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CRÔNICAS

CRÔNICAS, VIDA

> (Fé)rias

16/01/2018

Um pouco antes de terminar o ano a nossa vida estava de ponta cabeça. No sentido de bagunça mesmo. Tanta coisa para fazermos que acabamos deixando alguns tapetes mais sujos que o normal, pêlos pelo sofá e relevar o almoço megaultra improvisado. Foi uma fase gratificante, mas que eu não via a hora de pararmos por alguns dias para colocar tudo em ordem e voltar ao nosso normal.

Alguns anos atrás talvez eu surtasse por não conseguir manter as coisas funcionando perfeitamente bem sempre. Desta vez, eu não só compreendi, mas senti paz. Sabia que era um momento, que passaria e que logo tudo estaria de volta com nosso tempo para nos renovar.

Ficamos alguns dias no Sul, com nossos pais e foram dias muito especiais. Colocamos os pés pro ar, li livros que queria e não conseguia, coloquei as séries em dia e pulei final da tarde na piscina. Só lembrava que tinha celular a noite, demorei dias para responder as pessoas e senti a dor da saudade de sempre de quem ficou por aqui. Nestas férias eu não planejei nada. Sentei para tomar sol das 10 horas, corri, comi sorvete de maquininha da praça, sonhei acordada e dormi no quintal com o vento batendo no rosto no início da noite. Foram dias que precisávamos para renovar.

Precisávamos de (fé)rias, para mais um recomeço. Ainda que bagunçado e desnorteado, o que importa é continuar.

Estamos mais de volta do que nunca 🙂

CRÔNICAS, VIDA

> Não espere por 2018!

26/12/2017

A vida é um ciclo. Não só em questão de seguirmos 12 meses, 365 dias, 7 dias na semana e 2 finais de semana. Mas por sermos feitos de fases, momentos e crises.

Então, chega o último mês do ano e todos começam a passar pela mesma fase onde a nostalgia e os sonhos começam a virar rotina. A gente acorda lembrando do que viveu no começo do ano e dorme pensando no que podemos realizar da nossa lista do ano que vem.

Já em 2017 eu não fiz lista nenhuma. Tinha algumas ideias e metas na cabeça, mas coloquei um único objetivo no meu ano: não viver em vão. Se existe algo que 2016 me ensinou é que precisamos entender que não somos imortais. A gente esquece disso e vivemos muitos dias sem agradecer se quer por termos acordado ou termos saúde. Eu não queria mais viver assim.

Quando a gente pensa que devemos todos os dias viver todo dia com propósito ou sermos gratos, imaginamos que precisamos ser felizes ou que coisas boas aconteçam o tempo inteiro. Enquanto é justamente o contrário. Vivi momentos duros e dificílimos em 2017 em que era impossível agradecer, mas vivi. Vivi sabendo que precisava viver tudo aquilo. Este ano eu reclamei menos e deixei a vida ser mais ela também.

Somos feitos de ciclos e fases, metas e sonhos, mas não espere o ano acabar para começar a realizá-las. Comece hoje. Agora, com o que tem ao seu alcance. Comece. Seja grato e comemore toda e qualquer micro conquista. Aceite seus momentos e seja gentil com você mesmo. Não espere o ano virar para fazer tudo isso.

2017 me ensinou que cada dia somos presenteados de alguma forma. Precisamos querer ver e ter paciência. Alguns dias são mais fáceis, outros conseguiremos agradecer um tempo depois, alguns nos farão sofrer, mas farão brotar o nosso melhor sorriso se prosseguirmos.

Não espere 2017 acabar para começar os seus sonhos. Não espere 2018 para se sentir livre.

Ame agora. Abrace agora. Peça perdão, exercite, agradeça, organize, doe, escreva, cuide, adote, trabalhe, mude e descanse. Curta tudo que está acontecendo na sua vida agora. Faça uma lista do que você pode agradecer a vida e se dê por satisfeito. Isso não é se acomodar, é viver o presente. Isso é não sentir falta de nada, mesmo não tendo tudo.

CRÔNICAS, VIDA

> Nada é por acaso

27/11/2017

“Nada é por acaso” é uma das frases que eu escutava quando era mais nova e achava que era a maior lorota de todas. Mas, não.. e nem sempre.

