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Corrida, CRÔNICAS

> Valorize quem corre a vida com você

25/09/2017

Esses 42km tiveram um gosto diferente. Sabe quando você sorri quando fala sobre alguém? Então.

Domingo foi dia de corrida. Dia de corrida é sempre mais feliz. Quer dizer..

A gente passa a semana contando os dias, diminui musculação, fica atento na alimentação, cuida da hidratação, para o trabalho pra buscar kit, dorme cedo pra acordar as 5 da manhã. Só que nesse domingo de corrida, diferente de todos os outros, eu não fui sozinha. Alguns meses atrás no inscrevemos para participar de uma maratona de revezamento entre 4 participantes, no meu caso, 4 amigos para cada um correr 10.5km. No total, uma maratona.

Minha primeira prova foi uma meia maratona e a segunda prova uma maratona, ou seja, essa seria a primeira prova em que eu terminaria em menos de 1 hora. O frio na barriga é o mesmo, ansiedade e animação nem se fala.

Encontramos todo mundo e fomos. O dia estava perfeito: nem frio, nem sol e ainda tinha um ventinho gelado mesmo depois quando o sol resolveu dar um pouco as caras. Muitos grupos, pessoas de todas as idades e energia maravilhosa de sempre. Todo mundo em um só lugar buscando algum tipo de superação. Fui pronta para me divertir, rir e torcer. Afinal, corrida é sobre isso.

Cada dia que passa percebo como corrida é muito mais sobre a vida, do que sobre correr. Aprendi a cuidar da minha mente e saber o poder que ela tem sobre o que irá acontecer. Aprendi a esperar, a ir, acelerar, voltar, não parar e reduzir quando for preciso. Aprendi a agradecer a companhia das pessoas que desdobram as agendas para dividir alguns quilômetros comigo, nem que seja só uma vez por mês. Cada corrida é uma sensação especial e diferente assim como cada dia da vida. A gente pode se preparar ao máximo, mas não sabe o que pode acontecer. Foi correndo que aprendi a me preparar para qualquer resultado, bons ou ruins, mas independente deles, continuar correndo.

Terminei meus 10k em 54:34, mas já fiz treinos melhores. Gostaria muito de ter baixado mais o meu tempo, mas por pouco treino em subida, considerei um bom resultado. Minha amiga fez sua distância mais longa, a outra estava cansada e gripada e não deixou de ir mesmo assim e meu amigo manteve um baita pace mesmo com sol e elevações. Comemoramos, nos encontramos, rimos, falamos nas próximas metas, brincamos, comemos e comemos. Terminamos o dia com uma boa xícara de café.

Existe algo mágico na corrida: a gente é feliz pelo outro as vezes até mesmo sem conhecer. A gente enxerga as nossas limitações, as dificuldades das outras pessoas e une forças para conseguir descobrir correndo que podemos ir e chegar onde a gente quiser.

Nos meus primeiros 42.195km, não corri sozinha, fui com eles no coração. Dessa vez, fomos lado a lado e foi tudo mais leve. Como sempre é. Ontem corri ao lado das pessoas que nunca me deixaram desistir: dos meus sonhos, da vida, de planos, do amor, da fé e que me fizeram enxergar valor no que eu faço que nem eu notava. Ontem corri com pessoas que admiro muito. Me senti honrada.

Terminei o dia sorrindo e grata, assim como em todas as vezes em que falo o nome deles.

