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VIDA

Corrida, CRÔNICAS, VIDA

> Você está bem?

06/03/2017

Pergunto porque quero saber mesmo.

Sinceramente, eu não lembrava a última vez que me perguntaram isso querendo saber realmente como eu me sentia.

A vida é uma corrida e agora não falo do ato de correr, mas dessa mania de que parecemos sempre estar com algo para fazer, pensar, como agir, dizer e prosseguir. Todos sem excessão vivem boa parte do dia assim: trabalho, sonhos, alimentação, relacionamento, amizades, família, saúde, isso não é ruim. Mas, convenhamos que é uma infinidade de pautas para resolver e, sim, elas não tem fim.

A verdade é que entra ano e sai ano e nós sabemos pouco das pessoas. Queremos saber o que elas fazem e no que temos em comum, não conhecer QUEM elas são. Afinal, a essência de cada um demanda tempo.

Perguntamos o dia todo qual aplicativo, qual o sapato, batom, tênis, loja, viagem, o lugar, como é isso, aquilo… Mas não paramos para perguntar se alguém ESTÁ bem. Como essa pessoa realmente se sente, como está indo o dia, a vida e os planos. Será que realmente estamos interessados em algo além do que nos convém?  É duro de pensar e admitir.

Dia desses surgiu o momento em que alguém me perguntou se eu estava bem. Disse rápido e rasteiro que sim. A mesma pessoa refez a pergunta “Tá, mas você está bem?”. Foi quando percebi: ela realmente queria dividir o peso do meu dia. Alguém que tinha os seus compromissos, sua vida, afazeres, problemas e, ainda assim, queria jogar papo fora. Queria ouvir eu reclamar dos pêlos que nunca acabam, da quantidade de dúvidas, dos medos e da alegria de ter acertado um bolo naquela semana. Eu falava e a pessoa sorria – ouvir e enxergar o próximo traz a sensação de que não estamos só no mundo. O verdadeiro ato de ser humano.

“Você está bem” não é educação, mas um convite para quem deseja ouvir de outro mundo, não exatamente os segredos, mas aquilo que se têm a dizer e sentir.

Da vida, só levamos as experiências e o que cativamos. É preciso sentir e aprender mais com o ao redor. Independente da velocidade da vida o freio e o acelerador está dentro de nós. Acelere quando precisar, mas freie sem culpa quando sentir que deve. Tudo bem? Espero de coração que sim.

CRÔNICAS, VIDA

> Um dia deixaremos a vida ser como é

21/02/2017

A gente jura saber o que é preciso para viver. A gente bate o pé que temos que ter isso, comprar aquilo, realizar X coisa e ir para tal lugar. O que a gente não sabe, é que, na verdade, não sabemos de nada.

Um dia não criaremos um padrão de como as pessoas precisam ser. Conseguiremos olhar para cada um como um ser humano com vontades, desejos, opções e ideais. Um dia aprenderemos a deixar de lado a rixa, os discursos pré montados e a necessidade de impor a nossa vontade no outro, na família, seja quem for. Daremos a chance de olhar na contramão e exaltar as coisas boas, para ver a beleza do ser diferente e que nos faz tão únicos. Um dia, olhar para quem as pessoas são e não o que usam, estará na moda.

Um dia a gente resolve deixar de ter razão para ser feliz. Não colocaremos nas costas de ninguém a nossa felicidade e a necessidade de adivinhar o que estamos sentindo. Passaremos a apreciar o que é espontâneo e verdadeiro, ainda que seja completamente diferente do que gostaríamos de ver. Um dia gastaremos mais tempo vivendo do que imaginando como as coisas deveriam ser.

Um dia encontraremos pessoas que farão o nosso silêncio ser confortável e com quem fazer nada junto torna-se o melhor programa para qualquer dia da semana. Antes deste dia, aprenderemos que olhar para o lado e ter alguém sorrindo de volta, sem ter motivos, apenas por você estar sendo exatamente como é, é o maior tesouro da vida. Um dia entenderemos que o que levamos da vida, não é nada que se pode pagar, mas somente as relações que construímos, dia após dia, com esforço. Um dia redescobriremos o que é cativar.
Um dia cairemos na real de que o amor é o melhor remédio que podemos usar e que não há contra indicações.

