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CRÔNICAS

CRÔNICAS, VIDA

> Existe algo que só você pode fazer por você

09/10/2017

Existe algo que só você pode fazer por você: correr atrás dos seus sonhos.

O universo pode até conspirar a favor, um dia podemos nos considerar com sorte por acontecer determinada coisa e, ainda assim, uma hora você terá que usar suas próprias pernas para correr atrás do que você deseja. Aconteça o que acontecer. Com sinais ou sem sinais.

Quando falamos em sonhos, logo vem em nossa mente uma enxurrada de coisas mirabolantes: comprar uma casa, ter X filhos até tal idade, viajar pelo mundo e o tal do sucesso profissional seguido por “ser rico”. Não que todos estes sonhos sejam errados, mas aprendi a encarar meus sonhos de uma maneira diferente para não me afogar dentro deles mesmos.

Sempre fui do tipo que sonha. Sonha até demais. Sonhava até me esquecer um pouco do presente. Até perceber, quando adolescente, que isso não me levaria a lugar nenhum. Eu apenas seria uma pessoa sonhadora. Passei a ir atrás dos caminhos que a vida me levava, até sem um pouco de foco, entretanto, hoje vejo que precisei passar por tudo e de tudo para escrever essas breves palavras. Tudo por ter dado pequenos passos que muitas vezes eram tão inseguros – mas ainda eram passos.

Um dos meus maiores sonhos, como o de muitos, era conhecer o mundo. Pesquisar quanto isso iria me custar financeiramente, de tempo e ainda sincronizar com meus outros sonhos, não animava muito. Foi então que parei de me lamentar e passei a conhecer o mundo ao meu redor. Viajava para Santos, Praia grande, Itu com a família e amigos que se fosse qualquer outro lugar que eu precisasse de visto para ir. Sim, as coisas possuem o valor que depositamos nelas. Criei memórias, lembranças e boas histórias em diferentes lugares sem precisar de um passaporte. Até o dia em que consegui fazer minha primeira viagem de avião e gosto de pensar que isso aconteceu porque aprendi a amar e viajar pelo meu bairro e dentro de mim mesma primeiro.

A verdade é que a gente tem que começar de alguma forma e que a vida sempre sabe mais do que nós mesmos do que precisamos passar. Cabe a nós abraçar e vivenciar. Isso não quer dizer ser feliz e realizado sempre, mas aprender e evoluir com as circunstâncias.

Sei que parece que a vida tem um fluxo e um caminho pré-definido que todos devemos seguir, mas acredite, ela não tem. Por isso, se for para lutar, sonhar e correr atrás de algo, que seja puramente pelo o que você deseja. Hoje, me recuso aceitar que estamos neste mundo como meros e pacatos turistas da vida: fazemos check-in nos sonhos turísticos que todos querem que a gente faça, tiramos fotos e partimos para o próximo. Acredito que estamos aqui para aproveitar cada segundo, aprender, compartilhar o que foi bom, cuidar do mundo, de nós, de quem amamos e vivenciar o que acontece ao nosso redor.

A vida irá nos agraciar com pessoas e momentos que irão nos motivar, sim, mas ela também mandará situações para ver até onde você quer lutar.  Se você quer algo, comece agora. Comece com o que você tem. Se é mudar de trabalho, trace um plano, busque conhecimento e comemore as mínimas conquistas. Se é para viajar aprenda a valorizar cada dia, faça corte de gastos e saiba que tudo tem seu tempo. Se é para aumentar a família cuide da sua saúde emocional, espiritual, fortaleça seu corpo, trace metas em casal. Para fazer uma maratona, você precisa primeiro fazer 1km, depois o 2km e depois o 3km. Um passo de cada vez. Comemore cada quilômetro e quem dividiu cada metro com você.

Concretizar um sonho só tem graça se sabemos aproveitar todo o caminho que precisamos passar para alcançá-lo.

