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VIDA

CRÔNICAS, VIDA

> Agradecer é uma escolha

31/10/2017

Se me perguntarem a coisa que eu mais odeio, eu direi de imediato que não odeio nada, com tanta força assim, imagina. Porém, se me der mais alguns segundos eu vou balançar a cabeça, torcer a boca e dizer: ficar doente.

Não sou uma pessoa nada agradável quando fico doente. Fico entediada e irritada. Não gosto da ideia de me sentir indisposta, depender de alguém pra cuidar de mim, não conseguir ajeitar a casa, atrasar trabalho e ficar o dia todo olhando para o teto. Pois bem. Aprendi que o melhor remédio para evitar tudo isso era me alimentar bem e cuidar minha saúde ao máximo. Legal, ajudou muito mas, né, isso não me fez virar um robô. Semana passada peguei uma virose da-que-las. 40 graus de febre e uma tosse a cada 10 segundos que parecia que meu pulmão sairia de mim a qualquer momento. Minha primeira reação ao perceber os sintomas, foi deitar a cabeça na cadeira do escritório, respirar fundo e dizer em voz alta “era tudo que eu não precisava para essa semana”.

Quem disse que não?

Em abril, fiquei gripada e minha mãe me disse “Filha, ás vezes isso é o seu corpo pedindo para descansar. Aproveite”. Não sei se era o caso desta vez, mas quando lembrei disso, tudo me fez sentido. Sério. Acompanha o raciocínio: eu estava bem > percebi que fiquei doente e isso tirou minha paz  > reclamei > fiquei pior. Eu poderia ter interrompido este ciclo muito antes de ficar pior.

A boa notícia é que nunca é tarde demais para ser grato ou perceber que reclamar não leva a nada. A gente escuta muito sobre a gratidão, a gente sabe que precisa agradecer, mas nós achamos que precisamos fazer isso só quando algo incrivelmente maravilhoso e digno de fogos de artifício acontece na nossa vida. A gente sabe que as pequenas coisas, na verdade são grandes, mas as deixamos passar em branco todo santo dia. Por quê?

Reclamar é um hábito. Quando algo de ruim, difícil de aceitar e doloroso acontece é praticamente automática a reação de reclamarmos ou brincarmos ironicamente reclamando. A próxima vez que isso acontecer, perceba o efeito que reclamar te causou. É abstrato de explicar, porém reclamar gera algo dentro de nós. Algo como uma mancha que parece se espalhar cada vez mais a medida em que potencializamos este sentimento tornando aquele problema, que era ainda um pontinho pequeno, ficar muito pior.

Naquele momento, eu não estava só gripada. Minha reclamação me lembrou que eu estava com cólica, com meu dente doente, trabalho atrasado, reunião, evento, edição para finalizar, documentação para resolver e problema no banco. Parabéns! Agora eu tinha o problema e todos os outros problemas que a minha reclamação trouxe de bagagem.

Percebe?

Da mesma forma que reclamar é um hábito, a gratidão também pode se tornar parte do nosso dia a dia. Quando percebi todo esse rebuliço da gripe acontecendo eu fechei minha agenda, terminei algumas ligações, ajeitei o que podia naquele momento, preparei um chá de gengibre e deitei no sofá. Estava tudo bem. Percebi que de alguma maneira eu precisava passar por aquele momento tedioso e tirar proveito dele. Meu namorado também pegou e passamos a noite rindo um do espirro do outro.

Briguei e me policiei comigo mesma o final de semana inteiro. Eu nunca tinha percebido a reação tão direta que reclamar tornava tudo pior. Ainda era difícil, ou quase impossível, agradecer aquela situação, mas eu não fazia mais parte daquele ciclo. Inventava algo para rir, ler, distrair e conversar, não reclamar.

“Agradecer é uma arte” era para ser o título deste post, entretanto agradecer é uma escolha. Uma escolha simples, mas muitas vezes difícil. É duro de aceitar que somos responsáveis por todo o turbilhão que acontece em nós e, não estou dizendo que ficaremos incrivelmente bem depois que tivermos consciência de tudo isso.