Um dia olharemos a vida, sem pensar no que ainda não temos, e agradeceremos por todos os aprendizados. Um dia deixaremos a vida ser como é. Neste dia, seremos livres.

VIDA

> Feliz ano novo, novo mesmo!

02/01/2017

Eu sempre começo ou termino o ano com um texto aqui no blog. Desde o começo foi assim. Parece que eu tinha as palavras na ponta da língua e quase faladas do coração. Este ano foi diferente.

2016 me deixou sem palavras com alguns momentos de tirar o fôlego de felicidade, até dias difíceis que nunca imaginei que poderia imaginar passar. Engraçado, o ano não foi ruim, apenas dureza. Encerrei os últimos dias simplesmente querendo ser e estar inteira no momento presente. Fiz o que tinha pra terminar e fazer. Não fiz lista e não parei para sonhar. Dá um certo frio na barriga pensar assim. Um certo receio de perder tempo, fazer errado, parecer desleixada com o futuro. A gente perdeu o costume de viver por viver.

Logo eu quem gosto de planejar, tentar organizar e curtir o caminho antes, ainda não fiz. Ando deixando cada dia ser como tem que ser, como eu ainda não planejei. Sigo, até agora, me surpreendendo: com o nada, com algo, com a vida.

Em 2017, quero bater no peito com responsabilidade de fazer o meu melhor para viver a vida da melhor forma. Afinal, não somos feitos só de desejos. A saúde, a paz, o amor vem de cada um.

Este será um ano diferente, pelo visto. Um ano para aprender: amar e viver. 2016 foi para ensinar que a gente aguenta. Que a gente precisa. Parar de perder tempo, discutir por bobagem, colocar a intolerância de lado e só querer que aquele futuro brilhante chegue logo. O futuro é o agora.

Em 2017, quero viver a vida que tenho para viver. E é isso. Achei que não tinha nada para dizer e escrever aqui. Talvez este único item já tome a lista inteira. Que bom! Este é mais um ano que gente se vê aqui com muitas histórias – tudo indica. 🙂 Vamos com frio na barriga mesmo!

Feliz ano novo, migos!

CRÔNICAS, VIDA

> O que é pra ser, vai ser.

19/12/2016

“O que é pra ser, vai ser”, parece tão óbvio, tão simples, mas, claro, não é.

A gente cresce ouvindo uma lista gigantesca de desculpas esfarrapadas do porquê as coisas não deram certo para gente. Porquê o time não ganhou, não foi convidada para a festa, o dia não foi bom, o sonho não deu certo neste ano. A única verdade e que é dura de aceitar é: não deu certo, porque não deu.

Da mesma forma que “o que é pra ser, vai ser”, o que não é, não vai ser.

Essa frase na negativa, não soa tão bela quanto a famosa no título. É óbvio. A gente só quer pensar no que pode dar certo, no que irá sair tin-tin por tin-tin de como sonhamos e imaginamos que nos fará bem. Quando deveríamos no preparar para pensar e aceitar que as coisas irão dar errado. Não uma, ou duas, mas algumas vezes na vida. Não dar certo nem sempre é sinal de que deu errado.

Não importa se você guardou o seu sonho a sete chaves em um diário, se contou pra meio mundo, se nunca nem o escreveu em um papel de guardanapo, se comentou com a fofoqueira das amigas. Se for pra ser, vai ser. MAS, é bom saber: se não for, não vai ser. A gente aponta que a culpa foi do olho gordo, da fé que colocamos demais ou do medo que surgiu. Por que parece ser tão difícil aceitar que não foi a hora certa?