Assim como no amor, a vida não nos pede que sejamos sempre perfeitos e impecáveis, ela quer constância. Pequenos gestos e decisões diárias que nos farão seguir de alguma forma ou que apenas não nos deixarão desistir. Comece. É difícil e muitas vezes até fisicamente doloroso, mas um dia valerá apena ter escolhido começar. Ainda que a gente precise se reinventar um dia, a gente sempre precisa, valerá ter dado aquele pequeno e inseguro passo dia após dia.

Seja lá o que você sonha, é algo que só você pode fazer por você. E eu sei que você consegue.

Aceite isso.

Corrida, CRÔNICAS

> Valorize quem corre a vida com você

25/09/2017

Esses 42km tiveram um gosto diferente. Sabe quando você sorri quando fala sobre alguém? Então.

Domingo foi dia de corrida. Dia de corrida é sempre mais feliz. Quer dizer..

A gente passa a semana contando os dias, diminui musculação, fica atento na alimentação, cuida da hidratação, para o trabalho pra buscar kit, dorme cedo pra acordar as 5 da manhã. Só que nesse domingo de corrida, diferente de todos os outros, eu não fui sozinha. Alguns meses atrás no inscrevemos para participar de uma maratona de revezamento entre 4 participantes, no meu caso, 4 amigos para cada um correr 10.5km. No total, uma maratona.

Minha primeira prova foi uma meia maratona e a segunda prova uma maratona, ou seja, essa seria a primeira prova em que eu terminaria em menos de 1 hora. O frio na barriga é o mesmo, ansiedade e animação nem se fala.

Encontramos todo mundo e fomos. O dia estava perfeito: nem frio, nem sol e ainda tinha um ventinho gelado mesmo depois quando o sol resolveu dar um pouco as caras. Muitos grupos, pessoas de todas as idades e energia maravilhosa de sempre. Todo mundo em um só lugar buscando algum tipo de superação. Fui pronta para me divertir, rir e torcer. Afinal, corrida é sobre isso.

Cada dia que passa percebo como corrida é muito mais sobre a vida, do que sobre correr. Aprendi a cuidar da minha mente e saber o poder que ela tem sobre o que irá acontecer. Aprendi a esperar, a ir, acelerar, voltar, não parar e reduzir quando for preciso. Aprendi a agradecer a companhia das pessoas que desdobram as agendas para dividir alguns quilômetros comigo, nem que seja só uma vez por mês. Cada corrida é uma sensação especial e diferente assim como cada dia da vida. A gente pode se preparar ao máximo, mas não sabe o que pode acontecer. Foi correndo que aprendi a me preparar para qualquer resultado, bons ou ruins, mas independente deles, continuar correndo.

Terminei meus 10k em 54:34, mas já fiz treinos melhores. Gostaria muito de ter baixado mais o meu tempo, mas por pouco treino em subida, considerei um bom resultado. Minha amiga fez sua distância mais longa, a outra estava cansada e gripada e não deixou de ir mesmo assim e meu amigo manteve um baita pace mesmo com sol e elevações. Comemoramos, nos encontramos, rimos, falamos nas próximas metas, brincamos, comemos e comemos. Terminamos o dia com uma boa xícara de café.

Existe algo mágico na corrida: a gente é feliz pelo outro as vezes até mesmo sem conhecer. A gente enxerga as nossas limitações, as dificuldades das outras pessoas e une forças para conseguir descobrir correndo que podemos ir e chegar onde a gente quiser.

Nos meus primeiros 42.195km, não corri sozinha, fui com eles no coração. Dessa vez, fomos lado a lado e foi tudo mais leve. Como sempre é. Ontem corri ao lado das pessoas que nunca me deixaram desistir: dos meus sonhos, da vida, de planos, do amor, da fé e que me fizeram enxergar valor no que eu faço que nem eu notava. Ontem corri com pessoas que admiro muito. Me senti honrada.

