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CRÔNICAS

CRÔNICAS, VIDA

> Somos todos esse turbilhão

21/03/2017

Às vezes a gente some porque precisa. Às vezes até estamos aqui, mas presentes em outro lugar. Às vezes cansamos e desistimos. E em outras vezes damos até a energia e força que não acreditamos ter. Às vezes não encontramos palavras à altura de um momento e, em outras vezes nos atrevemos a chegar perto de descrever o indescritível. Somente por querer fazer a rotina ganhar uma chance de ser narrada com tanta beleza também.

Às vezes qualquer coisa, ocasião ou piada besta nos tira uma gargalhada. Em outros dias, nem que nos paguem é fácil mostrar os dentes. Alguns dias são azuis e tristes, outras tardes são cinzas e cheias de amor. Tem horas na vida em que nada faz sentido e tem dias em que a gente não quer saber o motivo de nada. Às vezes a segurança salta e brota de dentro de nós. Em outros dias, ela vem de alguém e contagia e impregna na gente – ainda bem.

Às vezes a gente sabe bem o que, como e onde quer. Em outras épocas, vale consultar o amigo, buda, pai, mãe, tio e avó para o que devemos fazer. Tem dias que falamos com todos, outros que mal nos damos bom dia ao acordar. Dias de carona para o amigo, dias de pressa para o café e outros dias de voltar caminhando e admirando sem saber bem o quê. Tem vezes que o amor está bem e por outras, infelizmente, vai mal. Mas a vontade de acreditar, ela nunca morre ou falha… Ah! mentira. Todo mundo em algum momento ou instante que deixa de acreditar. E segue amando. Mas, ó, é só de vez em quando.

Às vezes é difícil acreditar que todo mundo vive esse turbilhão de emoções prestes entrar em erupção em que vivemos. Aquela colega sempre maquiada e bem produzida do trabalho, o amigo que só viaja e a vizinha que tem um casamento estável de mil anos. Em outros dias nós conseguimos olhar fora da nossa bolha, do nosso mundo e ver as pequenas amostras de felicidade que são espalhadas por aí. Cada um tem as suas. Tem dias que é fácil enxergar e valorizar. Já em outros… nem nos dizendo, apontando e desejando, nos custamos a agradecer e apreciar. Vamos tentar amanhã? Vamos. Aliás, devemos.

Às vezes, ou melhor, quase todos os dias, vivemos tanto, de tudo, todos e do mundo que só queremos parar um tempinho pra relembrar que a vida nem sempre é fácil, mas vale a pena ser quem somos. Ainda que seja essa coisa confusa e aparentemente sem sentido.

Sempre valerá a pena sermos fiéis a nós mesmos.

CRÔNICAS, VIDA

> Você está bem?

06/03/2017

Pergunto porque quero saber mesmo.

Sinceramente, eu não lembrava a última vez que me perguntaram isso querendo saber realmente como eu me sentia.

A vida é uma corrida e agora não falo do ato de correr, mas dessa mania de que parecemos sempre estar com algo para fazer, pensar, como agir, dizer e prosseguir. Todos sem excessão vivem boa parte do dia assim: trabalho, sonhos, alimentação, relacionamento, amizades, família, saúde, isso não é ruim. Mas, convenhamos que é uma infinidade de pautas para resolver e, sim, elas não tem fim.

A verdade é que entra ano e sai ano e nós sabemos pouco das pessoas. Queremos saber o que elas fazem e no que temos em comum, não conhecer QUEM elas são. Afinal, a essência de cada um demanda tempo.

Perguntamos o dia todo qual aplicativo, qual o sapato, batom, tênis, loja, viagem, o lugar, como é isso, aquilo… Mas não paramos para perguntar se alguém ESTÁ bem. Como essa pessoa realmente se sente, como está indo o dia, a vida e os planos. Será que realmente estamos interessados em algo além do que nos convém?  É duro de pensar e admitir.

Dia desses surgiu o momento em que alguém me perguntou se eu estava bem. Disse rápido e rasteiro que sim. A mesma pessoa refez a pergunta “Tá, mas você está bem?”. Foi quando percebi: ela realmente queria dividir o peso do meu dia. Alguém que tinha os seus compromissos, sua vida, afazeres, problemas e, ainda assim, queria jogar papo fora. Queria ouvir eu reclamar dos pêlos que nunca acabam, da quantidade de dúvidas, dos medos e da alegria de ter acertado um bolo naquela semana. Eu falava e a pessoa sorria – ouvir e enxergar o próximo traz a sensação de que não estamos só no mundo. O verdadeiro ato de ser humano.