Uma coisa eu posso garantir: ficaremos a cada dia mais leves e em paz. E tá ótimo. Não dá para reclamar, né? 😉

Interrompa o ciclo vicioso: agradeça e sinta algo belo em expansão dentro de você.

CRÔNICAS, VIDA

> Existe algo que só você pode fazer por você

09/10/2017

Existe algo que só você pode fazer por você: correr atrás dos seus sonhos.

O universo pode até conspirar a favor, um dia podemos nos considerar com sorte por acontecer determinada coisa e, ainda assim, uma hora você terá que usar suas próprias pernas para correr atrás do que você deseja. Aconteça o que acontecer. Com sinais ou sem sinais.

Quando falamos em sonhos, logo vem em nossa mente uma enxurrada de coisas mirabolantes: comprar uma casa, ter X filhos até tal idade, viajar pelo mundo e o tal do sucesso profissional seguido por “ser rico”. Não que todos estes sonhos sejam errados, mas aprendi a encarar meus sonhos de uma maneira diferente para não me afogar dentro deles mesmos.

Sempre fui do tipo que sonha. Sonha até demais. Sonhava até me esquecer um pouco do presente. Até perceber, quando adolescente, que isso não me levaria a lugar nenhum. Eu apenas seria uma pessoa sonhadora. Passei a ir atrás dos caminhos que a vida me levava, até sem um pouco de foco, entretanto, hoje vejo que precisei passar por tudo e de tudo para escrever essas breves palavras. Tudo por ter dado pequenos passos que muitas vezes eram tão inseguros – mas ainda eram passos.

Um dos meus maiores sonhos, como o de muitos, era conhecer o mundo. Pesquisar quanto isso iria me custar financeiramente, de tempo e ainda sincronizar com meus outros sonhos, não animava muito. Foi então que parei de me lamentar e passei a conhecer o mundo ao meu redor. Viajava para Santos, Praia grande, Itu com a família e amigos que se fosse qualquer outro lugar que eu precisasse de visto para ir. Sim, as coisas possuem o valor que depositamos nelas. Criei memórias, lembranças e boas histórias em diferentes lugares sem precisar de um passaporte. Até o dia em que consegui fazer minha primeira viagem de avião e gosto de pensar que isso aconteceu porque aprendi a amar e viajar pelo meu bairro e dentro de mim mesma primeiro.

A verdade é que a gente tem que começar de alguma forma e que a vida sempre sabe mais do que nós mesmos do que precisamos passar. Cabe a nós abraçar e vivenciar. Isso não quer dizer ser feliz e realizado sempre, mas aprender e evoluir com as circunstâncias.

Sei que parece que a vida tem um fluxo e um caminho pré-definido que todos devemos seguir, mas acredite, ela não tem. Por isso, se for para lutar, sonhar e correr atrás de algo, que seja puramente pelo o que você deseja. Hoje, me recuso aceitar que estamos neste mundo como meros e pacatos turistas da vida: fazemos check-in nos sonhos turísticos que todos querem que a gente faça, tiramos fotos e partimos para o próximo. Acredito que estamos aqui para aproveitar cada segundo, aprender, compartilhar o que foi bom, cuidar do mundo, de nós, de quem amamos e vivenciar o que acontece ao nosso redor.

A vida irá nos agraciar com pessoas e momentos que irão nos motivar, sim, mas ela também mandará situações para ver até onde você quer lutar.  Se você quer algo, comece agora. Comece com o que você tem. Se é mudar de trabalho, trace um plano, busque conhecimento e comemore as mínimas conquistas. Se é para viajar aprenda a valorizar cada dia, faça corte de gastos e saiba que tudo tem seu tempo. Se é para aumentar a família cuide da sua saúde emocional, espiritual, fortaleça seu corpo, trace metas em casal. Para fazer uma maratona, você precisa primeiro fazer 1km, depois o 2km e depois o 3km. Um passo de cada vez. Comemore cada quilômetro e quem dividiu cada metro com você.

Concretizar um sonho só tem graça se sabemos aproveitar todo o caminho que precisamos passar para alcançá-lo.