Aceitar quando as coisas não acontecem como a gente quer é dar um peso mais leve para o nosso mundo. Carregar uma mala mais compacta e sem excessos para viver. É desejar que a vida aconteça e, que talvez, se molde em como sonhamos e desenhamos em nossos sonhos. A gente nem sempre sabe o que é melhor pra nós. É triste lidar com isso. A gente sabe o que é bom agora, olhando para frente. Contar com o tempo das coisas é aceitar uma visão de andares mais altos do que podemos enxergar. Um plano.

Queria que tudo acontecesse como imagino? É claro. Algumas vão. Outras a vida irá ensinar que eu estava bem enganada sobre a felicidade, outras irá surpreender ou esfregar na nossa cara que foi muito melhor assim. Pode não ser hoje, amanhã, ano que vem ou no próximo ano bissexto. Em algum momento vai.

Corre, luta, estuda, treina, aprimore, sonhe, planeje, invente, crie, faça contas, invista. Se for pra ser, vai ser. Senão for, resta aprender e agradecer. Não arranja culpa ou desculpa. Algo foi preciso levar disso.

As coisas nem sempre dão certo, infelizmente, mas quando dão são inesquecíveis e incríveis. Acredite. Quanto ao tempo e o que a vida acha melhor para cada um, não há o que fazer. Aceite. Faz parte – ou não faz. Vai saber.

CRÔNICAS, VIDA

> Dezembro é para quem tem coragem

13/12/2016

Dezembro são muitas vidas em um mês.

É a mistura de ansiedade, calma e silêncio com a vontade de apertar um botão para pular de fase para o ano seguinte que está por vir. Dezembro pra mim sempre foi assim. Seja a vontade de ir logo para a festa de natal com a família, para a tão esperada viagem de final de ano ou apenas trocar logo de roupa, ar e colocar um novo calendário em cima da mesa. Por mais rápido que a gente tente, dezembro tem passos lentos do cansaço acumulado de viver.

Dezembro é quase como um salto. Aquele último impulso que a gente dá para tentar ir além mesmo exausto. A força que a gente tira de onde não tem, só para continuar vivendo. E continua.

Dezembro tem gosto forte de saudade. Aquela que nos faz sorrir sozinhos em qualquer hora ou lugar e que aperta o peito entre um gole e outro de café no começo do dia. É em dezembro que sabemos onde a nossa paz está, pois queremos o quanto antes voltar.

A gente corre. Faz tudo e não faz nada. Tenta dar check na lista que não tem fim e aceita o que não vai dar pra resolver. Faz parte. Dezembro é agridoce. É quando entendemos o limite de até onde podemos ir e percebemos que conseguimos ir além. É lidar com nossos piores monstros e medos aflorados, sonhos difíceis de racionalizar e o peso do que não pudemos ainda realizar. Fica para o ano que vem, tudo bem.

Dezembro é o impulso. A balança dos trezentos e tantos dias que buscamos dar o melhor. A gente pensa nos erros, acertos, sorri com os momentos mais simples e chora calado com o que a vida teve que levar. Dezembro é para quem quer compreender. O que aconteceu consigo mesmo e ao redor. Mergulhar na incerteza e na chance de descobrir um pouco mais. Dezembro é pra quem tem coragem de continuar. Com palavras diferentes, regras novas, o armagedom particular e páginas vazias. Por mais difícil que possa parecer. Dezembro é o clima de final de ano, de um ciclo, de uma batalha. O fim de apenas mais um dia. É o começo.

Dezembro vai durar o quanto tiver que ser. Estranho é esperar por janeiro para acreditar, retomar e sonhar o que quiser.

Dezembro é pra quem tem um réveillon a cada novo dia em que viver.

 

CRÔNICAS, VIDA

> O que esperam e querem que você seja, não é problema teu

21/11/2016

Não me importo de usar sempre a mesma rasteirinha e não ligo que meu namorado só fica sem camisa. Não me importo se meu look do dia, não é sempre um look do dia. Eu agradeço por poder escolher o que vestir, pode ser um moletom ou vestido longo: os registro com a mesma alegria.

