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AMOR, CRÔNICAS

> 7 anos de nós

24/01/2017

23 de janeiro de 2010 foi o dia em que o conheci. Eu demorei para memorizar a data, mas aquele dia, nunca saiu da minha cabeça. Lembro que desejei ser amiga dele. Eu sentia e sabia que poderia aprender muito-muito mais sobre a vida ficando por perto. Acabei aprendendo sobre ele. Decorando os gostos quando íamos tomar café na padaria e de como ele adorava chegar num parque e tirar os chinelo para pisar na grama. Eu, que sempre fui uma pessoa de planejar as coisas, conheci o cara que era “vamos? agora?”, e no geral, eu respondia vamos. Sentia- me confortável com o mundo dele. Mesmo que ainda não cogitasse passar o resto da minha vida com ele, vivíamos muitas vidas em um dia só. Sem pressa: Rimos, choramos, choramos de rir, brigamos por causa do celular velho dele que nunca funcionava, inventamos de trocar o rejunte do banheiro e ele comeu o meu bolo queimado e disse que estava bom.

Muita coisa mudou desde então. De um, nos tornamos dois, para virarmos quatro e muito mais com toda família e amigos que multiplicamos. Somos mais fortes e mais bobos juntos. Ainda não realizamos nem metade do que planejamos. Nem sei se conseguiremos fazer tudo, mas nos tornamos pessoas muito melhores e mais vivas lado a lado.

É isso que o amor faz. E é isso que levamos da vida.

AMOR, CRÔNICAS

> Foi bom te encontrar

22/09/2016

Amor,

dia desses passei em frente aquela cafeteria que costumávamos ir. Me dei conta que já se passaram bons anos desde então…

A gente nunca teve um primeiro encontro oficial, só resolvemos tocar a vida juntos. Era aconchegante como o encontro entre amigos de infância. Era familiar. Resolvemos arriscar. Para mim todas aquelas xícaras de café carregavam a mesma emoção de um jantar à luz de velas. A gente se observava o tempo inteiro.Você bem mais do que eu, confesso. Entre um gole de café e outro, nossos olhos espiavam por cima da xícara, como quem tenta conhecer em cada segundo o que o outro acha do mundo: de onde virá a expressão de graça, o riso ou a surpresa. Eu sempre pedia o bolo caseiro do dia e você algum lanche ou pastel tamanho família. A gente sempre se deixou ser.

Esta foi a minha maior paixão em nós antes de sermos nós: simplesmente éramos e fazíamos isso bem juntos.

Você com a sua cabeça racional demais e eu com meu coração que precisa de um toque de poesia pra pulsar. Duvidei que isso seria uma boa mistura. E o tempo me mostrou que a gente queria se aguentar. A gente ria sem parar, ou melhor, rimos. Talvez este tenha sido nosso hobby preferido nestes quase 84 meses juntos. “O que vocês gostam de fazer em casal?, para onde gostam de ir? onde gostam de comer?” Qualquer lugar que seja permitido rir e de preferência alto. E estava feito. “Eu não tô apaixonada, só gosto de estar perto e rir junto com ele”, acredita que uma vez nos defini assim? Pois é. Muita coisa mudou, mas ainda bem, que isso não mudou em nada. Porém, hoje eu não tenho medo de me deixar apaixonar a cada dia pela mesma pessoa.

Era engraçado como o tempo passava devagar naquela época. Eu madrugava para trabalhar, saia para te encontrar, ia para faculdade, fazia curso e o tempo naquela varanda enquanto falávamos bobeira custava a passar. Hoje, ele voa tanto que não consigo mais contar. Me esqueço, me perco. Que bom que você também não é dos bons de lembrar. Na verdade foi ao seu lado que pude sentir dentro do peito, o sentimento de celebração diária, que não precisar ser ao pé da letra. É todo dia que nos olhamos, rimos ou choramos e vivemos juntos. Temos grandes motivos para comemorar o amor que um dia decidimos cativar. É todo dia que agradeço.