Assim como no amor, a vida não nos pede que sejamos sempre perfeitos e impecáveis, ela quer constância. Pequenos gestos e decisões diárias que nos farão seguir de alguma forma ou que apenas não nos deixarão desistir. Comece. É difícil e muitas vezes até fisicamente doloroso, mas um dia valerá apena ter escolhido começar. Ainda que a gente precise se reinventar um dia, a gente sempre precisa, valerá ter dado aquele pequeno e inseguro passo dia após dia.

Seja lá o que você sonha, é algo que só você pode fazer por você. E eu sei que você consegue.

Aceite isso.

CRÔNICAS, VIDA

> Um pouco de paz

11/09/2017

Semana passada eu decidi ter uma semana em paz. Ao contrário do que você pode imaginar isso não significa que fui à praia, deitei na rede e tomei água de coco. Vivi minha vida normal, só que com uma cabeça diferente.

Eu não sei se existe uma síndrome para isso, mas meus pais diziam que eu “queria ser adulta rápido demais”. Sempre fui muito focada, concentrada e se tenho algo pra fazer, eu não paro enquanto não terminar. Eu sempre tentei me virar e dar um jeito de ter o meu dinheiro desde muito nova. Fiz bijuteria, pintei telas, vendi roupas em salão de cabeleireiro: Eu queria inventar o meu mundo. Por consequência isso me deixou apressada demais para resolver, fazer e produzir.

Atualmente, estou MUITO LONGE de ser como era quando comecei a trabalhar. O tempo nos faz aprender muitas coisas. Dentre elas, aprendi a respirar, tomar um café demorado se preciso e sair para passear com os cachorros se não tem o que fazer com um problema e só me resta esperar. Porque estou contando tudo isso? Pois eu ainda assim vivia com um pézinho de guerra com a minha agenda. Ou melhor, com a minha cabeça.

Eu diria que eu sou uma pessoa focada e sou, mas sou até demais. Ao ponto de se estou digitando aqui, eu não respondo ninguém ao redor. Isso resultou em várias vezes me desdobrar para resolver coisas que poderiam ser feitas com mais tranquilidade ou até mesmo de aceitar que algumas vezes terei atrasos. Também faz parte.

Decidi fazer uma semana com mais calma e descobri que isso não tem segredo: Sentei, gravei e editei. Não me stressei com a sujeirada no quintal, a campainha que não parou de tocar, o vizinho gritando fazendo meu vídeo demorar mais que o normal para se terminado. Acordei ainda mais cedo para correr, aceitei falhar no almoço e comer um sanduíche, não bufei por ter que esperar 30 minutos para exportar um arquivo e não dormi me sentindo mal por não conseguir vencer e responder todas as mensagens que recebi. Deu problema? Vários, como sempre. Porém tentei parar para pensar que isso faz parte, acontece e só me resta resolver para continuar meu dia como estava previsto. Caso não fosse urgente, o problema que me esperasse. Me esforcei muito no primeiro dia. No segundo e terceiro passei a agradecer muito mais por não estar tão fora do meu eixo. O que me deixou mais forte para acredito que as coisas acabariam bem de alguma foram no outro dia, no outro e no outro…

Aprendi a me aceitar mais humana esta semana. Posso errar, esquecer de pendurar a roupa no varal sem sentir que abandonei a casa e parar para retribuir um abraço de quem eu amo no meio do trabalho. Esta semana percebi que temos na nossas mãos duas opções: solucionarmos um problema e deixá-lo ir ou fazer exatamente a mesma coisa reclamando e permitindo que a cabeça pese mil vezes mais.

Esta semana produzi mais do que o normal. Hoje já acordei exausta, mas com a cabeça mais tranquila de que fiz meu melhor e continuarei tentando fazer. Algumas coisas não consegui resolver, em compensação outras me surpreendi que foram possíveis de realizar e a vida segue.

A gente sempre tem uma escolha. Seja ela qual for, dará trabalho, mas uma delas pode nos fazer respirar fundo mais leves no final do dia.

Semana passada decidi optar por um pouco de paz de espírito.

Que vire rotina!

CRÔNICAS, VIDA

> A realidade é difícil de aceitar

15/08/2017

Eu nunca fiz força para ser uma coisa diferente. Nem imagino como seja isso.

Na verdade, por um longo período eu fiz de tudo para mostrar que pouco importa como estou por fora. Eu não queria que me vissem, mas que me enxergassem além dessa casca que chamamos de aparências. Como é difícil para o ser humano, né? Quase impossível.

