobre correr.

Não foi fácil começar, já contei inúmeras vezes aqui. Foi correndo cada vez um minuto a mais ou cada vez um segundo mais rápido, que aprendi a valorizar cada pequena conquista suada. Sorrir e comemorar, deixava tudo mais leve e gratificante de continuar. Correr passou a deixar o meu dia mais tranquilo e fazer com que eu tirasse 20 minutos para ficar sozinha comigo mesma e gostar disso. Os 20 minutos viraram 30, 40, 50, 1 hora, 2horas, 3horas… uma maratona. Cada dia era uma novidade e um aprendizado, me trazendo um novo sentido a cada corrida para recomeçar. Cada corrida é diferente. É um outro dia, um novo corpo, temperatura diferente, hidratação, alimentação, roupa, hormônios, dias cinzas, sol, chuva… Correr me ensinou a respeitar a evolução de meu corpo com o presente de cada dia.

Ninguém começa pronto para correr. Assim como na vida. A gente nunca está. E correr não é sobre isso. É justamente sobre não estar pronto e lidar com isso. Não importa o tempo ou a distância. Não é sobre ser forte, ir mais rápido ou mais longe, mas sobre não desistir e aproveitar o caminho.

Todo dia irá doer de diferentes maneiras, mas fazer disso um sofrimento, está somente em minhas mãos.

Hoje, eu descubro a cada dia, por qual motivo eu corro.

Mas sempre será sobre nunca desistir de acreditar. Assim como na vida.

“Não é uma corrida, é uma jornada”

Aproveite.

Corrida, CRÔNICAS

> Valorize quem corre a vida com você

25/09/2017

Esses 42km tiveram um gosto diferente. Sabe quando você sorri quando fala sobre alguém? Então.

Domingo foi dia de corrida. Dia de corrida é sempre mais feliz. Quer dizer..

A gente passa a semana contando os dias, diminui musculação, fica atento na alimentação, cuida da hidratação, para o trabalho pra buscar kit, dorme cedo pra acordar as 5 da manhã. Só que nesse domingo de corrida, diferente de todos os outros, eu não fui sozinha. Alguns meses atrás no inscrevemos para participar de uma maratona de revezamento entre 4 participantes, no meu caso, 4 amigos para cada um correr 10.5km. No total, uma maratona.

Minha primeira prova foi uma meia maratona e a segunda prova uma maratona, ou seja, essa seria a primeira prova em que eu terminaria em menos de 1 hora. O frio na barriga é o mesmo, ansiedade e animação nem se fala.

Encontramos todo mundo e fomos. O dia estava perfeito: nem frio, nem sol e ainda tinha um ventinho gelado mesmo depois quando o sol resolveu dar um pouco as caras. Muitos grupos, pessoas de todas as idades e energia maravilhosa de sempre. Todo mundo em um só lugar buscando algum tipo de superação. Fui pronta para me divertir, rir e torcer. Afinal, corrida é sobre isso.

Cada dia que passa percebo como corrida é muito mais sobre a vida, do que sobre correr. Aprendi a cuidar da minha mente e saber o poder que ela tem sobre o que irá acontecer. Aprendi a esperar, a ir, acelerar, voltar, não parar e reduzir quando for preciso. Aprendi a agradecer a companhia das pessoas que desdobram as agendas para dividir alguns quilômetros comigo, nem que seja só uma vez por mês. Cada corrida é uma sensação especial e diferente assim como cada dia da vida. A gente pode se preparar ao máximo, mas não sabe o que pode acontecer. Foi correndo que aprendi a me preparar para qualquer resultado, bons ou ruins, mas independente deles, continuar correndo.

Terminei meus 10k em 54:34, mas já fiz treinos melhores. Gostaria muito de ter baixado mais o meu tempo, mas por pouco treino em subida, considerei um bom resultado. Minha amiga fez sua distância mais longa, a outra estava cansada e gripada e não deixou de ir mesmo assim e meu amigo manteve um baita pace mesmo com sol e elevações. Comemoramos, nos encontramos, rimos, falamos nas próximas metas, brincamos, comemos e comemos. Terminamos o dia com uma boa xícara de café.