Dia desses você me avisou que estava saindo do trabalho, igual faz todo bendito sábado. Senti frio na barriga. Aquele geladinho que é o sinal da alma quando está plena. Quando se confia que algo te trará paz e não vê a hora de chegar. Aquela paz silenciosa, mansa e que custamos a notar. Fiquei sorrindo feito trouxa. Você entrou na casa e antes de me dar um beijo, comeu metade do bolo em cima do fogão com cuidado para não sujar o chão. Sorri abobada e pensei: Esse é o cara da minha vida. Quem sempre me trouxe paz – e acaba com a comida da casa. Prioridades.

A vida nem sempre sorriu pra gente. Mas, a gente sempre fez ao máximo para seguir mesmo assim. Hoje, você já conhece minhas zilhões de expressões, quase não preciso falar. E ainda assim me observa todo dia, mesmo sabendo as respostas que vou dar, o que me faz rir, chorar e o que só uma pizza pode curar. É fogo quando alguém te decora nas coisas mais idiotas do dia a dia. Quando você percebe que é tudo uma coisa só, parte de um todo da vida de alguém. Vamos mudar juntos, a cada dia, as novidades não terão fim. Apenas recomeços. É gostoso de pensar.

“A Isa sente demais”, você diz o tempo inteiro e tem razão. Não me arrependo. Sempre usei de todas as letras para dizer que amo e o quanto amo. Sempre tento dimensionar o que é infinito. Nunca achei verbos suficientes e talvez nunca encontre. E nunca vou me cansar de expressar, sabe, Amor… Como foi bom te encontrar!

Ainda é. Ainda que todo dia no mesmo teto que o meu.

Temos mais umas boas vidas por vir e muitos cafés para tomar.

Foi o que pensei quando passei por aquele lugar.

Obrigada por me fazer sentir tantas coisas boas na vida com tão pouco.
Pessoas como você valem a pena.

AMOR, CRÔNICAS

> Quando a coisa é simples

12/09/2016

O amor é aquela coisa que quase não precisa nomear. A gente sabe.

Quando a coisa funciona não precisa de cobrança. Daquele tipo que invade, incomoda e passa até mesmo a privacidade do outro. A vida tem o seu rumo normal, cada um toca os dias da melhor maneira possível e os caminhos que cruzarem, tudo bem, vamos juntos.

Quando a coisa bate não precisa forçar. Não precisa de jogo, enrolação ou medo do que vai pensar em dizer isso ou aquilo. O medo de ser quem somos desaparece e descobrimos um mundo novo crescendo dentro de nós. Descobrimos ser maiores, queremos conhecer e abraçar o universo do outro para fazer parte do nosso. Mostrar o que amamos e o que nem tanto assim, o que sonhamos e o que imaginamos. O coração aprecia a vida transborda.

Quando a coisa é especial há vontade de se doar nos momentos difíceis e nos clímax dos capítulos da vida. O desejo de não magoar, ver chorar ou brigar por motivos bobos mora na alma. E essa coisa vira quase como um termômetro: criamos jogo de cintura e aprendemos o que importa e o que é coisa para deixar pra lá.

Quando a coisa tem diálogo não existe espaço para achar isso ou aquilo. Se não entendeu direito, manda uma mensagem e se quer esclarecer, senta para um café. Conversar é a chance de enxergarmos a vida com outro ponto de vista. É pá, tchum e pronto. Só existe a vontade de consertar e ver tudo além dos nossos olhos.

Quando a coisa é pura vem o desejo de fazer sorrir e construir uma amizade forte e forjada, que não será fácil de abalar. Duas bases se unem para montar um mundo. Não importa se ele faz isso, ela aquilo, pois quando a pauta é a vida, os dois sabem bem onde querem chegar.

Quando tem a coisa a gente sabe, mesmo sem ter um manual. Mesmo achando que não sabe sentir, a gente sabe. A coisa nos puxa para o nosso estado mais simples e, até por vezes, bobo. Um café, o sol no final da tarde, um guardanapo escrito ou email na madrugada. Nada disso será mais igual.

A coisa também não perdoa e exige esforço. Algumas vezes nos faz chorar e muito. Mas quando voltamos a sorrir, é como se nunca tivéssemos sorrido antes. A coisa vale a pena.

Quando a coisa é simples a gente esquece até de chamar de amor e está tudo bem. É amor, aquele momento da vida em que nos faltam as palavras. A gente não sabe nem explicar. Só vai vivendo – essa coisa toda simplesmente como é.