Faz mais ou menos 4 anos e meio que tenho este blog. Apesar de receber muitas perguntas sobre como é lidar com a exposição, eu me sinto ok. Não mostramos, postamos ou contamos nada além do que nos deixa confortáveis e do que contaríamos por aí. Nos vídeos, fotos e registros Fabinho está quase sempre de chinelo e sem camisa e eu quase sempre de suéter e descabelada – ou de coque para concentrar todo o descabelamento em um ponto só. Assim seguimos vivendo a vida como temos que viver. Para a maioria das pessoas é fácil aceitar que este é o Fabinho e que ele tem a forma dele de ser no mundo. Já no meu caso, não parece ser tão normal assim.

É engraçado pensar o quanto uma mulher demonstra ser corajosa por aparecer sem maquiagem e o quanto a gente precisa se justificar porque a unha não está impecável, quando o look do dia é o mesmo de ontem ou quando resolvemos sim meter um batom vermelho pela manhã, só porque estamos afim.

Muita gente ainda não entendeu que mulher não é vitrine. Muita dessa gente, isso é triste, é mulher.

Estou eu, na minha casa, fazendo almoço e com a calça cheia de pêlos dos meus cachorros. A minha vida é rotineira e entediante para a maioria das pessoas, eu sei. Para mim já foi também. Trabalho diariamente para enxergar beleza da vida nos mínimos detalhes, sem precisar de muito, fico sozinha a maior parte do dia e sem esperar que algo mirabolante aconteça para que eu seja feliz. Aprendi a deixar a vida ser e, consequentemente, a me deixar ser.

Amo a liberdade de ser quem eu sou com a pessoa que eu amo e com meus amigos. Amo a leveza que o meu companheiro sente de simplesmente ser junto de mim – não ser do jeito que eu quero. Quer dizer, eu amo o que ele é, senão não teria graça. Isso é tudo que desejo para todas as pessoas. Isso é felicidade.

As pessoas postam e escrevem textos imensos de que a internet, o facebook e as redes sociais precisam de mais realidade, mas será que estas pessoas sabem aceitar e lidar com a realidade? Será que algo enfeitado e montado não atrai muito mais? As pessoas querem ver pessoas sendo como elas querem e seguindo o que dizem ser um padrão de felicidade, não sendo livres.

Pessoas reais não usam maquiagem, pessoas reais usam maquiagem quando querem e porque gostam, não porque dizem que elas precisam estar 100% do tempo perfeitas. Pessoas reais tem roupa rasgada, meia furada e roupa repetida. Pessoas reais compram uma roupa nova porque amaram, precisavam e usam uma roupa chiquérrima quando querem – até mesmo para ficar em casa.

Pessoas reais não perdem a oportunidade de viver a vida. Pessoas reais ficam suadas, saem de cabelo molhado, mexem na terra, levam marmita, lixam móveis, esfregam roupa no tanque, juntam dinheiro para um restaurante caro para fazer algo diferente, tem unha lascada e fazem quando o tempo ou a vontade permite.

Pessoas reais estão vivendo a vida delas, que pode muito bem ser diferente de tudo que descrevi acima. Pessoas reais estão buscando o equilíbrio em todas as áreas entre o que amam, precisam e sonham. Formando uma versão melhor a cada dia: e isso não é coisa que só se vê no espelho. Pessoas reais falam, gargalham, sentem vergonha, choram, gritam, silenciam quando necessário, ficam sozinhas com a netflix na sexta-feira e param no primeiro boteco de esquina sem conhecer ninguém se é isso que estão afim.

Pessoas reais possuem uma vida normal, além da que é compartilhada. E elas sabem que as outras pessoas também são assim. Afinal, quão profundo é o ser humano para caber em apenas um feed? Estas pessoas procuram o lado bom das coisas, aceitam o lado ruim e seguem vivendo um dia após o outro.

Pessoas reais aceitam a liberdade de ser e sonhar das outras pessoas.

Isso as selfies não mostram. Precisamos sentir. Precisamos SER mais.

“Somos só poeira estelar”.

