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CRÔNICAS

CRÔNICAS, VIDA

> O que é pra ser, vai ser.

19/12/2016

“O que é pra ser, vai ser”, parece tão óbvio, tão simples, mas, claro, não é.

A gente cresce ouvindo uma lista gigantesca de desculpas esfarrapadas do porquê as coisas não deram certo para gente. Porquê o time não ganhou, não foi convidada para a festa, o dia não foi bom, o sonho não deu certo neste ano. A única verdade e que é dura de aceitar é: não deu certo, porque não deu.

Da mesma forma que “o que é pra ser, vai ser”, o que não é, não vai ser.

Essa frase na negativa, não soa tão bela quanto a famosa no título. É óbvio. A gente só quer pensar no que pode dar certo, no que irá sair tin-tin por tin-tin de como sonhamos e imaginamos que nos fará bem. Quando deveríamos no preparar para pensar e aceitar que as coisas irão dar errado. Não uma, ou duas, mas algumas vezes na vida. Não dar certo nem sempre é sinal de que deu errado.

Não importa se você guardou o seu sonho a sete chaves em um diário, se contou pra meio mundo, se nunca nem o escreveu em um papel de guardanapo, se comentou com a fofoqueira das amigas. Se for pra ser, vai ser. MAS, é bom saber: se não for, não vai ser. A gente aponta que a culpa foi do olho gordo, da fé que colocamos demais ou do medo que surgiu. Por que parece ser tão difícil aceitar que não foi a hora certa?

Aceitar quando as coisas não acontecem como a gente quer é dar um peso mais leve para o nosso mundo. Carregar uma mala mais compacta e sem excessos para viver. É desejar que a vida aconteça e, que talvez, se molde em como sonhamos e desenhamos em nossos sonhos. A gente nem sempre sabe o que é melhor pra nós. É triste lidar com isso. A gente sabe o que é bom agora, olhando para frente. Contar com o tempo das coisas é aceitar uma visão de andares mais altos do que podemos enxergar. Um plano.

Queria que tudo acontecesse como imagino? É claro. Algumas vão. Outras a vida irá ensinar que eu estava bem enganada sobre a felicidade, outras irá surpreender ou esfregar na nossa cara que foi muito melhor assim. Pode não ser hoje, amanhã, ano que vem ou no próximo ano bissexto. Em algum momento vai.

Corre, luta, estuda, treina, aprimore, sonhe, planeje, invente, crie, faça contas, invista. Se for pra ser, vai ser. Senão for, resta aprender e agradecer. Não arranja culpa ou desculpa. Algo foi preciso levar disso.

As coisas nem sempre dão certo, infelizmente, mas quando dão são inesquecíveis e incríveis. Acredite. Quanto ao tempo e o que a vida acha melhor para cada um, não há o que fazer. Aceite. Faz parte – ou não faz. Vai saber.

CRÔNICAS, VIDA

> Dezembro é para quem tem coragem

13/12/2016

Dezembro são muitas vidas em um mês.

É a mistura de ansiedade, calma e silêncio com a vontade de apertar um botão para pular de fase para o ano seguinte que está por vir. Dezembro pra mim sempre foi assim. Seja a vontade de ir logo para a festa de natal com a família, para a tão esperada viagem de final de ano ou apenas trocar logo de roupa, ar e colocar um novo calendário em cima da mesa. Por mais rápido que a gente tente, dezembro tem passos lentos do cansaço acumulado de viver.

Dezembro é quase como um salto. Aquele último impulso que a gente dá para tentar ir além mesmo exausto. A força que a gente tira de onde não tem, só para continuar vivendo. E continua.

Dezembro tem gosto forte de saudade. Aquela que nos faz sorrir sozinhos em qualquer hora ou lugar e que aperta o peito entre um gole e outro de café no começo do dia. É em dezembro que sabemos onde a nossa paz está, pois queremos o quanto antes voltar.

A gente corre. Faz tudo e não faz nada. Tenta dar check na lista que não tem fim e aceita o que não vai dar pra resolver. Faz parte. Dezembro é agridoce. É quando entendemos o limite de até onde podemos ir e percebemos que conseguimos ir além. É lidar com nossos piores monstros e medos aflorados, sonhos difíceis de racionalizar e o peso do que não pudemos ainda realizar. Fica para o ano que vem, tudo bem.