Terminei o dia sorrindo e grata, assim como em todas as vezes em que falo o nome deles.

AMOR, CRÔNICAS

> O que ninguém te contou sobre o amor

18/09/2017

Passamos a vida escutando que um amor muda as nossas vidas. Lemos livros sobre a sensação de sentir borboletas no estômago, quebrar a rotina e não estar mais só. Não vou dizer que não é verdade, mas acredito que o verbo Amar é muito mais que isso. Não podemos nos esquecer.

O que ninguém te contou sobre o amor é que seria uma coisa bagunçada e sem ensaios. Ele não saberia o que queria da vida, você muito menos e, se soubessem, talvez sentissem dúvidas se fosse o momento certo de se envolver. Ninguém te contou que vocês não teriam uma noite perfeita como em filmes, mas, sim, ela seria completamente inesquecível. Afinal, toda história de amor é – inesquecível e bagunçada como precisa ser.

O que ninguém te disse sobre o amor é que o frio na barriga existe, mas o que o amor quer de nós é disposição para permanecer e lutar para que a cumplicidade e admiração não se percam com o passar dos anos. Dormir, viver e acordar com o outro não cansa, ver o parceiro de pijama furado, meia rasgada e passando mal de virose, faz parte. Amar é dividir tudo: o bom e o que parece nem tanto, somente para tornar a vida mais fácil – ou pelo menos mais divertida. Ninguém te disse que mesmo depois de tantos anos, ver aquela pessoa ao acordar ainda faria o teu dia incrivelmente mais feliz. Amar não enjoa, se renova.

Ninguém te contou que o amor não teria sentido algum. Em algumas discussões ele falaria A e você B, sem se importar em ouvir o que o outro tem a dizer. Você quer comprar C e ela D. Pois é, ninguém te disse que o amor te faria ter brigas super bestas iguais a que você tinha com o seu irmão com 8 anos de idade e, que aquela mesma pessoa que te faz incrivelmente feliz, também um dia te fará chorar. É verdade. Amar é dar tempo e espaço. O maior aliado para aprendermos aquietar o nosso ego e construir uma amizade forte e profunda.

Ninguém te disse que vocês nunca parariam de enfrentar os pepinos da vida. Ela teria que ficar até tarde no trabalho, ele gostaria de ficar em casa, o dia dos namorados cai na data do plantão e as férias não se coincidem. E tudo isso é muito pouco. Ninguém te disse que o amor está em passar um café sem o outro pedir, cuidar de todos os problemas da casa quando um fica doente, comprar o doce preferido no mercado, curtir uma segunda feira no sofá comendo pizza com as mãos e passar um sábado a noite consolando quando um não está tão bem.

Ninguém te disse que a vida é no plural, mas o amor é próprio. Também não há nada como sair, comprar, comer e fazer algo que só a gente gosta, quer ou está afim. Sem precisar de desculpas ou grandes explicações. Amar é ter duas pessoas individuais vivendo juntas e saber que no final do dia que aquela será a primeira pessoa que você ligará para dizer uma novidade, pedir um conselho ou contar uma fofoca. Ninguém te disse que amar dar trabalho e que a remuneração é a paz de ver aquela pessoa única no seu mundo dormir tranquila.

Será redundando dizer, sei que já te disseram, mas todo amor que passa na nossa vida realmente nos muda. Ninguém te disse que não importa o quanto podemos tentar descrever, contar ou dizer do amor e não adianta de nada tudo isso que me esforcei para expressar ou que qualquer outra pessoa irá contar: só o amor poderá te dizer como acontece PARA VOCÊ. Depois me conta 😉 Falar de amor nunca é demais.

CRÔNICAS, VIDA

> Um pouco de paz

11/09/2017

Semana passada eu decidi ter uma semana em paz. Ao contrário do que você pode imaginar isso não significa que fui à praia, deitei na rede e tomei água de coco. Vivi minha vida normal, só que com uma cabeça diferente.