CRÔNICAS, VIDA

> PARE E RESPIRE: Você provavelmente precisa

03/07/2017

A gente vive uma vida maluca, corrida e, como muitos dizem, “sem tempo até de respirar”.

Pior que isso, muita gente se orgulha de não ter tempo de ver um filme, ler um livro, beber uma cerveja com um amigo, fazer ao menos uma refeição com a família, cozinhar sua comida e de fazer alguma atividade física. Infelizmente, muita gente caiu no conto da sociedade moderna de que, se você não tem tempo, você é alguém muito importante. Alguém que tem mais o que fazer da vida do que ficar à toa.

Mas, nós também precisamos muito fica à toa.

Comecei a trabalhar com 15 para 16 anos e eu estava nessa lista de pessoas que se deixaram consumir pelos excessos: muito trabalho, muitas compras online, comer muito fora de casa e fazer muitas coisas que não me acrescentavam nada para ser -mais- humano. Felizmente, sempre fiz questão de deixar um tempo para ler um livro ou fazer um curso por diversão, mas foi apenas quando casei que pude perceber que a vida é bem mais do que tudo isso. A vida é agora. A gente cresce pensando que ela pode esperar.

Eu vivia pensando que eu iria desacelerar minha carreira quando aposentasse. O medo da instabilidade financeira, a concorrência e todos os dramas que passamos profissionalmente me atormentavam muito diariamente. Então ocupava os meus dias com tudo que eu podia: ficar parada e não produzir alguma coisa era perda de tempo na vida.

Um dia nas minhas férias eu estava sentada em uma praça durante a semana quando vi um casal brincando com o filho. Comecei a me questionar como a pessoa estava em um dia da semana ali vivendo aqueles bons momentos. Claro, eles poderiam estar de férias também, mas não parecia ser o caso pois estavam de roupas “corporativas”. Percebi que estava fazendo o questionamento errado. A questão não era com o que eles trabalhavam, mas pelo o que eles viviam. Essa era a prioridade deles.

Sempre fui uma pessoa que deu tudo de sí em tudo que faz e, isso não é um problema. Mas para isso, sacrifiquei e esqueci da pessoa que precisava estar bem para fazer tudo isso: eu mesma.

A verdade é que a vida é formada da nossas escolhas. A nossa carreira e decisões profissionais são importantes com toda certeza, mas não podemos viver a vida toda deixando nosso coração, corpo, alma e quem amamos no banco de reservas esperando a hora em que tudo irá se resolver para termos tempo. Nada nunca vai estar completamente resolvido.

Passei a colocar pequenos intervalos no trabalho para fazer um lanche com calma, passear com os cachorros, ir ao mercado, ligar para os meus pais, para espairecer a mente. Depois DETERMINEI separar 30 minutos do dia para me exercitar de alguma forma. No começo eu me sentia culpada e mal por deixar um email 1 hora sem ser respondido. Infelizmente pensamos ser máquinas, quando na verdade somos bem mais complexos e profundos. Somos de carne e osso.

Foram poucas semanas para começar a me sentir bem e ver resultado na minha vida. Eu estava mais disposta, melhor comigo mesma, com a cabeça mais leve e com melhor jogo de cintura para resolver os pepinos diários. Eu me sentia conectada e bem comigo, construindo dias mais equilibrados, por mais duros que ainda fossem de viver.

A vida é formada das nossas escolhas. Volto a dizer. Existirão momentos em que precisaremos fazer plantão de domingo, dedicar mais aos estudos e um pouco menos ao barzinho. Dias em que a corrida terá 20 minutos e não 40 minutos e que teremos que levantar 1 hora mais cedo se quisermos manter a casa em ordem, cuidar das plantas, ter um cachorro e chegar cedo no trabalho. SIM. O equilíbrio é base de tudo. Há tempo parar correr, acelerar, desacelerar e parar para retomar. Mas, sempre é tempo de cuidar da sua mente e construir quem você quer ser para você e contribuir para o mundo.

