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Entre crônicas

Entre crônicas

> Uma vida mais leve

31/08/2016

Afinal de contas: O que é preciso para ter uma vida mais leve? Quase nada..

Felicidade, leveza e bem-estar nunca foram tão procuradas por aí. Ou talvez tenham sido e a gente não saiba medir essa proporção. De fato, a gente sabe que esta se movimentando pouco, estressando demais, querendo comprar muito e fazer tudo em excesso para compensar as infelicidades. Reuni neste post, não dicas, mas alguns pontos que parei para pensar bastante nestes últimos tempos e me ajudaram muito.

O QUE VOCÊ REALMENTE PRECISA?

Parece idiotice, mas acredite: a gente compra demais. Confesso que o fato de ser muito mão de vaca, até me faz comprar menos que o geral. Mas, não é o fato da compra em sí, mas do desejo. De achar que não se pode viver mais sem aquilo e precisar, precisar e precisar sempre. Entramos em uma lista sem fim do que achamos que precisamos. Quando na verdade, em 80% das vezes, não precisamos. Uma vida mais minimalista e consciente, não é papo hipster, mas nos faz não só comprar menos, mas valorizar o que temos. Acredito que este seja o maior segredo da paz de espírito.

MOVIMENTE-SE

Estar parado é quase parte do trabalho e do dia a dia de todo mundo e que nos trouxe grandes consequências para a saúde física, mental e espiritual. Caminhar, tomar um ar puro e suar tem que ser além de uma busca estética e física. Fazendo algo que sentimos prazer, pelo simples fato de fazermos é sentir e querer o bem ao nosso corpo. Cuidamos de nós, aliviamos nossos monstros e limpamos a nossa mente. Consequentemente, deitamos na cama a noite mais leves.

EQUILÍBRIO

Eu sempre repeti para mim mesma que o maior problema do ser humano é a falta de equilíbrio – serve para qualquer ponto da vida. Encontrar equilíbrio emocional, espiritual, físico, mental é fundamental. O que vejo acontece bastante é a dedicação de algumas semanas de uma forma extrema na intensidade 80 e depois volta aos 8 ou até mesmo ao 0, pois fica insustentável. Parece difícil encontrar o nosso “40”, quando é justamente ele que nos fará mais tolerantes e respeitosos com nós mesmos e com o mundo por um período longo. Ou que ao menos a gente consiga encontrar outras intensidades no decorrer da vida.

ECONOMIZE ENERGIA: NÃO SE ENVOLVA

Eu nunca tive paciência para me envolver em discussões. Ainda mais quando são pela internet. O desgate, a falta de interpretação e o desrespeito por não enxergarmos olho-a-olho é algo que realmente, não me atrai e me incomoda muito. Mas, não é só assim que gastamos energia à toa, mas quando damos uma ação desproporcional para os problemas do dia a dia. Mas, este já é outro tópico. Importante mesmo é preservar a sua paz, seja ficando no seu cantinho, respirando fundo mil vezes ou perdê-la e depois recuperá-la sem precisar ficar sem chão.

SAIBA QUEM VOCÊ É

Conhecer a sí mesmo é fundamental. Saber até onde podemos ir, nossos limites, sentimentos, reações, sensações e lidar com nós mesmos é importante. Claro que podemos ir além, mas estar disposto a passar um tempo consigo mesmo sem que isso seja um problema, faz com que a vida seja mais tranquila. É possível lidar com nossos monstros de forma natural, sem pressa, respeitando a nós mesmo e sem comparações com a vida das outras pessoas. Cada um tem o seu tempo.

SORRIR É DE GRAÇA

Pode estar tudo cagado, mas não deixe de ver graça na vida. Não necessariamente a que nos faz sorrir e gargalhar, mas a graça de estar vivo. A tristeza virá, virá e sem dó alguns dias, mas procure lembrar o presente que é estar vivo. Não precisamos de muito. SÉRIO.

SE AME, AME E AME

O amor é importante, é sim senhor. Mas, além do amor a independência emocional é primordial. A vida vai nos surpreender muito com coisas boas e ruins. Estar resolvido consigo mesmo e se bastar é necessário. Não jogue este peso em ninguém.