AMOR, CRÔNICAS

> Conjugação de amar

31/05/2016

Parece que quando um amor começa, a vida passa por um processo de conjugação diferente. A vida que antes era tão dita na primeira pessoa do singular aqui, involuntariamente, passa a ter mais um pezinho acolá.

Por vezes é até difícil separar ou notar. Contamos uma história, dizendo nós isso, nós aquilo, sem perceber que estamos sozinhos e ninguém sabe que você namora, é casado ou está em um compromisso. O amor mexe mesmo com a gente. E quando digo a gente, é porque realmente, ele precisa ser para os dois.

O que antes era mais árduo, passa a ser ao menos, mais divertido. O que parecia inalcançável, com alguém querido ao lado, fica mais simplificado para lidar. O que antes nos machucaria ou arrancaria choro, com um amigo ao lado, é reconfortante tornando a vida mais agradável.

Amar não é fácil. Talvez esteja realmente aí, o ato involuntário de ressaltar o compromisso com esse pronome no plural. Lutamos diariamente para que tudo funcione bem: para que os sonhos não morram, que paixão permaneça e que a cumplicidade não espaireça. O amor é uma batalha que só pode ser travada a dois, mas que a temos primeiro dentro da gente.

É normal reforçar que a pizza foi feita pelos dois, mesmo que um só picou o tomate. Vale dizer que a casa foi organizada as pressas e, com alguns berros, mas ainda foi por nós. E que até mesmo a solidão e passeios se fazem necessários, para sorrir sozinho. Mencionar que cada moeda para comprar um jogo de talheres, foi dos dois – nem mais, nem menos, mesmo que sem contar. Nós isso, nós aquilo. A música involuntária que todo casal passa a cantar sem perceber. Até mesmo quando o outro não está. É… Mas ainda somos nós.

Nós” ganha um significado diferente para quem ama. Nós torna- se é o laço maior de que, agora, o amor é parte da rotina. Algo impregnado e difícil de desvincular. Afinal, somos nós. Uma parte além e que se estende para fora e, que mesmo assim, não deixamos de ser singular.

Por isso, de tudo, uma coisa é certa: antes de se aventurar na pessoa do plural, é importante conhecer bem a do singular. Assim como na escola –  isso vale pro amor também.

AMOR

> Ele, tá de parabéns!

17/02/2016

Se tem alguém no mundo que eu admiro, esse alguém é ele. Porquê? Por ser ele. Em um mundo caótico e louco para nos dizer o que fazer e como fazer, ele é ele – e nada mais.

Tranquilo, leve e simples. Ele não se abala. Quem consegue tirá-lo dos eixos, merece um prêmio. E, não vou negar, eu já consegui. A calmaria é estampada no olhar sereno e bem resolvido da vida: Ele só precisa viver. Com o que? Tanto faz. A lista de desejos é curta, sem drama e forrada com sonhos bem estruturados. Se rolar, rolou. Simples. Ele é.

Básico, esforçado e perfeccionista. Eu o achava louco alguns anos atrás, mas na verdade, ele me ensinou a segurar o passo e ir mais devagar – e com alma no caminhar. Pode zuar, achar que ele precisa se emperequetar e calçar um tênis, ele não vai ligar. Ele sabe quem ele é e onde quer chegar. E isso, nada vai mudar.

Ele é racional, mas cem por cento coração e com uma enorme dose de bom humor. Uma alma contagiante e intensa de criança com conselhos bem vividos de 70 anos. Uma mistura de se admirar. Ele vai dizer que não, que não é tudo isso. Mas, é bem mais. É aquele amigo pronto para qualquer hora e qualquer lugar. A melhor pessoa que a vida poderia me fazer trombar. Preparado para rir ou chorar, ele está sempre pronto pro que a vida vai dar. E se não der em nada, ele provavelmente, já pensou em uma piada.

Desde que o conheci há 6 anos atrás que venho dizendo parabéns, por ser a cada dia, a sua melhor versão.

Feliz 32, Barba. Continue: Tá de parabéns!