Existe algo mágico na corrida: a gente é feliz pelo outro as vezes até mesmo sem conhecer. A gente enxerga as nossas limitações, as dificuldades das outras pessoas e une forças para conseguir descobrir correndo que podemos ir e chegar onde a gente quiser.

Nos meus primeiros 42.195km, não corri sozinha, fui com eles no coração. Dessa vez, fomos lado a lado e foi tudo mais leve. Como sempre é. Ontem corri ao lado das pessoas que nunca me deixaram desistir: dos meus sonhos, da vida, de planos, do amor, da fé e que me fizeram enxergar valor no que eu faço que nem eu notava. Ontem corri com pessoas que admiro muito. Me senti honrada.

Terminei o dia sorrindo e grata, assim como em todas as vezes em que falo o nome deles.

Corrida

> Depois da Maratona: O que será agora?

25/07/2017

Quando comecei a correr não pensei muito no que iria dar. Ou melhor, achei que não daria em nada.

Confesso que uma parte de mim está se segurando para ser responsável e não encarar mais uma maratona no final do ano e a outra quer muito tentar outros desafios de fortalecimento, velocidade e curtas distâncias. Vamos dizer que, eu não curti estas fases. Afinal, depois de 7 meses correndo me enfiei na meia e depois de 1 anos e meio na maratona. Levando em conta o tempo de preparação, eu não cheguei a amadurecer correndo nos pequenos kms.

Agora estou passando por um processo de ganho de massa muscular. Mesmo correndo um nível alto por semana, acabei conseguindo ganhar bastante músculo e o que perdi foi mais gordura corporal, minha porcentagem e a do Fábio abaixaram bastante. Com orientação da Poly nos exercícios e na alimentação, acredito que nas próximas corridas estarei bem mais forte. Esse é o objetivo: correr melhor e com mais resistência. Afinal, espero correr ainda por bons anos, então preciso me cuidar e fortalecer bastante.

Muita gente me perguntou assim que terminei a prova “E AGORA? O QUE SERÁ?”.

É continuar curtindo a maratona.

Ainda me emociono muito de lembrar daquele dia. Leio o texto, revejo os vídeos e fotos. Fico feliz pela prova dos outros e me sinto feliz em conseguir pequenas melhoras na corrida. Maratona é casca.  Acredito que tudo precisa ser feito com prudência e com muito respeito ao corpo e tempo de amadurecimento.

Ainda tenho dias em que fazer 5km é pior do que longão. Correr no sol, no frio, menstruada, com cólica, com fadiga da musculação, chuva, com pouco tempo, aumentar a velocidade ou ir mais longe. Tudo isso interfere no psicológico e faz da corrida um processo novo em cada uma delas.Tem dias que nossos pensamentos são os nossos melhores amigos e outros o pior inimigo. Uma barreira que precisamos ouvir, respeitar e as vezes ignorar: a nossa cabeça. Coisa de doido, né?

Meu objetivo não é ser uma atleta e nem ter os melhores tempos ou as mais longas distâncias, mas fazer da corrida um exercício sustentável na nossa vida.

Um passo de cada vez, né? O próximo desafio eu quero, só ainda não sei onde será 😛

Corrida

> Correr emagrece?

23/05/2017

Aqui em casa podemos responder de duas maneiras: sim e não. Mas, o melhor título para este post seria: Correr te faz bem?

Quando comecei a correr o que eu mais ouvia era “mas você já é magra, vai sumir”, por isso acho melhor reforçar alguns pontos antes de começar a responder o título deste post.

Ser magra não é sinônimo de ser saudável. PONTO. Eu estava bem com meus exames médicos, mas minhas disposição e rendimento não me acompanhavam tão bem. Isso que sempre fui ativa e sempre caminhamos bastante por ficarmos um bom tempo sem carro e utilizarmos só em situações mais específicas. Mas, né, não adianta! Nós não temos noção do nível de sedentarismo que alcançamos atualmente. 2 anos atrás eu fiz minha avaliação na academia e 10 minutos depois o instrutor teve que parar: Meu batimento chegou a 180 em 10 minutos de bicicleta. Me senti ridícula. Na hora de preencher “qual seu objetivo na academia”, eu disse: quero subir a rua de casa sem ficar ofegante. O instrutor riu e achou que eu estivesse brincando, talvez por eu não ter dito que queria um bumbum de panicat. Porque raios exercício físico precisa ser apenas por algo estético? Bom, este é outro tema.