“Você está bem” não é educação, mas um convite para quem deseja ouvir de outro mundo, não exatamente os segredos, mas aquilo que se têm a dizer e sentir.

Da vida, só levamos as experiências e o que cativamos. É preciso sentir e aprender mais com o ao redor. Independente da velocidade da vida o freio e o acelerador está dentro de nós. Acelere quando precisar, mas freie sem culpa quando sentir que deve. Tudo bem? Espero de coração que sim.

CRÔNICAS, VIDA

> Um dia deixaremos a vida ser como é

21/02/2017

A gente jura saber o que é preciso para viver. A gente bate o pé que temos que ter isso, comprar aquilo, realizar X coisa e ir para tal lugar. O que a gente não sabe, é que, na verdade, não sabemos de nada.

Um dia não criaremos um padrão de como as pessoas precisam ser. Conseguiremos olhar para cada um como um ser humano com vontades, desejos, opções e ideais. Um dia aprenderemos a deixar de lado a rixa, os discursos pré montados e a necessidade de impor a nossa vontade no outro, na família, seja quem for. Daremos a chance de olhar na contramão e exaltar as coisas boas, para ver a beleza do ser diferente e que nos faz tão únicos. Um dia, olhar para quem as pessoas são e não o que usam, estará na moda.

Um dia a gente resolve deixar de ter razão para ser feliz. Não colocaremos nas costas de ninguém a nossa felicidade e a necessidade de adivinhar o que estamos sentindo. Passaremos a apreciar o que é espontâneo e verdadeiro, ainda que seja completamente diferente do que gostaríamos de ver. Um dia gastaremos mais tempo vivendo do que imaginando como as coisas deveriam ser.

Um dia encontraremos pessoas que farão o nosso silêncio ser confortável e com quem fazer nada junto torna-se o melhor programa para qualquer dia da semana. Antes deste dia, aprenderemos que olhar para o lado e ter alguém sorrindo de volta, sem ter motivos, apenas por você estar sendo exatamente como é, é o maior tesouro da vida. Um dia entenderemos que o que levamos da vida, não é nada que se pode pagar, mas somente as relações que construímos, dia após dia, com esforço. Um dia redescobriremos o que é cativar.
Um dia cairemos na real de que o amor é o melhor remédio que podemos usar e que não há contra indicações.

Um dia olharemos a vida, sem pensar no que ainda não temos, e agradeceremos por todos os aprendizados. Um dia deixaremos a vida ser como é. Neste dia, seremos livres.

AMOR, CRÔNICAS

> “O casamento dos sonhos”

07/02/2017

Casamento dos sonhos é o amor que decidiu lutar e, isso sim,
merece ser celebrado todos os dias.

Alguns possuem um enxoval completo e uma lista de presentes com todos os itens inimagináveis. Outros conseguem juntar com esforço tudo que possuem, financeiramente e dentro de sí, para começar um sonho de ter alguns metros quadrados no mundo e dormem alguns meses no sofá de dois lugares. Alguns usam um vestido branco, enquanto outros, tentam entender como um moletom velho e desbotado pode causar algum ataque de paixão durante a noite. Para uns, uma praia é necessária, outros um sítio, um quintal, uma igreja ou restaurante. Alguns ainda preferem viajar o mundo, outros nem pensam em nada disso. Em todos os sonhos existe algo em comum: o amor.

Casamento é uma forma de dizer que sim, você acredita no amor de uma forma única e especial. É unir famílias, amigos e dividir o bolo da tarde que sobrou com o vizinho. É multiplicar as contas, somar roupa suja, dividir a sujeira dos cachorros e as manias de arrumar a casa. Quando imaginar o futuro e envelhecer ao lado deste alguém, não é problema, mas uma aventura. Casamento é somar, dividir e multiplicar, não subtrair.

Casamento é virar o mundo de ponta cabeça para tirar um sorriso do outro quando um cano na casa estoura. É ser criativo quando acaba a luz da casa e só se consegue pensar no prejuízo do freezer cheio de comida. Revezar quem vai levar o lixo, comemorar que achou chocolate na despensa em um sábado chuvoso e esperar o outro para jantar ou ser compreensivo quando isso não foi possível. Casamento é comemorar que no final do ano não tem IPTU e que o outro arranjou uma desculpa para ir na Leroy no meio da semana.