AdoCão

> AdoCão: Lucy e a liberdade

14/05/2014

Esse é um momento quase mágico, daqueles que até deixam a vida com cara de câmera lenta. Você com seu bichinho na coleira, indo em direção a uma pracinha do bairro. Você abaixa, na altura dos olhos dele, faz carinho na cabeça e fala baixinho “Por favor, fica só por aqui”. Segura no ganchinho da coleira… e solta! “Então é assim a liberdade?” É, é assim. ♡

Quando encontramos a Lucy na rua, ela tinha mais ou menos 8 meses. Já era grandinha, vivida e ainda não nos tinha como “donos dela”. A coisa que mais queríamos era poder andar com ela sem guia. Simples: ela se diverte mais e nós também ficamos mais livres. O tempo passou um pouquinho e quando nos sentimos seguros, finalmente, tiramos o ganchinho da coleira. Algumas pessoas nos perguntam como conseguimos acostumar ela assim, como neste vídeo. Vou tentar contar alguns pontos que aprendemos e que aconteceram com a gente:

1. O dono.: A Lucy responde bem tanto pra mim quanto pro Fabinho. Mas, em momentos como este na euforia do passeio e na ânsia de querer brincar, os cachorros tendem a nos “ignorar” um pouquinho. Nesses casos, ela acaba respondendo melhor a ele. Afinal, todos os truques foi ele quem a ensinou. Também, ele é o que consegue ficar mais tranquilo. Eu, confesso, fico com o coração na mão. Mas, ai já é outro tópico.

2. Truques.: É, tem um bom motivo para se ensinar truques pro cachorro além de ser muito fofo. Ele aprende a responder e a obedecer comandos do dono. Aprende quem é que manda, a recompensa disso e a ter contato visual e corporal com o dono. Ter confiança nessa relação entre você e seu amigo é fundamental antes de partir para este nívelzinho acima. A partir disso, a segurança de soltar o bichinho vem de brinde.

3. Coleira frouxa.: Primeiro, antes de tudo isso, é claro, comece os passeio com a coleira. É importante o cachorro ver que você é quem conduz e coloca os limites dele. Não tem coragem de soltar de uma vez? claro! vá aos poucos deixando a coleira mais folgada, de preferência quando ele estiver sentado ou deitado. Você vai notar que o primeiro impulso dele não será fugir. Será farejar ao redor dele. O importante é começar cedo.

4. Leve petiscos.:
Não precisa ser sempre, mas no começo ajuda pra ele se acostumar com a ideia de “se você o chamar, e ele voltar, ganha um agradinho”. Quanto mais cedo acostumar o cachorro assim, melhor. Mais rápido ele se habitua com você, seu comando e o limite de espaço dele. No caso da Lucy, foi engraçado, ela acostumou a voltar quando balançávamos a coleira dela e fazíamos uma festa quando ela chegava.

5. Solte perto de outros cachorros.: Começamos a perceber que quando a Lucy tinha outros cachorros por perto, ela parava de querer ir para muito longe, e ficava ali, brincando e se enchendo de baba com outros cachorros. O que era muito bom. Assim, ela via que podia ficar solta numa boa se ficasse por perto. Brincar com o bichinho, também ajuda.

6. Não corra!.:  Isso é muito importante. Quando mais você corre atrás de um cachorro, mais longe ele vai. Tente mostrar o petisco, agachar, chamá-lo como se fosse brincar ou mostrar uma bolinha.

7. Vá em praças.: A gente vai muito pouco em parques. Primeiro, porque são muito cheios, e o que queremos é relaxar. Segundo, porque soltar seu bichinho em uma praça mais tranquila, entre ruas com menos carros e movimento, pode ajudar. Cachorros tendem a ir na onda da energia do lugar. Ou seja, se ele já é agitado, em um parque com um mundaréu de gente, ele vai te ouvir e responder ainda menos.

8. Confie!.: Ah! é difícil. Mas é preciso! Se você fica tenso, ele também fica, e aí não dá certo mesmo. O voto de confiança é fundamental. Mas, é claro, pode ir aos pouquinhos.

Parece muita coisa. Mas, vale a pena! Ver seu bichinho correndo feito doido no mato não tem preço. No meu caso, meus dois bichinhos – esse namorado jura que é um cachorro também. Bom, gente boa igual ele é.

Ainda mais importante que todos estes tópicos é você sentir, conhecer e confiar no seu animal. Não faça nada com pressa e na empolgação. Deixa o barquinho fluir ♡