Nunca fui fã de levantar peso, mas eu sentia que precisava, pois terminava as sessões fotográficas com muita dor nas costas e coxas. Aos poucos fui sentindo diferença no meu rendimento. Até que 1 mês e pouco depois comecei tentar a correr, toda aquela história toda que vocês já devem ter decorado. Me apaixonei e fazer musculação ou exercícios para ganhar força e correr melhor não era um sacrifício tão grande assim.

(Agora vamos ao paralelo…) RESUMO DA ÓPERA: Fabinho sempre se manteve em um boa faixa de peso saudável e adorava fazer academia. Se mudou pra SP, parou de fazer esportes e começou um trabalho fixo. Nesta época ele me perguntava se eu achava que ele tinha engordado e eu dizia que não. A gente quando convive quase não percebe, mas quando finalmente CONSEGUE ver, lá se foram 5-7kg a mais. Tudo isso só de comer sempre um doce depois do almoço, uma coxinha de lanche da tarde, pastel toda quarta no trabalho e chegou a 77kg.

Nessa época que entramos na academia Fabinho já tinha perdido boa parte deste excesso apenas por cortar estes pequenos prêmios que a gente se dá para deixar o dia “feliz” depois de trabalhar muito. Diminuiu 8 cm de cintura só com bom senso no prato, academia 3x e corridas curtas 3x na semana.

(Voltando lá pra meia maratona….) Meu peso até a minha meia maratona se manteve com uma pequena variação de meio kg a mais. Fabinho estava em preparação para a maratona e estava BEM seco, o que é normal nesta fase com volume alto de treino, mas ocorreu perda de músculo a mais do que deveria.

Depois da minha meia maratona e da maratona do Fabinho, decidi encarar a minha primeira maratona. Foi a hora em que resolvi entrar em contato com uma nutricionista (nossa amada Poly) e puxei Fabinho junto comigo. Deveria ter feito isso antes, deveria. Ao menos foi em tempo dos 42.2km, pois eu não teria conseguido ou terminaria bem prejudicada. Particularmente eu odeio falar em números. Mas se for para desconstruir um padrão, vamos lá. Comecei o trabalho para fortalecimento muscular e fui de 20% de gordura para 18% em poucas semanas comendo mais (HEHE). Depois de 18% de gordura para 15% em mais 2 meses comendo mais ainda (HEHEHE). Meu peso foi de 45.5 para 46.5-47kg. Fabinho foi de quase 20% de gordura para 9% e depois chegou a 6%, conseguindo terminar essa última maratona com 70kg, praticamente o mesmo peso.

Vira e mexe me falam que eu aparento mais magra, mas mais forte. Quando digo que ganhei quase 2kg a mais correndo dizem “Credo, então não vou começar a correr”. Ganhar peso não é ruim, se é feito de forma saudável e com propósito. Ainda mais quando você gosta do que vê e essa força te traz benefícios na sua vida. Não tenho apego algum com número da balança depois que compreendi que ele é só um número total, não uma avaliação corporal que vai muito além. Sim, é melhor confiar nas suas roupas.

Hoje, sinto que consigo realizar meus desejos. Meu corpo consegue acompanhar a minha mente e esta foi a maior recompensa. Consegui escalar em 2.500m de altitude sem me sentir mal, não precisei de ajuda e ainda fiz esteira no final do dia pois estava com saudade de correr depois do repouso da maratona. Minha pressão esta quase sempre estabilizada, não passo mal com facilidade e não lembro a última gripe que me deixou de cama.

Não tiro o fator estético, mas acredito que precisamos de hobbys e momentos de prazer na rotina. Dance, pedale, corre, nade, salte, faça yoga, escale, ande de patins, circo… Procure algo para se apaixonar e se perca! Sinta prazer. Priorize ter um tempo para se cuidar e curtir. Não se sinta culpado por isso. O trabalho pode esperar. Você consegue dar jeito.

E acima de tudo: se ame como você quer, não com um número que dizem que você precisa alcançar.