Eu não sei se existe uma síndrome para isso, mas meus pais diziam que eu “queria ser adulta rápido demais”. Sempre fui muito focada, concentrada e se tenho algo pra fazer, eu não paro enquanto não terminar. Eu sempre tentei me virar e dar um jeito de ter o meu dinheiro desde muito nova. Fiz bijuteria, pintei telas, vendi roupas em salão de cabeleireiro: Eu queria inventar o meu mundo. Por consequência isso me deixou apressada demais para resolver, fazer e produzir.

Atualmente, estou MUITO LONGE de ser como era quando comecei a trabalhar. O tempo nos faz aprender muitas coisas. Dentre elas, aprendi a respirar, tomar um café demorado se preciso e sair para passear com os cachorros se não tem o que fazer com um problema e só me resta esperar. Porque estou contando tudo isso? Pois eu ainda assim vivia com um pézinho de guerra com a minha agenda. Ou melhor, com a minha cabeça.

Eu diria que eu sou uma pessoa focada e sou, mas sou até demais. Ao ponto de se estou digitando aqui, eu não respondo ninguém ao redor. Isso resultou em várias vezes me desdobrar para resolver coisas que poderiam ser feitas com mais tranquilidade ou até mesmo de aceitar que algumas vezes terei atrasos. Também faz parte.

Decidi fazer uma semana com mais calma e descobri que isso não tem segredo: Sentei, gravei e editei. Não me stressei com a sujeirada no quintal, a campainha que não parou de tocar, o vizinho gritando fazendo meu vídeo demorar mais que o normal para se terminado. Acordei ainda mais cedo para correr, aceitei falhar no almoço e comer um sanduíche, não bufei por ter que esperar 30 minutos para exportar um arquivo e não dormi me sentindo mal por não conseguir vencer e responder todas as mensagens que recebi. Deu problema? Vários, como sempre. Porém tentei parar para pensar que isso faz parte, acontece e só me resta resolver para continuar meu dia como estava previsto. Caso não fosse urgente, o problema que me esperasse. Me esforcei muito no primeiro dia. No segundo e terceiro passei a agradecer muito mais por não estar tão fora do meu eixo. O que me deixou mais forte para acredito que as coisas acabariam bem de alguma foram no outro dia, no outro e no outro…

Aprendi a me aceitar mais humana esta semana. Posso errar, esquecer de pendurar a roupa no varal sem sentir que abandonei a casa e parar para retribuir um abraço de quem eu amo no meio do trabalho. Esta semana percebi que temos na nossas mãos duas opções: solucionarmos um problema e deixá-lo ir ou fazer exatamente a mesma coisa reclamando e permitindo que a cabeça pese mil vezes mais.

Esta semana produzi mais do que o normal. Hoje já acordei exausta, mas com a cabeça mais tranquila de que fiz meu melhor e continuarei tentando fazer. Algumas coisas não consegui resolver, em compensação outras me surpreendi que foram possíveis de realizar e a vida segue.

A gente sempre tem uma escolha. Seja ela qual for, dará trabalho, mas uma delas pode nos fazer respirar fundo mais leves no final do dia.

Semana passada decidi optar por um pouco de paz de espírito.

Que vire rotina!

AMOR, CRÔNICAS

> A gente se ajeita

29/08/2017

A gente se ajeita, eu sei.

Quando o café amarga ou acaba e, com ele, escorre junto a fé, eu sei, a gente se acalma
com um abraço apertado no meio do corredor, sem precisar conjugar qualquer verbo pra se comunicar. Quando o céu esta azul, cinza ou uma tempestade que parece não ter fim, eu sei, a gente se prepara.
Depois da chuva, é hora de nascer as flores.