Casamento é sentir o mundo em uma pele diferente. É sonhar outros planos e arranjar maneiras de realizá-lo. É sentir o medo, a ansiedade e o cansaço da outra pessoa no final do dia. Casamento é uma forma de viver mais emoções do que o normal. É desbravar a vida com um olhar diferente e criar laços em qualquer lugar do mundo, pois a companhia é agradável. Casamento é assinar que quando as brigas existirem, não há para onde fugir, mas você também, no fundo, não deseja ir para nenhum outro lugar. É quando o sonho da casa própria existe mesmo sem um teto, pois a casa é construída um no outro. 

Casamento é dizer sim a cada dia para as melhores qualidades do mundo e os piores defeitos que está dentro de alguém. Alguém que te deixa doido, mas que é impossível não amar, pois é o mesmo alguém que te faz se sentir confortável em ser quem você imperfeitamente é. Casamento é chorar quem nem criança quando o trabalho não dá certo, rir até a barriga doer assistindo uma série na tv e quando a admiração não tem começo e nem fim. Casamento é quando a realidade de cada dia quer seja dura ou divertida é mais gostosa com essa outra pessoa.

Casamento é uma forma de celebrar a vida. Alguns resolvem festejar ao pé da letra, outros não aguentam esperar e já se mudam e outros nem desejam. Mas, casamento, CASAMENTO, existe quando a vida e os sonhos se misturam de uma forma que é impossível de separar. Com ou sem papel, anel ou um kit novo de panelas.

Casamento é dos sonhos quando o amor é o primeiro convidado da lista.
O que virá depois é festa e celebração. Um dia, a cada dia ou todo dia. Depende da disposição.

AMOR, CRÔNICAS

> 7 anos de nós

24/01/2017

23 de janeiro de 2010 foi o dia em que o conheci. Eu demorei para memorizar a data, mas aquele dia, nunca saiu da minha cabeça. Lembro que desejei ser amiga dele. Eu sentia e sabia que poderia aprender muito-muito mais sobre a vida ficando por perto. Acabei aprendendo sobre ele. Decorando os gostos quando íamos tomar café na padaria e de como ele adorava chegar num parque e tirar os chinelo para pisar na grama. Eu, que sempre fui uma pessoa de planejar as coisas, conheci o cara que era “vamos? agora?”, e no geral, eu respondia vamos. Sentia- me confortável com o mundo dele. Mesmo que ainda não cogitasse passar o resto da minha vida com ele, vivíamos muitas vidas em um dia só. Sem pressa: Rimos, choramos, choramos de rir, brigamos por causa do celular velho dele que nunca funcionava, inventamos de trocar o rejunte do banheiro e ele comeu o meu bolo queimado e disse que estava bom.

Muita coisa mudou desde então. De um, nos tornamos dois, para virarmos quatro e muito mais com toda família e amigos que multiplicamos. Somos mais fortes e mais bobos juntos. Ainda não realizamos nem metade do que planejamos. Nem sei se conseguiremos fazer tudo, mas nos tornamos pessoas muito melhores e mais vivas lado a lado.

É isso que o amor faz. E é isso que levamos da vida.

AMOR, CRÔNICAS

> Meu Amor Tem Nome

10/01/2017

Quando o conheci adorava como se divertia com a rotina e qualquer coisa. Confesso, esperava o ano em que este encanto passaria. Depois parei de contar e comecei a apreciar. Fábio chora de rir de coisas que me deixam doida. Ri do leite que joguei sem querer na parede, do tênis atolado de lama, do chão imundo de patas, de ficar suado após andar de bike para encontrar alguém ou trabalhar. Fábio dá jeito pra tudo para aproveitar o agora. Espero que, com os anos, este dom, seja contagioso.