Fabinho chegou na faixa saudável perdendo. Eu cheguei ganhando. Nós, encontramos algo que nos faz sorrir, como nesta foto, que é impossível de explicar.
Somos mais livres dos nós do dia a dia a cada km.

Corrida, Diálogos

> 4h e 40min correndo só..

03/04/2017

Quando decidi que iria correr minha primeira maratona eu olhei para o Fábio e disse: vai lá bater o seu recorde pessoal, não se importa comigo. Ele sorriu e agradeceu pela minha torcida. Virei as costas e pensei, “Não vou conseguir“. Passei a tratar esse pensamento como natural de quem se inscreve para uma maratona com tão pouco tempo de corrida e fui levando. Logo nas primeiras semanas de treino, em uma corrida normal e curta e eu disse para ele:

– Não vou fazer uma maratona sozinha. Ele me olhou e disse:

– Não vai mesmo… se continuar com essa cabeça. Sozinha, você já corre.

Fábio jogou a bucha pra mim. Na verdade, ela já era minha, só faltava eu assumir.

Quando eu era adolescente eu me incomodava com solidão e o silêncio. Não era fácil ficar parada, quieta ou contar apenas com a minha presença. Brotava o medo misturado com o receio de alguém que eu não conhecia tão bem e não estava disposta ainda a dedicar meu tempo. Sim, eu mesma. Só podia ser. Depois com o tempo, não o tempo que passa para afastar ou ensinar, mas da dedicação em entender os meus dramas, eu finalmente aquietei o facho. Mais alguns anos depois e ficar só passou de um hobby para amor. Eu não só curto, como eu preciso.

Logo na minha primeira tentativa de corrida o choque da solitude voltou. Não era apenas eu comigo mesma, era eu, com meu corpo, minha mente e minhas desculpas, a preguiça e os problemas diários gritando dentro de mim. Eu não era capaz de correr e eu sabia, mas queria tentar. Apesar da estratégia de ir escutando música optei por encontrar na corrida,  assim como na meditação, uma forma de limpar minha cabeça e ouvir o silêncio. Eu olhava fixo para o asfalto e assim fui rumo até a minha primeira meia maratona. Naquela época a corrida já era uma das melhores partes do meu dia, mas ainda era algo que eu fazia principalmente pela empolgação externa.

A corrida é um esporte individual. É você por você. Por mais que alguém esteja ao seu lado incentivando, ninguém irá mover as pernas no seu lugar. Ainda assim, eu tinha amigos por perto que corriam e o meu namorado para dizer “você não vai hoje? eu tô indo” e eu ia por causa dele. Hoje, eu não me atrevo a ficar mais de 2 dias sem correr, aliás nem encontro motivos pra isso acontecer. Correr virou uma parte do dia de uma forma incrivelmente minha. Foi correndo que aprendi a fazer algo apenas por mim.

Muitos corredores dizem que há um momento no trajeto da maratona que você estará rodeado de mil e tantas pessoas e se sentirá só. Muito só. As pernas não irão responder como no início e o questionamento de “o que eu estou fazendo aqui?” virá à tona. Nessa hora é preciso ter bem fresco em mente o porquê e por quem se está ali.

Fábio tinha razão. Eu já corria sozinha, mas eu seguia com a certeza e os caminhos dele. Tudo são fases que precisamos passar para conquistar a segurança e nossas metas. A exigência e cobrança pessoal nunca me deixaram dizer “eu vou fazer isso, afinal eu mereço”. Sempre faltava algo. Nunca eu era o bastante. Achava mais nobre fazer por alguém. Demorei para perceber que eu era capaz. Não capaz de fazer uma maratona, mas sim, de fazer algo especialmente por mim e me sentir realizada por isso.

Hoje, alguns do meus ponteiros conseguiram se ajustar e compreendi as minhas imperfeições e, dessa forma, os meus limites. Dia 09/04 vou passar em média de 4 horas e 40 minutos sozinha com a minha cabecinha e estou esperando ansiosamente por isso. Para ela me dar um bug ou eu deixá-la maluca. No final vou encontrar o meu melhor amigo e agradecer por ter acreditado quando eu não conseguia admitir que tinha forças dentro de mim.