O equilíbrio é um trabalho diário e que precisamos estar sempre dispostos a nos reorganizar e adaptar as fases da vida. O que é fundamental é ter a consciência de que não somos máquinas, no máximo precisamos ter muita disposição para rebolar e alcançar o que sonhamos e nos sentimos bem. Podemos viver a vida com pequenas pausas, com mais sorrisos, com menos peso e com mais vontade para lutar pelo o que sonhamos. Nunca seremos 100% em tudo, mas prezaremos mais pela nossa saúde física, mental, pessoal e espiritual.

A vida nunca será um conto de fadas impecável e sempre feliz, ainda assim, você pode escolher pelo o que quer viver e como deseja deixar a sua marca no mundo para com as pessoas ao seu redor dia a dia. Este texto não é sobre larga tudo, mas sim sobre reaprenderemos a tomar um café mais devagar, não nos sentirmos culpados por tirar 30 minutos para caminhar e a olhar para o céu para agradecer por podermos escolher o que comprar no mercado. A vida não pode ser automática.

A gente vive um vida maluca e corrida, é bem verdade, mas, hoje, FAZEMOS QUESTÃO de encontrar tempo de respirar.

Você, provavelmente, também precisa.

CRÔNICAS, VIDA

> Continue a sonhar…

05/06/2017

Um dia uma professora de literatura tomou da minha mão um caderno em que eu escrevia. Eu contava que aquilo uma hora iria acontecer, afinal eu vivia com ele colado em mim. Eu diria que aquele caderno grande e de capa dura, era quase uma extensão dos meus confusos e intensos pensamentos. Eu passava aulas e aulas escrevendo, olhando ou batucando a caneta nele. Não era por mal: eu estava apenas escalando dentro de mim.

Aquela professora de literatura era alta, com cabelo curtinho e tinha uma voz forte e grave. Ela era do tipo que fazia todo mundo gostar da matéria dela, devido a paixão que transmitia em cada frase que recitava. Ela era exigente e, por muitas vezes, brava. Portanto eu sabia que estava ferrada. No final da aula ela me chamou, esperou todos saírem para o intervalo, me entregou o caderno com um sorriso no rosto e mantendo todos dentes visíveis, disse:
– continue escrevendo.

Eu não tinha muito o que dizer. Ninguém nunca tinha aberto aquele caderno além de mim, por isso estava um pouco envergonhada. Abracei o meu caderno, fui até a minha mesa, agachei e o coloquei no bolso mais escondido da minha mochila. Ajustei meu agasalho no corpo, acenei com a cabeça e sai apenas escutando o som dos meus pés no piso de madeira. Nós duas nos entendemos naquele silêncio. Eu continuaria a escalar e ela me ajudaria a criar asas.

Por anos mostrei meus pequenos versos para ela. Ela sorria, me entregava e sempre dizia firme, “continue”. Ela não fazia nenhuma marcação de caneta vermelha e nem colocava uma nota no canto direito do papel. Continuei a escrever, mas com o tempo passou a ficar mais difícil. Eram verbos, conjugações, acentos, pontos e vírgulas para me preocupar. Resolvi um dia perguntar para ela sobre uma dúvida em um texto e ela bateu a capa do caderno, como se fosse uma gaveta antiga, com força e apenas me disse: continue.

Um dia ela leu e não sorrio. Pensei ter escrito besteira, mas pude ver uma lágrima que ela não fez questão de enxugar, presa no cantinho dos olhos. Peguei meu caderno, não disse nada e caminhei em direção a saída. Antes de passar pela porta, ela disse:
– continue com o coração.

Naquela idade eu não entendia bem o que aquilo poderia significar. Achei que era mais uma das maluquices da cabeça dela. Anos depois, eu colecionava cadernos e arquivos .txt no computador sem nunca mostrar para ninguém. Até que chegou o dia em que a pessoa que eu estava envolvida, leu um texto que eu tinha deixado aberto no computador e me disse:
– caramba, você assassina o português. Dei uma risada alta, forçada e respondi com ar de indignação:
– isso aí? não é nada. Nem deveria estar aí.

Com dor no coração eu coloquei as mãos no mouse e deletei o arquivo na frente dele. Eu estava errada e sabia. Aquilo era sim alguma coisa. Era algo que meu coração, com palavras tortas e erradas, tentava dizer. Nunca mais escrevi. Bem tonta.