Quando a vida nos sorri, a gente solta o riso frouxo de volta em coro.
Quando ela resolve testar nos fazer chorar, a gente se dá chance de recomeçar. Juntos.
Quando os dias são incríveis, normais, tediosos, corridos ou sem sal, eu sei, a gente se tem para sentar no beiral da porta e dividir um facho de sol.

Quando surge o medo, a vontade de fugir e a vida não nos traz respostas, a gente inventa novas perguntas ou para de querer sempre saber de tudo.
Quando o trabalho dá errado, a auto estima vai pro saco e as contas vieram a mais, a gente agradece e janta a luz de velas com o que sobrou do almoço na geladeira.
Quando o fogão não funciona, o liquidificador pifa, a frigideira gruda e a taça quebra, eu sei, a gente não tinha uma boa máquina de lavar até alguns meses atrás. A gente está em construção: de dentro pra fora.

Quando é difícil aguentar o mau humor do outro e o cansaço bate até para resolver e conversar, a gente ainda se encaixa. É só um dia puxado.
Quando os problemas de todo tipo aparecem, a tristeza dá as caras ou a incerteza assombra, eu sei, a gente tem que agradecer
por poder respirar e por termos uns ao outro para de alguma forma fazer tudo se ajeitar outra vez. E outra vez, outra vez…

Quando tudo e mais um pouco acontece e, no meio da rotina a gente esquece que a gente sabe que pode se ajeitar, a vida dá jeito com a maneira que precisamos para aprender.
Quando a gente pensa que consegue fazer tudo se ajeitar e tudo continua na mesma coisa, eu sei, a gente aprendeu a rir da vida e um do outro como ninguém.

Quando tudo está de ponta cabeça, revirado e do avesso, eu olho para os olhos do meu melhor amigo para ele me dizer: A gente se ajeita.

Só para me fazer lembrar que encontrei a pessoa certa para não cansar de fazer tudo se ajeitar. Quantas vezes forem precisas. Em quantas vidas tivermos.

as coisas se ajeitam, com amor.

CRÔNICAS, VIDA

> A realidade é difícil de aceitar

15/08/2017

Eu nunca fiz força para ser uma coisa diferente. Nem imagino como seja isso.

Na verdade, por um longo período eu fiz de tudo para mostrar que pouco importa como estou por fora. Eu não queria que me vissem, mas que me enxergassem além dessa casca que chamamos de aparências. Como é difícil para o ser humano, né? Quase impossível.

Faz mais ou menos 4 anos e meio que tenho este blog. Apesar de receber muitas perguntas sobre como é lidar com a exposição, eu me sinto ok. Não mostramos, postamos ou contamos nada além do que nos deixa confortáveis e do que contaríamos por aí. Nos vídeos, fotos e registros Fabinho está quase sempre de chinelo e sem camisa e eu quase sempre de suéter e descabelada – ou de coque para concentrar todo o descabelamento em um ponto só. Assim seguimos vivendo a vida como temos que viver. Para a maioria das pessoas é fácil aceitar que este é o Fabinho e que ele tem a forma dele de ser no mundo. Já no meu caso, não parece ser tão normal assim.

É engraçado pensar o quanto uma mulher demonstra ser corajosa por aparecer sem maquiagem e o quanto a gente precisa se justificar porque a unha não está impecável, quando o look do dia é o mesmo de ontem ou quando resolvemos sim meter um batom vermelho pela manhã, só porque estamos afim.

Muita gente ainda não entendeu que mulher não é vitrine. Muita dessa gente, isso é triste, é mulher.

Estou eu, na minha casa, fazendo almoço e com a calça cheia de pêlos dos meus cachorros. A minha vida é rotineira e entediante para a maioria das pessoas, eu sei. Para mim já foi também. Trabalho diariamente para enxergar beleza da vida nos mínimos detalhes, sem precisar de muito, fico sozinha a maior parte do dia e sem esperar que algo mirabolante aconteça para que eu seja feliz. Aprendi a deixar a vida ser e, consequentemente, a me deixar ser.