Você pode dar tudo de sí e pode ir ainda muito mais além. Só dependerá do quanto você quer e fará por isso. Só. Só vá…

Corrida, Inspirações

> Dicas para começar a correr

31/01/2017

Desde que começamos a correr, pegamos gosto não só em fazer, mas de falar sobre isso. É normal quando algo nos faz MUITO bem a gente querer recomendar e querer que todos ao seu redor se sintam tão bem também. Claro que é bacana cada um buscar o que dá prazer como: bike, dança, natação, enfim. Voltando para a corrida…

Separei neste post algumas dicas que me ajudaram muito neste processo para começar a correr. Vamos lá? 🙂

  • DEVAGAR E SEMPRE

Primeira corrida que fiz no parque foi engraçada. Larguei em 5:50 por km, velocidade sem noção para quem nunca correu na vida. Digna de dar risada, afinal 150m depois eu não conseguia mais sair do lugar e não conseguia respirar. É nessa hora que você entende que correr exige planejamento. Você precisa pensar na constância X que conseguirá manter pelo tempo X de exercício. Tudo isso é um ponto de interrogação quando você não sabe nem se gosta daquilo e muito menos não sabe o ritmo de respirar. Então, meu conselho: Sabe aquele trote de vovô correndo no acostamento? É este mesmo – são os que vão mais longe. Não tenha vergonha. Só quem corre um tempinho sabe como manter um rimo de todo o corpo por UM KM é difícil e exige persistência.

  • VAI DOER!

VAI. Minha primeira corridinha, antes dessa do parque, foi de 2km na esteira. Por estar na academia mais ou menos 1 mês achei que não ia doer nada depois. HÁÁ! Dia seguinte minhas pernas pesavam o dobro em lugares que nunca imaginei que existiam. Subia escada e o quadríceps gritava, na frente da canela(?) pareceria ter uma faca, tornozelo e em cima do joelho parecia que amarraram um tijolo. A gente treina justamente pra criar essas “micro lesões” que vamos fortalecendo com o tempo. A corrida é um esforço super repetitivo então é preciso estar com o corpo resistente e forte! Coisa que nessa época tão sedentária do ser humano, não estamos nenhum pouco. Mas ficaremos é só persistir! 🙂 E para isso…

  • CADÊ OS MÚSCULOS ?!

… Músculos são necessários e MUITO! É na musculação que você irá fortalecer todo o corpitcho, tendões e ligamentos para aguentar os impactos da corrida – que são MUITOS. Corpo de atleta de elite é SECO que só, mas é puro músculo. Pense que o seu pézinho e a mecânica do seu quadril e costas que irá “carregar” todo peso do seu corpo por pelo menos 30 minutos. É intenso! Muita gente menospreza a musculação, ainda mais porque bem no começo ela deixa muita fadiga muscular e compromete os treinos de corrida. Garanto que depois acostuma. Mas, se hoje, tanto eu quanto Fabinho não nos machucamos correndo “por conta”, foi por causa dos benditos exercícios com elástico, ferro, peso do corpo. Fabinho já fez uma cirurgia no joelho, então sempre foi bem empenhado no fortalecimento mesmo não sentindo dores nas corridas. Eu senti bastante. Tive (ainda tenho) que agachar horrores para proteger o joelho e peito do pé de dores. Ah!! Não é só perna! Costas, peito e abdômen são muito importantes, pois darão estabilidade para todo o corpo. Quando dizem que corrida mexe com tudo, é verdade. Se você não quer evitar se lesionar para correr felizinho, capriche.

  • RESPIRAR É PRECISO E DIFÍCIL

Acertar a respiração foi a minha maior dificuldade. Justamente por sair feito uma louca desvairada no início. Muitos treinadores recomendam começar a correr por 1 minuto e caminhar por 1 minuto e assim vai progredindo o tempo a cada semana de treino. Para mim não funcionou bem. Eu sentia que quando começava a me entender com a respiração, eu tinha que parar para caminhar e perdia o ritmo. Segui o conselho do meu cunhado “não vai pelo puxa um solta dois pela boca, tenta deixar fluir”. Isso funcionou bem comigo. Claro, com o tempo fui acertando melhor as puxadas de ar com a velocidade e tudo o mais, mas no começo além de me deixar mais livre, isso me deu segurança para ouvir o meu corpo. A respiração foi de uma dificuldade para algo prazeroso de entender e me dedicar. Sem música nos ouvidos, sem nada, só persistindo. Correr na esteira me ajudou demais a ganhar ritmo, além de dar uma amortecida no impacto do começo.