Fábio tem outro dom, ele não precisa me levar para o fim do mundo para colecionar lembranças incríveis. Nosso hobby virou planejar e administrar. Um mês trocamos as panelas, no outro vamos em um lugar diferente. Eu me empolgo, mas ele aprendeu a sonhar quietinho e vai me contando conforme dá. Já sabe que não pode me dar tanta corda assim pra voar – mas me deixa solta pra ir e vir ou pousar.
Fábio não tem medo da vida ser pacata. Ele também sabe quando estou envergonhada e tenta contornar a situação contando que estou envergonhada. Fábio me envergonha. No começo me deixava indignada como ele jurava que sabia tanto de mim. Odiava como ele tinha razão. Depois, paramos de querer ter razão. Hoje, pergunto pra ele o que eu quero jantar. Fábio se diverte com meus defeitos. Conta sempre como ocupo 70% da cama, porém não cansa de dividí-la comigo. Mas, não se conforma como sempre deixo a chave do lado de fora da porta.
Fábio observa tudo ao redor e se diverte quando choro sem explicação. Adora quando falo com a voz mais idiota possível com o Ringo e quando faço jingles para a Lucy. Fábio gosta de me ver feliz por nada. As vezes faz uma dança idiota para isso acontecer ou sorri calado quando canto “que vida boaaaa” depois de tomar banho no chuveiro que enchi o saco para ele comprar uma ducha forte. As vezes canto só para vê-lo sorrir. E a vida é boa.
Dos 3 choros que vi nos olhos de Fábio em quase 7 anos, um deles foi ao me ver abobada quando me deu um violino de aniversário. Fábio se emociona com gente feliz. E presenteia muito bem. Eu sou péssima, não lembro data, nome, rosto. Fábio decora até o semblante dos meus colegas que ele não conhece pessoalmente. Acho incrível. O recomendo para todo mundo como amigo: Ele dá chance para tudo. E como! Fábio acredita até demais nas pessoas. Digo orgulhosa e surpresa que carreguei o saco de 20kg de ração dos cachorros sozinha e ele diz “eu acredito, pequena”. Achava que era difícil surpreendê-lo, mas é o contrário. Ele não vê ninguém como pequeno. Fábio não precisa de nada para estar bem e eu não canso de apreciar isso. Afinal, é encantador dividir a vida com o amor.

Admito: antes eu não ligava muito para o nome Fábio. Depois acabei me apaixonando pelo nome também, e sorrio com os olhos fechados antes de pronunciar o Fá, mas o chamo mesmo é de Fabinho. Resolvi mudar este texto de “você” para Fábio para fazer mais sentido. A pessoa que me deixou sem palavras, a mesma que eu poderia escrever por linhas e linhas sem perder o sorriso. Com quem fez todo o sentido e trouxe um nome para o meu verbo amar.

Bom, já repeti demais, deu pra decorar.

VIDA

> Feliz ano novo, novo mesmo!

02/01/2017

Eu sempre começo ou termino o ano com um texto aqui no blog. Desde o começo foi assim. Parece que eu tinha as palavras na ponta da língua e quase faladas do coração. Este ano foi diferente.

2016 me deixou sem palavras com alguns momentos de tirar o fôlego de felicidade, até dias difíceis que nunca imaginei que poderia imaginar passar. Engraçado, o ano não foi ruim, apenas dureza. Encerrei os últimos dias simplesmente querendo ser e estar inteira no momento presente. Fiz o que tinha pra terminar e fazer. Não fiz lista e não parei para sonhar. Dá um certo frio na barriga pensar assim. Um certo receio de perder tempo, fazer errado, parecer desleixada com o futuro. A gente perdeu o costume de viver por viver.

Logo eu quem gosto de planejar, tentar organizar e curtir o caminho antes, ainda não fiz. Ando deixando cada dia ser como tem que ser, como eu ainda não planejei. Sigo, até agora, me surpreendendo: com o nada, com algo, com a vida.

Em 2017, quero bater no peito com responsabilidade de fazer o meu melhor para viver a vida da melhor forma. Afinal, não somos feitos só de desejos. A saúde, a paz, o amor vem de cada um.

Este será um ano diferente, pelo visto. Um ano para aprender: amar e viver. 2016 foi para ensinar que a gente aguenta. Que a gente precisa. Parar de perder tempo, discutir por bobagem, colocar a intolerância de lado e só querer que aquele futuro brilhante chegue logo. O futuro é o agora.

Em 2017, quero viver a vida que tenho para viver. E é isso. Achei que não tinha nada para dizer e escrever aqui. Talvez este único item já tome a lista inteira. Que bom! Este é mais um ano que gente se vê aqui com muitas histórias – tudo indica. 🙂 Vamos com frio na barriga mesmo!

Feliz ano novo, migos!