INSPIRA E EXPIRA

Pense duas vezes, três, quatro, quantas forem preciso. Claro que em determinado momento você precisará explodir, mas ainda assim: respire. Respirar, literalmente falando e, da maneira certa, nos acalma, equilibra e faz com que tudo saia de um estado a mil por hora para o normal em poucos minutos. Respirar com consciência é uma arte e um dos melhores remédios que descobri nos últimos anos.

TEM PROBLEMA DE 1 E PROBLEMA DE 10

Aprender a não problematizar demais deixa a vida mais leve de forma instantânea. Existe problema de nível 1 e de 10. É importante termos reações e investirmos nossa energia à mesma maneira. Não é preciso reagir com toda força e se desgatar com um problema de nível 1, por exemplo. Se você parar para pensar em tantas coisas difíceis e ruins no mundo, vai perceber que a grande maioria do caos e das nossas dificuldades, não merecem tanto de nós. Guarde a sua melhor energia e força para quem você ama e quem quer bem. É isso que levamos da vida.

Espero que possa ter contribuído um pouco. Claro, se tiver algo para acrescentar aqui, que te ajudou, deixe aqui nos comentários 🙂 vamos nos acrescentando!

Entre crônicas

> Ser Normal não é o nosso Forte

23/11/2015

O dia começou ensolarado. Uma longa espreguiçada entre os lençóis, abrir as cortinas e colocar uma camiseta sorteada: era domingo, mas parecia um dia qualquer. Abro a porta, os cachorros me esperam, roupa para lavar, dobrar, trabalho a terminar e preguiça. Decidimos almoçar em um pequeno café que fica a menos de 2km. Coloco um shorts rasgado, uma camiseta melhor e continuo com a havaiana velha-de-guerra, pois já sei, vamos com a turma toda.
O caminho até lá parece não ter fim. Lucy choraminga na maior empolgação da sua vida, puxando o braço do Barba. Eu, seguro o pequeno-grande menino Ringo que com 4 quilos a menos da irmã, quase me arrasta pela rua. Na esquina, já estou suada, derretida com esse vai e vem de coleiras e um leve mau humor toma conta, “desse jeito vou parecer uma louca na rua, Ringo”, desabafo.
Chegamos, amarramos as coleiras, sentamos na mesa do lado de uma lata de lixo. Imagina a cena. A cachorrada vai, vem, criançada brincando e pais nos olhando. O momento de servir é sempre um grande mini infarto. Os pratos se aproximam, a cachorrada continua deitada. Eu, estico as mãos segurando as coleiras, prevendo um estrago. Bandejas à mesa e UFA! ninguém pulou e deu um radoucken querendo brincar. Peguei os talheres e pensei: Puxa! Até que estamos normais.

Corto o primeiro pedaço de torta e escuto um ESTRONDO. Ai, não. Um cachorro passa ao lado correndo. Ringo esquece por um momento que está preso e corre em direção para brincar, apenas esquecendo da grande lata de lixo ao lado e dá de cara com ela. Todos olham, riem e a gente? Ri mais ainda. Ringo nos olha como se nada tivesse acontecido e come uma folha do meu alface. Lucy segue acreditando que aquele é o melhor dia da sua vida e na volta me presenteia com um mini xixi emocionado nos pés. Barba caminha com um em cada lado, como se tivesse tudo nas mãos – e tinha.

Final do dia me dei conta de que eu vivo com o maior presente: ter ma família que era puramente ela mesma. E, afinal, qual a graça de ser tão normal?

Ser plastificada, sem manchas nas roupas, arranhões nas pernas ou pêlos na calça. Estar impecável, preocupando- se apenas em como se apresentar ao mundo, enquanto por dentro, somos iguais: todos deitamos à noite, olhamos para o teto e desejamos viver em paz. E assim nós vivemos. Temos tudo.

Ontem, um domingo qualquer, pude esclarecer para mim que, realmente que ser normal não é o nosso forte – ainda bem.

Entre crônicas, VIDA

> A GRAMA DO VIZINHO: Você não sabe de NADA

02/11/2015

Quem nunca julgou um livro pela capa?
Duro é que nós insistimos em fazer isso com pessoas…

Mesmo não sendo por maldade, quantas vezes nos pegamos vendo alguém caminhando pela rua e pensamos “Puxa, que vida boa aquela pessoa tem“? Muitas. As vezes olhamos feeds incríveis e pensamos que uma pessoa não sofre ou pior, acreditamos que conhecemos a sua vida. A verdade é que muitas vezes aquela única foto publicada no dia, pode ter sido o registro de 1% de coisa boa e sorriso de uma pessoa que mesmo sofrendo quieta, tentou fazer um visitante ter o dia um pouco melhor que o seu e sorrir também.