Diálogos

“6 anos Não São Nada”

24/01/2016

Foi em meio a um abraço longo e com sorriso nos olhos que ele me disse:

– Seis anos não são nada, baixinha..

– Ah vá que não!

Foram minhas sábias e imediatas palavras para esta frase. Claro que comecei a rir e enquanto isso tentei ser racional para não dar uma de doida. Mas, o que eu queria tentando esconder minha reação de uma pessoa que me conhece há seis anos? Minha própria cara me entregou.

Se alguém nessa vida fez questão de me conhecer de verdade, esse alguém foi ele. De certo, algumas vezes eu não sei o que quero jantar e, ele sabe – o que eu quero. Nunca pensei que alguém se interessaria em me ver limpando as folhas das plantas ou iria rir da maneira em que fico feliz por guardar as compras quando voltamos do supermercado. A roupa quando nos conhecemos, a data, o horário, o que eu tinha falado e como estava o meu humor há seis anos atrás, eu não faço ideia, mas ele lembra. “Esse alguém, com certeza, se importa” eu pensava. E fazia tempo que eu não conhecia alguém que quisesse ir além das minhas cores, músicas ou comidas preferidas para provar para minhas amigas que era entendido de mim. Até que ele apareceu: desligado, desapegado e com boa memória. Ou melhor, com bom coração.

Aí, que depois das minhas palavras incríveis, sorri e me acomodei naquele abraço. Ele se importa, eu sei. Era mais uma das suas piadas e eu esperava a sacanagem que viria depois. Afinal, depois de 6 anos eu também o conhecia bem. Mas nem tanto, quando ele resolveu completar a frase:

– … Se você parar para pensar, quando se quer viver algo a vida inteira.

Se saiu bem dessa, Fabinho.

Porém, a vida inteira talvez seja pouca para conhecer quem amamos, quem sabe duas? 😉

Obrigada por mais um dia 23/01, lado a lado.

CRÔNICAS, VIDA

É tempo de (FÉ)rias

22/01/2016

As vezes a gente precisa sair de onde está. Mover-se para um outro cantinho, cômodo, tirar os móveis de lugar, trocar de música, experimentar outra roupa, cortar uma franja. Quando eu era pequena, nunca parava quieta. Minha mãe teve dois meninos e, depois de muita calça rasgada e camiseta suja, veio uma menina que nasceu moleca, rolava na terra, jogava futebol e fazia lutinha na sala de estar com os irmãos. Eu vivia em (fé)rias.

O tempo passou e nunca perdi a vontade de desbravar, conhecer coisas novas, culturas diferentes em cada pessoa ao meu redor. Mas, as proporções mudaram. Meu tempo entre a faculdade, cursos e estágio era inexistente. Apesar de me divertir aqui e ali, confesso, eu não tinha (fé)rias.

Anos se passaram e pude encontrar um pequeno meio termo. O trabalho dobrou, mas parei de depositar a minha felicidade inteiramente nele. Eu era a responsável e, sentia que tinha o meu coração nas mãos, no mesmo ritmo em que ele ainda batia acelerado dentro, só que agora, fora do peito. Fiquei bom tempo sem saber o que era significado da palavra férias.

Foram 15 dias de Sinal fraco de internet, com trabalho adiantado e celular fora de rede. Era eu, a grama e um céu como nunca vi igual. Coloquei de volta o meu acelerado coração em seu devido lugar: dentro de mim. Pude sentir cada batida e movimentação. A respiração era completa, leve e o sentimento da liberdade de me sentir rodeada de verde, é difícil descrever. As vezes a gente precisa mudar de lugar, estar em outro espaço, em uma dimensão diferente para enxergar como somos movidos pela fé que há dentro de nós. A fé de ver o mundo com outros olhos, estar em qualquer lugar e se sentir em casa e agradecer independente do céu estar azul ou não.

As vezes a gente precisa recuperar o espírito de (fé)rias, de quando éramos pequenos para enxergar a vida como uma eterna viagem. Onde preparamos nossas malas, nos livramos de tralhas e renovamos nossa essência a cada etapa e descoberta desconhecida.

As vezes a gente precisa de férias, mas de fé… precisamos integralmente: a vida é uma aventura. Ainda é, como há 20 anos atrás.