  • TÊNIS É INVESTIMENTO

Acho que esta é a única coisa que não dá para fugir. Top errado, shorts que incomoda no começo a gente aguenta. Claro que se você tiver condições já compre de marcas esportivas para melhorar o seu conforto, mas não é nenhum pouco obrigatório. Eu fui montando tudo aos poucos. Até fiz 3 corridinhas com um tênis BEM nada a ver e resolvi ir atrás de um decente. O tênis é fundamental e muito individual! A gente curtiu muito a série boost da Adidas. Confesso não conhecer ainda muito da Nike e Asics, duas marcas mais famosas. Vale uma visita nas lojas, conversar com vendedores para entender melhor cada tipo e modelo. Tênis bom é leveza e amortecimento bacana para você, não vá de all star como eu já fiz! hahah

  • CORRER TODO DIA? NOOOOOT!

Acho que aqui mora o maior erro. Eu me coloco no grupo de pessoas que deu uma corridinha, animou, apaixonou e quis tentar no dia seguinte se superar. Mas, se controle!!! Sério. Não corra todos os dias. Coloque uma musculação no intervalo ou até mesmo descanso. A recuperação muscular e de estímulos é bem importante ainda mais no começo. Depois você poderá separar os treinos com intervalados, longos, de ritmo, subidas e assim cada treino irá estimular uma região das pernocas e não forçar apenas um tipo de fibra e grupo muscular. Mais importante do que fazer todos os dias, é fazer sempre. Corrida é persistência. É ritmo e vai virar a melhor coisa da sua rotina 🙂

  • DIVIRTA- SE!

Sim! No começo é difícil. A gente quer correr sorridente que nem em comerciais. A sensação do pós corrida ainda que não tenha sido das melhores, é mágica. Você fica zen pelo resto do dia. Mas neste começo, correr ainda não será um processo natural. Você ainda vai ajustar a quantidade de comida do antes para não passar mal, o tempo de espera para sair, o tênis correto, a roupa adequada, acostumar com as interferências climáticas, o melhor horário, a hidratação, a música se quiser, o ritmo da respiração, as dores do dia anterior. Algumas pessoas possuem mais afinidade ou até melhor condicionamento e talvez tudo isso flua mais rápido, mas sempre digo: CURTA! Demorei 3 meses para calçar o tênis e sair correndo sorrindo feito tonta sem pensar muito e me preocupar. Quando tudo já tiver se tornado um processo natural, você resolve aumentar velocidade, distância, rendimento e então, tudo começa desde o início, quase do zero… 😛

Me perguntam bastante se tivemos algum acompanhamento profissional e não tivemos. Na época estávamos na academia e comentava com o instrutor, mas não passava de um incentivo, não recebíamos dicas. É necessário um? Você precisa fazer um checkup geral, isso é ÓBVIO, antes de qualquer prática de exercício. Sim, até para correr. A gente não tem noção do nível extremo de sedentarismo que a sociedade chegou. Eu sempre fui ativa, de não parar quieta por um segundo e, ainda assim, não tinha acho que meio kg de músculo no corpo haha.  Meu conselho? Vai devagar em uma esteira ou no parque, até para ver se irá gostar. Persista. Se tiver condições financeiras e gostar, invista sim! Aqui fomos indo, indo, indo e virou amor.

Espero que as dicas ajudem e estimulem quem deseja começar a correr 🙂

A corrida mudou a nossa vida, mente, corpo e nos fez enxergar a vida com muito mais calma. Recomendamos.

Corrida, No meu prato por um dia

> Por que procurei uma nutricionista? – 1 MÊS

01/12/2016

Desde que comentei que estávamos com um acompanhamento de uma nutricionista, recebi muitas mensagens. Quando assunto é alimentação muitas perguntas começam a surgir. Realmente, eu já sabia que deveria ter procurado há um tempo, ou melhor, desde que começamos a correr para CORRER. No começo eu brincava que corria para viver, mas hoje, a paixão virou amor.