Para ilustrar, preciso contar algo que aconteceu dia desses na academia. Uma senhora de mais ou menos 60-65 anos vai todo final de tarde com sua legging preta, camiseta cinza, óculos de armação grossa e um cabelo grisalho chanel cheio de charme. Sempre sorrindo, conversando e filosofando da vida com o instrutor, ela parece ser daquele tipo de pessoa que conversa sobre qualquer assunto por horas. Essa mulher é incrível, pensei a primeira vez que a via.
Um dia eu estava péssima, o dia da foto que contei. Tinha acabado de sair de uma consulta que acabou com a minha semana e a senhora do chanel grisalho estava com um novo instrutor. Ele a incentivava a aumentar um pouquinho a carga do peso para um exercício de braço e ela sorrindo desconversava. Enquanto eu meio de longe, estava atenta as suas piadinhas e pude ouví- la dizer com um tom um pouco mais sério, mas não menos querido: Acho que você não sabe, né? Eu tive uma doença e não tenho uma mama, não posso aumentar o peso.

Naquela hora minha reação foi ficar sem reação, por nunca imaginar que ela teria passado por essa situação. Foi quando pude apenas afirmar dentro da minha cabeça que a gente não sabe de NADA. A grama dessa mulher é verde, pois foi cuidada, capinada, suada, sofrida e regada para crescer forte – eu apenas enxergava a capa da sua história de vida.

As guerras que passamos não concorrem com a nossa felicidade, apenas nos fazem mais humanos. Ao contrário do que pensamos, nós não precisamos ter conhecimento de tudo, precisamos apenas não descartar que as lutas existem para todos. A felicidade é uma fração de segundos e, que felizmente, uma foto ou um olhar conseguem captar. Felicidade é como uma batalha com nosso eu que precisamos travar diariamente. Algo que quando a sentimos desejamos espalhar e retribuir. Justamente pela nossa eterna mania de espiar a grama verde do vizinho e pensar que ele não chora no chuveiro. Vou te contar uma coisa: Ele também chora, mas a maneira como reagimos a isso, é o que faz a diferença.

Sempre que possível vejo a senhora do chanel grisalho nos finais de tarde. Nos sorrimos, balançamos a cabeça acenando boa tarde. Viro as costas e só consigo pensar com ainda mais certeza: Essa mulher é incrível !

Que a felicidade continue sendo espalhada em pequenas doses. Não para contar uma vida de faz de conta, mas para nos dar forças para acreditar em um amanhã melhor e mais verde para todos.

AMOR, Entre crônicas

> Cadê a aliança?

01/09/2015

– Você é casada, moça? É que eu não vi aliança!
– Tenho sim. Mas, não é todo mundo que consegue ver..

Esse é o tipo de pergunta que muitos casais devem escutar. A aliança, um anel, é usado desde muitos anos por diferentes religiões para simbolizar uma união. Alguns casais usam desde o período de namoro, outros quando ficam noivos e depois trocam e outros apenas quando casam. Um símbolo importante e marcante na vida das pessoas.
A verdade é que quando falamos sobre relacionamento, não existe regra. Existem apenas o que o casal acredita e o que funciona para cada um. E foi isso o que eu fui papeando com um taxista, no fim de um trabalho, meses atrás, enquanto ia para casa. Abri a porta de casa, fui recebida pelos meus cachorros e vi ali, o homem que eu adoro ter perto, sou fã, amo amar – e que não divido um anel.

Vi o amor que confia, entrega e vê o esforço que existe em nós para sermos nós. O amor que também tem o seu toque brega e com tradição em outras tantas coisas. O amor que tem a segurança, de que ás vezes, não precisamos definir tanto as coisas. Pois, “as coisas” estão bem, estão seguindo. Nossas histórias passadas estão entrelaçadas, nosso presente segue caminhando e o futuro é um mar de sonhos. “Mas, como vocês classificam o relacionamento de vocês?”, o taxista me perguntou. E respondi sorrindo um pouco antes de bater a porta do carro: – Nós sabemos muito bem onde queremos chegar juntos. Essa é a nossa aliança.