Amo a liberdade de ser quem eu sou com a pessoa que eu amo e com meus amigos. Amo a leveza que o meu companheiro sente de simplesmente ser junto de mim – não ser do jeito que eu quero. Quer dizer, eu amo o que ele é, senão não teria graça. Isso é tudo que desejo para todas as pessoas. Isso é felicidade.

As pessoas postam e escrevem textos imensos de que a internet, o facebook e as redes sociais precisam de mais realidade, mas será que estas pessoas sabem aceitar e lidar com a realidade? Será que algo enfeitado e montado não atrai muito mais? As pessoas querem ver pessoas sendo como elas querem e seguindo o que dizem ser um padrão de felicidade, não sendo livres.

Pessoas reais não usam maquiagem, pessoas reais usam maquiagem quando querem e porque gostam, não porque dizem que elas precisam estar 100% do tempo perfeitas. Pessoas reais tem roupa rasgada, meia furada e roupa repetida. Pessoas reais compram uma roupa nova porque amaram, precisavam e usam uma roupa chiquérrima quando querem – até mesmo para ficar em casa.

Pessoas reais não perdem a oportunidade de viver a vida. Pessoas reais ficam suadas, saem de cabelo molhado, mexem na terra, levam marmita, lixam móveis, esfregam roupa no tanque, juntam dinheiro para um restaurante caro para fazer algo diferente, tem unha lascada e fazem quando o tempo ou a vontade permite.

Pessoas reais estão vivendo a vida delas, que pode muito bem ser diferente de tudo que descrevi acima. Pessoas reais estão buscando o equilíbrio em todas as áreas entre o que amam, precisam e sonham. Formando uma versão melhor a cada dia: e isso não é coisa que só se vê no espelho. Pessoas reais falam, gargalham, sentem vergonha, choram, gritam, silenciam quando necessário, ficam sozinhas com a netflix na sexta-feira e param no primeiro boteco de esquina sem conhecer ninguém se é isso que estão afim.

Pessoas reais possuem uma vida normal, além da que é compartilhada. E elas sabem que as outras pessoas também são assim. Afinal, quão profundo é o ser humano para caber em apenas um feed? Estas pessoas procuram o lado bom das coisas, aceitam o lado ruim e seguem vivendo um dia após o outro.

Pessoas reais aceitam a liberdade de ser e sonhar das outras pessoas.

Isso as selfies não mostram. Precisamos sentir. Precisamos SER mais.

“Somos só poeira estelar”.

CRÔNICAS, VIDA

> PARE E RESPIRE: Você provavelmente precisa

03/07/2017

A gente vive uma vida maluca, corrida e, como muitos dizem, “sem tempo até de respirar”.

Pior que isso, muita gente se orgulha de não ter tempo de ver um filme, ler um livro, beber uma cerveja com um amigo, fazer ao menos uma refeição com a família, cozinhar sua comida e de fazer alguma atividade física. Infelizmente, muita gente caiu no conto da sociedade moderna de que, se você não tem tempo, você é alguém muito importante. Alguém que tem mais o que fazer da vida do que ficar à toa.

Mas, nós também precisamos muito fica à toa.

Comecei a trabalhar com 15 para 16 anos e eu estava nessa lista de pessoas que se deixaram consumir pelos excessos: muito trabalho, muitas compras online, comer muito fora de casa e fazer muitas coisas que não me acrescentavam nada para ser -mais- humano. Felizmente, sempre fiz questão de deixar um tempo para ler um livro ou fazer um curso por diversão, mas foi apenas quando casei que pude perceber que a vida é bem mais do que tudo isso. A vida é agora. A gente cresce pensando que ela pode esperar.