Dezembro é o impulso. A balança dos trezentos e tantos dias que buscamos dar o melhor. A gente pensa nos erros, acertos, sorri com os momentos mais simples e chora calado com o que a vida teve que levar. Dezembro é para quem quer compreender. O que aconteceu consigo mesmo e ao redor. Mergulhar na incerteza e na chance de descobrir um pouco mais. Dezembro é pra quem tem coragem de continuar. Com palavras diferentes, regras novas, o armagedom particular e páginas vazias. Por mais difícil que possa parecer. Dezembro é o clima de final de ano, de um ciclo, de uma batalha. O fim de apenas mais um dia. É o começo.

Dezembro vai durar o quanto tiver que ser. Estranho é esperar por janeiro para acreditar, retomar e sonhar o que quiser.

Dezembro é pra quem tem um réveillon a cada novo dia em que viver.

 

CRÔNICAS, VIDA

> O que esperam e querem que você seja, não é problema teu

21/11/2016

Não me importo de usar sempre a mesma rasteirinha e não ligo que meu namorado só fica sem camisa. Não me importo se meu look do dia, não é sempre um look do dia. Eu agradeço por poder escolher o que vestir, pode ser um moletom ou vestido longo: os registro com a mesma alegria.

Não me importo se meu cabelo não me obedece, se a unha do dedão sempre lasca primeiro. Não me importo em não fazer tudo com perfeição. Se consegui dar o meu melhor, tudo bem. Não me importo de demorar mais que o “normal” para terminar algum projeto e de não saber todas as respostas. Como a gente se engana – ninguém sabe.

Não me importo quando a cara está amassada, inchada e se ela resolve ficar de boa, tá de boa. Não me importo com os dias chuvosos, não estar feliz todos os dias, usar a mesma camiseta cinza repetidas vezes e de demorar mais que o normal para conseguir explicar um raciocínio simples. Faz parte.. do que eu sou. Não me importo e não aviso se estou sem ou com algo no rosto, pois não vejo só isso em alguém. Eu vejo o que as pessoas têm a dizer e a me ensinar. Se isso está fora de moda? Espero que algum dia volte.

Não me importo de não saber tudo sobre todos os assuntos, não ser das mais sábias e de ter vergonha quando acabo de conhecer alguém. Não me importo se gaguejo em público, se invento palavras, sinto medo de ousar ou se errei a mão no blush. Não me importo se o que esperam de mim seja a perfeição ou qualquer outra coisa que seja diferente do que o que carrego no furacão ou na maré mansa dentro de mim. Com tanto que as pessoas sejam de verdade, eu não ligo. Eu espero que continuem assim. O que esperam e querem que você seja, não é problema teu.

Um dia, quem sabe, acordaremos em um mundo que se importe com o que verdadeiramente importa. Em ser humano.

Ah, isso, eu me importo.

Não deixe passar a vida sem viver quem você é.

CRÔNICAS, VIDA

> A tal da felicidade

15/11/2016

Todo mundo quer ser feliz. É óbvio. Quem não quer uma vida tranquila, mansa e serena? Todo mundo. Tão desejada quanto a felicidade é, entra disparado neste ranking, a busca incessante por ela. Revistas, jornais, portais, fotos, redes sociais, vão te dizer o que fazer. A gente lê e ri, outros levamos a sério 60%, alguns arriscamos testar, com outros damos uma chance, mas não contamos pra ninguém.

A verdade é que na busca para a felicidade não existe certo e não existe errado. Existe a busca interna de cada um – mas ela tem que ser interna.

Para alguns a felicidade está em um carro novo na garagem, para outros apenas um tapete que diz bom dia na porta já ajuda. Para uns é ter um pão com manteiga no café da manhã, para outros é alcançar uma carreira estável na empresa X. Aí, está a raiz do problema: Estes são nossos sonhos, a felicidade é outra coisa.

Independente dos sonhos e do que fazemos, existe a felicidade que a vida quer nos ensinar a enxergar. Tomei a liberdade de apelidá-la de felicidade mínima. Aquela que no dia-a-dia esbarramos e deixamos passar. A felicidade que passamos a vida inteira sem notar. É ela.

A felicidade sustentável.

O estado interior que não depende do clima, altos e baixos da vida, do seu humor ou do quê você quiser colocar aqui. Ela é silenciosa, como a paz que sentimos ao abrigar um bebê ou o sorriso calado ao ver quem amamos. A felicidade que é plena inclusive quando estamos tristes. Não por ter a resposta ou segurança de tudo, mas de acreditar que a única certeza que precisamos ter é que tudo irá se ajeitar: mesmo em meio a dor. Felicidade que sabe que não há problema em ter problema. Sabe esperar, sabe se sentir bem e vivo na vida que tem.