Um olhar que entende tudo e as mãos estendidas para caminhar a vida lado a lado. Somos o que somos. Com os mesmo ideais e visões alinhadas sobre a vida. Somos tudo isso juntos. Hoje, nossa aliança é essa. Nossa aliança, é impagável e também, invisível: só quem conhece o amor, na sua forma pura e livre, pode ver. Vá saber depois.

Ao amor, que na sua essência mais pura, dá liberdade de cada casal amar além de como sonhou e como bem acredita amar. Afinal, o que mais faz o amor além de nos virar do avesso e surpreender? Ninguém jamais vai entender, ou melhor, ver. A não ser, vocês dois – e é o que importa. 🙂

Entre crônicas, VIDA

> A vida, aqui ou lá: que seja vivida.

04/08/2015


Toda vez que venho para cá, eu viro um turbilhão. Só que daqueles calmos, mansos e intensos. Não sinto ansiedade, não sinto pressa. Sinto a vida como ela tem que ser: vivida e plena. A vida existe e, esse é o seu único propósito real. Aqui me sinto, me vivo e volto a sonhar. Aqui, imagino minha família no futuro com um número sem fim de cachorros, gatos, um pássaro livre dentro da casa, galinhas e um quintal de horta para alimentar. Um silêncio infinito, o desgaste corporal do trabalho diário e uma panela para seis pessoas de macarrão com manteiga. Sem mencionar a minha cara um pouco fechada, pela quantidade de pés cheios de barro dentro do chão limpinho da casa. Faz parte. É, somos assim.
Esse pode ser só mais um dos planos em que fazemos olhando para o teto sentados no nosso apertado sofá. Arquitetando como seria tudo: nossa vida, nossas tralhas, nossos tesouros em forma de bichos. Como seria, como seria, como seria? Viver sem uma média e um pão na chapa, sem uma loja de utilidades de 24 horas ou longe dos meus pais para salvar minha semana difícil com um café. Não sei. E talvez seja daí a vontade: descobrir.
Lá, eu sou grande. Pois meus sonhos são imensos: são muito maiores que eu. Não cabem nas mãos, quanto menos na memória e por isso, precisei correr aqui anotar. Lá, não tenho medo de mudar, pois sei que quanto mais coisas deixamos de nos preocupar, mais nos permitimos sentir – e é para isso que vivo.
Lá, é fácil fechar os olhos e não imaginar o pior, a pureza e o céu azul existem. Lá, a vida seria como é aqui. Só que lá, não aqui. Seria a vida, simplesmente assim. Para ser vivida e plena. Tanto faz onde, com tanto que seja assim.
Hoje, ele apontou a mão e disse “ali ali, bem ali, vai ser a nossa casa”. E a última vez que ele me disse, anos depois, realmente foi. O que vai ser do futuro? eu sei é não. Mas, nunca vou me esquecer de lá. Pois foi naquela grama intensamente verde, que não consegui mais parar de sonhar outra vez. Mais uma vez. E sem parar. Afinal, meu amigo, sonhar não custa nada.

Nunca pare de sonhar.36

Finalmente consegui tirar uns dias – mesmo trabalhando daqui – para visitar os pais do Barba.  Para me acompanhar tô sempre no instagram , de besteirol no snapchat: ribeiro.isadora ou falando feito matraca no youtube.com/nanossavida  🙂

AMOR, Entre crônicas

> Não sei fazer café para um

29/04/2015

Não sei. Me peça café para cinco, seis, sete pessoas e eu farei sem medo, sem frescura e sem errar. Mas, para uma pessoa? não dá.

Sábado de manhã, eu e a cama vazia, branquinha, dois cachorros e um sol gostoso no quarto. Estava tudo bem. Desço as escadas e sou eu versus a chaleira: café. Quem consegue viver sem antes tomar no mínimo um de café? Aqui em casa somos em dois humanos, eu e um barbudo. Passo o café o dia todo para nós e para quem estiver com a gente. Ligo o coração no automático. Puxa, me esqueci! ele não está aqui. Duas xícaras de café para uma pessoa? bom, guardei para depois. Ele me pergunta, “Como está aí, baixinha?” e a resposta é “Tudo óóóótimo” e completo mentalmente – me socorre, não teve café pra um.