Meu pensamento é assim: se está INSEGURO da forma que está fazendo, procure um especialista ou um profissional para socorrer. Foi o que fiz. No início, como meu objetivo era apenas ter uma vida mais leve, eu não senti muita necessidade nas corridas curtas. Me alimentava de forma balanceada e pronto. Acredito que toda pessoa que pense em correr longas distâncias, como uma meia maratona, deva ter em mente um acompanhamento nutricional – além de ir ao médico, avaliações e tudo mais no famoso “checkup” geral. Depois da meia maratona eu ainda me sentia um pouco fraca, gostaria de ter terminado me sentindo mais resistente. Porém segui com os fortalecimentos, afinal eu fiquei bons anos sem fazer nada, já sabia que não seria algo do dia pra noite.

Quando decidi partir para uma maratona, comecei a me sentir muito insegura. Afinal, não é brincadeira. Sabia que de nada iria adiantar procurar um plano alimentar na internet. Cada corpo é um corpo. Comentei com Fabinho e ele concordou totalmente com a ideia. Atualmente o “ramo” da nutrição possui muitas vertentes. Vale lembrar que, como em tudo na vida, é fundamental escolher alguém com as mesmas visões que você. Alguém que você acredite e confie. Pois bem. Entrei em contato com a Poly, que é nutricionista oncológica e esportiva e, amiga da minha família que foi minha professora de ballet quando eu era pequena. Sempre adorei a maneira equilibrada, calma, sensata e muito detalhada das suas explicações. Marquei uma consulta e estava muito ansiosa positivamente. Eu finalmente iria ter alguém para pensar por mim as quantidades necessárias para o meu corpo naquele momento.

Eu sabia que comíamos bem em termos de qualidade o que estava errado eram as quantidades e a distribuição durante o dia. Hoje, eu tenho 6 refeições e o Fabinho 7. Comemos o dia todo! No começo estranhei muito, achava que iria engordar – com sinceridade. Depois aprendi que ficar mais de 3 horas sem comer, quem iria pagar era o meu músculo; Que todo carboidrato precisa ter uma quantidade de fibra para ser bem absorvido; Que pela imensa variedade de produtos que temos hoje, por exemplo, de cookies, um não é igual ao outro. É preciso ler os rótulos nutricionais e escolher o melhor. RESUMO: Em uma consulta eu fiquei empolgadona e bem feliz. Consegui sanar muitas dúvidas e me animei sabendo que eu poderia melhorar minha performance na corrida e que estávamos cuidando mais da nossa vida.

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Confesso que meu objetivo nunca foi prioritariamente estético. Tenho coisas que não gosto em mim, claro. Mas, eu queria correr bem. Foi isso que escrevi no questionário que dizia “Qual seu objetivo?”, eu gostaria de saber as quantidades necessárias para me alimentar e recuperar bem de principalmente corridas longas. Hoje, me alimento mais consciente, algumas coisas em mais quantidade e meu corpo enxugou muito em 1 mês (me desculpem o antes e depois que são sempre embaraçosos mas, muita gente notou diferença no meu corpo em fotos).  Aos poucos conto cada detalhe e novidades nos diários de corrida. 🙂

Por que procurei uma nutricionista? Muitos me perguntaram.

Pelo alívio de me sentir bem informada. Hoje me sinto confiante. Claro que tudo isso é relativo e é um caminho que trilhamos na vida, mas me sinto bem segura e vendo resultado em cada corrida e na vida. Sinto que alimento meu corpo com o que ele está precisando agora. Sem exageros, neuras e respeitando o tempo das coisas. Recomendo procurarem um profissional de nutrição? SIM. Infelizmente a gente só vai atrás disso quando “precisa”, mas agora vejo como é algo que desejo continuar para a vida da nossa família. Claro que em uma frequência menor, mas todos deveríamos nos conhecer mais por dentro – literalmente. Independente do objetivo. Sempre acreditei que alimentação era tudo na vida, hoje sei que isso é 100% verdade. Tudo faz parte de um todo. Aos poucos, vamos cuidando de tudo em partes.

Para quem interessar: contato da Poliane. E instagram.