A felicidade é uma questão de observar: A vida, ao nosso redor, o mundo e outro alguém.

A felicidade mínima é esta que fica escondida por entre o dia a dia e na rotina corrida. É o sustento para uma vida em paz. Assim como respiramos involuntariamente a cada segundo, sempre há tempo de a encontrar. A felicidade genuína: Sem peso, sem pressa e sem manual de instruções.

Apenas um passo de cada vez e involuntariamente, agradecemos a vida, por viver.

CRÔNICAS, VIDA

> VÁ COM MEDO MESMO

03/11/2016

E a coragem? Ah, ela vem…

Existem fases na vida em que é difícil tomar algumas decisões. Mas, se pararmos para pensar, enfrentamos isso durante todo o caminho: escola, curso, faculdade, trabalho, estilo, saúde, relacionamento. Tudo precisa do nosso selo de “certo, é isso mesmo que eu quero”. Seria lindo se a equação fosse resolvida simples assim. Pronto, tá aí o selo e a vida segue felizinha.

Afinal, e quando o único selo que existe é o “não sei se é isso que eu quero”? Ou o mais sofrível “não sei se é isso que eu quero, mas me disseram pra ir”. Quando a única coisa que nos resta são dúvidas, medos, arrependimentos e desilusões? Vá assim mesmo.

Vivemos pensando que a nossa geração X e Y fosse a mais perdida. A geração que mais quer, quer e quer, até conquista, mas não se contenta com o que realizou e segue de galho em galho com o peito vazio. Comparando- nos com a geração dos meus pais, como se fosse a mais bem vivida, sem tantos medos e aflições. O fato é que não cabe generalizar, somos humanos. É preciso um meio-termo entre elas: do prazer, de viver e da realização. Foi conversando com uma pessoa da geração passada que escutei: Vá com calma. Não há porque ter tanta pressa assim para resolver tudo. Aproveite o caminho.

Arrisco dizer que este selo de confiança nunca existiu. Não de forma fixa: a gente muda toda hora. Não é preciso ter certeza ou confiança de tudo. Ás vezes, na maioria das vezes, o que a vida quer da gente é coragem: de tomar um próximo passo, planejar, ir além, desacelerar, sonhar, plantar para colher. Nem tudo é a curto prazo quanto a nossa vontade de realizar. É preciso calma, vontade e insistência: Nunca desista do que você sonha. Seja paciente, enxergue as fases, respeite o tempo, procure ajuda e se divirta o quanto puder. O caminho tem a mesma corda bamba pra todo mundo. Você não foi sorteado.

Aproveite o caminho. Viver é um risco.

Benditos sejam os corajosos que seguem a vida, sem ou com medo, mas nunca perdem a intensidade e vigor no trajeto. Encontre um boa janelinha pra sentar, sentir e apreciar o frio na barriga: Essa é a graça da vida.

Está com medo? Vá com medo mesmo!

AMOR, CRÔNICAS

> Amar é nem mais e nem menos

18/10/2016

Amar é seguir uma lógica diferente.

É abrir espaço no coração, na agenda, no encontro na semana e para a vida ganhar um novo enredo. É conhecer, desvendar e se entreter com o simples fato de ser junto com alguém e, isso render boas risadas. Amar é juntar. Os pedaços remendados do coração, os sonhos, planos perfeitos ou furados e, quando a vida colaborar, arranjar um novo endereço para dois. Amar é multiplicar. Lotar os armários, colocar meias na mesma gaveta e sair com pé de um e o pé do outro, sem se importar. Amar é dividir. A mesma máquina de lavar, contas para pagar e o restinho do almoço no jantar. Amar é somar. Tupperwares de todo tipo na despensa, ter uma xícara de café na mesa a mais e trazer grandes novos amigos para o bar. Amar é contribuir. Para que o café do outro não amargue e, na medida do possível, garantir que o fim do dia seja paz. Amar é torcer. Para que o quarto não tenha goteira, o freela não caia bem no final de semana e que as pizzas no domingo chuvoso não atrasem.

Amar é deixar livre para escolher estar.

Como uma amizade de infância, sem contrato ou supervisão, apenas sonhos para o futuro e uma admiração de outro mundo a cada dia. Amar é uma chance. Para conseguir domar o tom da nossa voz, aprender a entender os motivos de alguém e confiar, por simplesmente confiar. Amar é saber. Quanto adoçar do café, sorrir quando ver no cardápio a sobremesa preferida do outro e notar quando uma lágrima silenciosa começa a se formar. Amar é não saber. Como agir, contar uma notícia ruim sem magoar e de onde tirar forças para travar a vida, mas continuar.