Depois disso tive 3 blogs onde eu atualizava e uma semana depois apagava. Não compartilhava com ninguém e torcia para que ninguém lesse. Um tempo depois, me vi sozinha e escrever virou minha melhor companhia. Comecei a tentar estudar, ler, me informar e passei a me importar em concretizar. Eu me ouvia, criava, escrevia, fotografava e pintava. Fazia o que sentia que gostaria de fazer abraçando todas as imperfeições.

Um dia conheci alguém que se tornou meu grande amigo em poucos minutos de conversa. Ele viu uma foto e leu um texto meu e olhando nos meus olhos, me disse:

– você deveria considerar trabalhar com isso. Ri na cara dele. Falei que nunca ninguém entenderia minha cabeça confusa e, ele ainda olhando para o texto, continuou:
– ainda que alguém irá revisar para você futuramente, podemos melhorar tudo isso juntos com o tempo. Mas continue.

Continuamos até hoje amigos e me tornei esposa dele. Também continuo até hoje assassinando o português, errando regras de fotografia e falando de maneira confusa muitas vezes. Não me orgulho. Leio, me informo, releio, pesquiso: merdas passam, a essência fica. Decidi que não iria mais virar um entulho de sonhos por medo de errar ou por tentar sempre acertar em tudo. Com tudo. Com todos.

Hoje não sou expert em nada, somente em falar e dar ouvidos ao coração. Em resposta leio mensagens e recados que me fazem dormir em paz, pois mais do que ganhar o prêmio da língua portuguesa ou um troféu na fotografia, consegui tocar um coração ou causar uma reflexão sobre a vida.

Continue. Com o que você tem, com o que pode, com o que sente, com a sua verdade. A gente aprende. Continue.

Se não tem aquilo, vai com isso. Se falta outra coisa, teste e valorize a que tem.
Só não desista do que te faz bem e traz paz. Alguém precisará cruzar com isso no caminho da vida e ficará com o que é bom e é essencial.

Você já sabe o que eu vou dizer agora, mas repito quantas vezes forem precisas, pois repetiram e repito todos os dias para mim…

Continue. Continue com o coração.

CRÔNICAS, VIDA

> Nem todos os dias são fáceis

09/05/2017

Nem todos os dias são fáceis. Pouca gente fala, mas todos sabemos disso.

De alguma maneira parece que em alguns dias acordamos com toda energia, fé e vontade para fazer tudo que sonhamos acontecer. Em alguns dias acreditar e confiar é quase rotineiro e espontâneo. Em dias assim, não importa o que deu errado ou certo: O dia será bom. Ainda que não seja, o dia será bom e não precisamos sequer dizer para nós mesmos isso.

Por outro lado, existem dias em que o peito aperta, a cabeça não dá trégua e confiar no tempo é uma tentativa quase em vão. Dias em que não importa que tudo esteja bem: Não conseguimos ver isso e muito menos, agradecer. Nestes dias, não importa qual frase positiva se repita. Não é fácil se convencer do que não conseguimos acreditar.

Torcer para um dia passar rápido soa triste. Afinal, se pararmos para pensar, viver a vida é um presente e uma chance única que temos para administrar em nosso tempo. Sim, você deve ter pensado que há dias que é difícil lidar até mesmo com isso. E é verdade.

Muitas vezes a expectativa ou a ansiedade atrapalham nosso coração de enxergar que as coisas nem sempre dão certo no momento agora. Muitas vezes a vida irá no surpreender no futuro e, para isso acontecer, é necessário tudo que precisamos passar no passado e no presente. Então, os dias não tão fáceis existem, não para que passam logo, mas para aprendermos algo.

Existem dias em que vivemos pouco e sobrevivemos muito. Hoje, estou aqui para lembrar que dias assim passam. Assim como os dias eufóricos de felicidade. A vida é uma balança que precisamos estar dispostos a nos equilibrar e a desvendar.

Este texto é apenas para lembrar que nem todos os dias são fáceis, mas nem todos também serão difíceis assim. O seu pode ser hoje, de alguém ontem e o meu amanhã. A vida é um presente surpresa. Esteja pronto para aceitar e desembalar. Um dia, um pacote, um desafio e um mundo por vez.

Nem todos os dias são fáceis. A gente aguenta. A gente aprende.