Eu vivia pensando que eu iria desacelerar minha carreira quando aposentasse. O medo da instabilidade financeira, a concorrência e todos os dramas que passamos profissionalmente me atormentavam muito diariamente. Então ocupava os meus dias com tudo que eu podia: ficar parada e não produzir alguma coisa era perda de tempo na vida.

Um dia nas minhas férias eu estava sentada em uma praça durante a semana quando vi um casal brincando com o filho. Comecei a me questionar como a pessoa estava em um dia da semana ali vivendo aqueles bons momentos. Claro, eles poderiam estar de férias também, mas não parecia ser o caso pois estavam de roupas “corporativas”. Percebi que estava fazendo o questionamento errado. A questão não era com o que eles trabalhavam, mas pelo o que eles viviam. Essa era a prioridade deles.

Sempre fui uma pessoa que deu tudo de sí em tudo que faz e, isso não é um problema. Mas para isso, sacrifiquei e esqueci da pessoa que precisava estar bem para fazer tudo isso: eu mesma.

A verdade é que a vida é formada da nossas escolhas. A nossa carreira e decisões profissionais são importantes com toda certeza, mas não podemos viver a vida toda deixando nosso coração, corpo, alma e quem amamos no banco de reservas esperando a hora em que tudo irá se resolver para termos tempo. Nada nunca vai estar completamente resolvido.

Passei a colocar pequenos intervalos no trabalho para fazer um lanche com calma, passear com os cachorros, ir ao mercado, ligar para os meus pais, para espairecer a mente. Depois DETERMINEI separar 30 minutos do dia para me exercitar de alguma forma. No começo eu me sentia culpada e mal por deixar um email 1 hora sem ser respondido. Infelizmente pensamos ser máquinas, quando na verdade somos bem mais complexos e profundos. Somos de carne e osso.

Foram poucas semanas para começar a me sentir bem e ver resultado na minha vida. Eu estava mais disposta, melhor comigo mesma, com a cabeça mais leve e com melhor jogo de cintura para resolver os pepinos diários. Eu me sentia conectada e bem comigo, construindo dias mais equilibrados, por mais duros que ainda fossem de viver.

A vida é formada das nossas escolhas. Volto a dizer. Existirão momentos em que precisaremos fazer plantão de domingo, dedicar mais aos estudos e um pouco menos ao barzinho. Dias em que a corrida terá 20 minutos e não 40 minutos e que teremos que levantar 1 hora mais cedo se quisermos manter a casa em ordem, cuidar das plantas, ter um cachorro e chegar cedo no trabalho. SIM. O equilíbrio é base de tudo. Há tempo parar correr, acelerar, desacelerar e parar para retomar. Mas, sempre é tempo de cuidar da sua mente e construir quem você quer ser para você e contribuir para o mundo.

O equilíbrio é um trabalho diário e que precisamos estar sempre dispostos a nos reorganizar e adaptar as fases da vida. O que é fundamental é ter a consciência de que não somos máquinas, no máximo precisamos ter muita disposição para rebolar e alcançar o que sonhamos e nos sentimos bem. Podemos viver a vida com pequenas pausas, com mais sorrisos, com menos peso e com mais vontade para lutar pelo o que sonhamos. Nunca seremos 100% em tudo, mas prezaremos mais pela nossa saúde física, mental, pessoal e espiritual.

A vida nunca será um conto de fadas impecável e sempre feliz, ainda assim, você pode escolher pelo o que quer viver e como deseja deixar a sua marca no mundo para com as pessoas ao seu redor dia a dia. Este texto não é sobre larga tudo, mas sim sobre reaprenderemos a tomar um café mais devagar, não nos sentirmos culpados por tirar 30 minutos para caminhar e a olhar para o céu para agradecer por podermos escolher o que comprar no mercado. A vida não pode ser automática.

A gente vive um vida maluca e corrida, é bem verdade, mas, hoje, FAZEMOS QUESTÃO de encontrar tempo de respirar.

Você, provavelmente, também precisa.