Domingo de noite, por que não um cafézinho? expira, inspira e é só diminuir ao meio a quantidade de sempre. Concentração. Ih, deu ruim: amargou. Segunda depois do almoço, sim, tem que ter café pra “assentar” o estômago. Concentração. Não deixa a pouca água ferver demais… Ih, deu CHÁfé, mais fraco que camomila.

Terça de tarde? hora do café! Preguiça de sujar tanto só para uma bendita xícarazinha para mim. Corro na padaria do lado, “um pingado, por favor?”. Mais fácil que admitir que não consegui e que também, meu bem, não vou ficar sem café. Mais fácil me render do que chegar ao quarto dia na tentativa frustada desse imperfeito equilíbrio.

Há quem diga que meus cafés não são os mesmos sem você. Tem um sabor diferente, não é ruim, mas é apenas… diferente. Incompleto? não, diferente. Menos intenso? diferente.

Há quem diga que para fazer um bom café é só seguir um manual, mas não. Fazer um bom café é como fazer o bem para alguém e para sí: quanto mais o outro sorri e esvazia o coração entre uma xícara e outra, mais gostoso o café parece ficar.

Há quem diga e estão certos, os cafés são os mesmos, mas não tem você: a melhor companhia, a melhor pessoa para encher uma xícara, falar da vida, chorar ou rir, entre um gole e outro gole do nosso tão compartilhado e amado café.


para meu barbudo, de uma grande saudade de pequenos 5 dias de coisas simples da rotina.

Entre crônicas, VIDA

> Arruma essa cama, digo, essa vida!

15/04/2015

 

Quando eu era pequena eu era meio viciada em organizar meu quarto. Eu o mudava pelo menos todo final de semana. Pegava o armário botava de um lado, a cama do outro e meus brinquedos preferidos dispunha na estante. Eu lembro que minha mãe estabeleceu uma nova regra da família: ARRUMAR A CAMA. Essa, meus amigos, era uma dificuldade tremenda pra mim! Eu poderia limpar e deixar o quarto brilhando, mas minha cama no dia a dia eu não conseguiria lembrar de arrumar.
Até que começou o outono fazia um friozinho leve como faz agora em São Paulo e pensei comigo, “se eu arrumar a minha cama pela manhã, quando eu chegar a noite ela estará quentinha”. Passei o outono e inverno todo lembrando de esticar meus lençóis religiosamente, afofar o edredom e colocar uma mantinha na metade do pé da cama. Quando a noite chegava a cama magicamente, parecia a melhor cama do mundo. Ela era. Eu tinha onde dormir, onde me aquecer – um lugar para agradecer.
Ontem, depois de recolher os lençóis do varal, subi as escadas e lembrei de tudo isso quando arrumava a bendita cama e pude sentir no peito o mesmo carinho daquela fase e ri sozinha. A minha, digo, a nossa cama, parecia sim, mais gostosa que o normal.  Calma! Esqueci do final.
No fim do inverno, eu arrumava o meu quarto e lembro que teríamos que sair para algum lugar e meu pai veio me apressar para sair. Contei que eu precisava arrumar minha cama, expliquei o porquê e ele me disse, “a cama só esquenta quando você está nela, por causa da temperatura do seu corpo na coberta”.
Meu mundo caiu, MAYSA. Mas, mesmo assim, continuei arrumando a cama direitinho.

A verdade é que nem sempre algumas motivações precisam fazer sentido. Elas simplesmente precisam acontecer. Afinal, foi aprendendo a arrumar uma cama que pude enxergar que não importa quão pesado foi o dia, a cama vai estar mais quentinha para você se ela estiver carinhosamente em ordem.
O mesmo é sobre organizar a vida e a nossa alma. Fazer uma faxina pesada no fim ou no começo do ano sempre vai bem, mas manter a nossa casa interior em ordem é tão diário quanto esticar os lençóis da cama todos os dias. Não existe milagre, as coisas não vão se ajeitar sozinhas. Nós podemos não prever as surpresas e as bads da vida, porém podemos zelar por pequenos detalhes do dia e assim, viver com carinho, pois é o que a gente pode fazer pela gente e para com ao nosso redor para viver plenamente bem e quentinhos – isso vale para o coração também.
PS: Mãe, ainda não consigo lembrar de arrumar sempre a cama. Mas, a vida, eu não tenho esquecido não – pode deixar.