Amar é adorar a rotina, afinal você a divide com alguém que mais curte no mundo.

Com uma parceria que sabe os teus filmes preferidos, quando você quer estar só sem dizer uma palavra ou quer um gole de vinho para salvar. Amar é aceitar. Que os encontros agora são conversas sem fim no sofá, no sábado o traje de gala é aquele moletom surrado e domingo é dia de força tarefa para faxinar. Amar é ver a vida com outro olhar, novos planos, sentidos e com uma lógica diferente para cada dia. Nem melhor, nem pior.

Amar é fazer alguém se sentir mais confortável de ser quem é para o mundo.

É arrancar o melhor que podemos ser trabalhando com o tempo das coisas e as presepadas que começarem a surgir. Amar é completar. Frases do outro, contar uma história no mesmo ritmo e pegar os mesmos trejeitos que a gente não aguentava mais lidar e, que, agora faz parte de você. Amar é ser amigo. A mistura da pessoa mais legal do mundo com a que mais pega no nosso pé, quem dá um nó na cabeça de nervoso é a mesma que arranca um sorriso besta no meio do dia. Amar é deixar ir. Para onde quer, com quem quiser, rir, divertir e esperar ansioso para voltar, contar e sorrir com o riso do outro mesmo longe. Amar é tolerar. O que é novo, diferente e não ter medo de lidar com o desconhecido de alguém. Amar é compreender. Quando o outro não atende o celular, diz que não tá afim de fazer nada e muda os livros da casa de lugar. Amar é se reequilibrar. Em novos tons e melodias de outro coração.

Amar é ter tudo em um verbo só e, ainda assim, manter a leveza de ser. E só.

Amar é quando dá gosto de viver a vida ao lado de alguém. Nem mais, nem menos.

CRÔNICAS, VIDA

> O tempo da vida para você

27/09/2016

Existe uma coisa importante a se considerar sobre a vida: ela tem o tempo dela para cada um.

Não são todos os que nascem e já sabem o que querem ser quando crescer. Alguns descobrem no colégio, outros mudam depois de começar 1 ano da faculdade, outros terminam a faculdade e ainda estão de ponta cabeça e outros irão se transformar a vida inteira. Destes, não existe quem seja o melhor.

Alguns precisam sentir a água batendo na bunda para tomar atitude, outros sabem lidar com a estabilidade e desejam ela. Uns adoram a vida de 8 horas trabalhando e sorriem ao ver a carteira assinada, outros querem um escritório diferente todos os dias. Algumas pessoas sonham com ter uma família e conhecer o amor incondicional da sua vida. Outras não querem e conhecerão esse mesmo amor de outras formas. Algumas pessoas falam, gritam, dançam, passeiam, desbravam. Outras são na delas, falam quando se sentem confortáveis, dançam sozinhas no quarto e preferem o que já conhecem e dominam bem. Algumas pessoas fazem questão de compartilhar a vida, o que gostam, amam e o que as fazem bem. Outras, simplesmente, não querem. Cada um é um universo e a vida trabalha colorindo de forma particular. Sem nem cogitar comparar.

Existe o tempo da vida e o tempo das coisas para cada um. Talvez o que a vida não contava é que em meio disso tudo, do ótimo plano dela, surgiria a internet. Onde o que na vida foi construído em anos e dias de dedicação, resume- se em um único segundo compartilhado. O trabalhado da vida é comparado, julgado, elogiado ou, até mesmo, desestimulado. A internet trabalha agitada, ansiosa e com a cobrança constante do postar, postar e postar. Quando a vida trabalha com carinho, respeito e a liberdade de dar tempo para quem precisa de mais segundos para recuperar o fôlego e respirar. Não preciso nem dizer em quem devemos confiar, não é? Só que ás vezes esses dois tempos se confundem. Busca-se viver o tempo que é postado. Deseja-se compartilhar logo o que foi sonhado e o que deseja ser realizado. Mas, a vida não é assim.

Na verdade, existe mais de uma coisa importante a se considerar sobre a vida: A vida não se importa com o tempo da internet ou das outras vidas ao redor. A vida tem o tempo dela e é preciso respeitar. Ou melhor, é preciso aprender a curtir cada segundo, sem precisar imaginar cenários. Nem apressar ou atrasar. Apenas seguir.

A vida sabe mais do que nós mesmos e da tecnologia, só cabe a nós confiar.