Não me importo se meu cabelo não me obedece, se a unha do dedão sempre lasca primeiro. Não me importo em não fazer tudo com perfeição. Se consegui dar o meu melhor, tudo bem. Não me importo de demorar mais que o “normal” para terminar algum projeto e de não saber todas as respostas. Como a gente se engana – ninguém sabe.

Não me importo quando a cara está amassada, inchada e se ela resolve ficar de boa, tá de boa. Não me importo com os dias chuvosos, não estar feliz todos os dias, usar a mesma camiseta cinza repetidas vezes e de demorar mais que o normal para conseguir explicar um raciocínio simples. Faz parte.. do que eu sou. Não me importo e não aviso se estou sem ou com algo no rosto, pois não vejo só isso em alguém. Eu vejo o que as pessoas têm a dizer e a me ensinar. Se isso está fora de moda? Espero que algum dia volte.

Não me importo de não saber tudo sobre todos os assuntos, não ser das mais sábias e de ter vergonha quando acabo de conhecer alguém. Não me importo se gaguejo em público, se invento palavras, sinto medo de ousar ou se errei a mão no blush. Não me importo se o que esperam de mim seja a perfeição ou qualquer outra coisa que seja diferente do que o que carrego no furacão ou na maré mansa dentro de mim. Com tanto que as pessoas sejam de verdade, eu não ligo. Eu espero que continuem assim. O que esperam e querem que você seja, não é problema teu.

Um dia, quem sabe, acordaremos em um mundo que se importe com o que verdadeiramente importa. Em ser humano.

Ah, isso, eu me importo.

Não deixe passar a vida sem viver quem você é.

CRÔNICAS, VIDA

> A tal da felicidade

15/11/2016

Todo mundo quer ser feliz. É óbvio. Quem não quer uma vida tranquila, mansa e serena? Todo mundo. Tão desejada quanto a felicidade é, entra disparado neste ranking, a busca incessante por ela. Revistas, jornais, portais, fotos, redes sociais, vão te dizer o que fazer. A gente lê e ri, outros levamos a sério 60%, alguns arriscamos testar, com outros damos uma chance, mas não contamos pra ninguém.

A verdade é que na busca para a felicidade não existe certo e não existe errado. Existe a busca interna de cada um – mas ela tem que ser interna.

Para alguns a felicidade está em um carro novo na garagem, para outros apenas um tapete que diz bom dia na porta já ajuda. Para uns é ter um pão com manteiga no café da manhã, para outros é alcançar uma carreira estável na empresa X. Aí, está a raiz do problema: Estes são nossos sonhos, a felicidade é outra coisa.

Independente dos sonhos e do que fazemos, existe a felicidade que a vida quer nos ensinar a enxergar. Tomei a liberdade de apelidá-la de felicidade mínima. Aquela que no dia-a-dia esbarramos e deixamos passar. A felicidade que passamos a vida inteira sem notar. É ela.

A felicidade sustentável.

O estado interior que não depende do clima, altos e baixos da vida, do seu humor ou do quê você quiser colocar aqui. Ela é silenciosa, como a paz que sentimos ao abrigar um bebê ou o sorriso calado ao ver quem amamos. A felicidade que é plena inclusive quando estamos tristes. Não por ter a resposta ou segurança de tudo, mas de acreditar que a única certeza que precisamos ter é que tudo irá se ajeitar: mesmo em meio a dor. Felicidade que sabe que não há problema em ter problema. Sabe esperar, sabe se sentir bem e vivo na vida que tem.

A felicidade é uma questão de observar: A vida, ao nosso redor, o mundo e outro alguém.

A felicidade mínima é esta que fica escondida por entre o dia a dia e na rotina corrida. É o sustento para uma vida em paz. Assim como respiramos involuntariamente a cada segundo, sempre há tempo de a encontrar. A felicidade genuína: Sem peso, sem pressa e sem manual de instruções.

Apenas um passo de cada vez e involuntariamente, agradecemos a vida, por viver.