A gente cresce escutando mil e um conselhos dos nossos pais, avós, tios e amigos. Alguns mais pessoais, outros genéricos e o mais clássico de todos quando algo de ruim ou difícil de entender acontece na vida, “não se preocupa, nada é por acaso”. Confesso que eu achava que essa era só mais uma resposta rápida e decorada quando nos faltam palavras para consolar e queremos demonstrar cuidado e respeito por alguém. Afinal, olhar para um momento duro da vida e pensar que aquilo aconteceu por algum motivo, não é fácil de aceitar.

Outra coisa é que  a bendita frase “nada é por acaso”, soa um pouco mística também. Como se tivéssemos o nosso destino traçado para viver e, independente se você acredita nisso ou não, não vou me prolongar pois prefiro acreditar que o tal do acaso não é bem neste sentido. Muitas vezes oferecemos um conselho em momentos difíceis já com a ideia de que algo bom precisa acontecer em troca. Como se a vida estivesse sempre compensando os momentos ruins com os bons. E não é bem assim. Precisamos viver tudo isso.

Hoje, eu acredito que o “nada é por acaso” é um dos mais sinceros e verdadeiros clichês. Ele não implica que algo bom precisa vir a seguir e não sugere que a gente exclua aquela fase da nossa vida. É mais como um “isso aconteceu porque você tinha algo para aprender, superar e crescer sobre isso” e bola pra frente.

Passei por muitos momentos em que ouvi esta frase e eu balançava a cabeça, erguia a sobrancelha e dava um sorriso sem dente, por não fazerem ideia do perrengue que eu estava passando. Alguns anos atrás o meu escudo caiu e eu compreendi que esse era além de um conselho clichê, uma grande verdade. Tudo acontece na vida para que, de alguma forma, a gente se conheça e aprenda sobre ser, cada vez mais. Geralmente nos momentos bons é de maneira mais enrustida, pois estamos um pouquinho ocupados curtindo. Já nos ruins basta uma pequena reflexão para que cheguemos a tal da conclusão de que “nada é por acaso”. Tudo aquilo precisava ser vivido para seguirmos nosso rumo.

Seja o acaso uma pessoa, trabalho, momento, fase, crise ou descoberta, sempre há algo que precisávamos levar com a gente. Isso não é de hoje. Afinal, clichê são clichês por um motivo. Não é mesmo?

Nada é por acaso. Viva intensamente cada dia que te foi dado para viver.

AdoCão, CRÔNICAS, VIDA

> É tempo de chuva

22/11/2017

Se tem um dia que é caótico aqui nessa casa, são os dias de chuva.

Tirando a parte do cheirinho de cachorro molhado que é inevitável, molha pata e seca pata para entrar na casa e o tédio por terem menos espaço, os dias de chuva não fazem sucesso com Ringo. Na verdade, é algo como um filme de terror para ele. Não é pela água, afinal ele gosta muito de um bom banho e tomar umas gotinhas de água quando entra de intruso no box do banheiro quando terminamos o banho. É pelo barulho.

Todo cachorro possui uma audição delicada, mas Ringo veio premiado no mundo com muita sensibilidade. Isso requer disposição. Ringo se assusta quando lavamos panelas, procuramos fôrmas de bolo que estão empilhadas e batem um na outra, o vento fecha a porta, cai vassoura no chão e ligamos o aspirador sem ele notar a presença do eletrodoméstico no mesmo espaço que ele. Nem pense em mencionar sirenes e fogos de artifício que, aí, o buraco fica ainda mais embaixo.

Faz duas semanas que tem chovido bastante em São Paulo e Ringo tem passado dias difíceis. Ora ele senta no sofá entre as almofadas, ora ele se enfia na sua caminha debaixo da mesa. Lucy age como se nada estivesse acontecendo. Na verdade, acho difícil algo assustá-la de verdade. Ela senta do lado dele e parece que não entende o que acontece. Nem a gente, Lucy.

Me lembro de algumas chuvas fortes quando eu era criança e o medo realmente dava o ar da graça e eu enfiava uma coberta na cabeça e fingia estar com sono. Até o dia em que meus irmãos me arrastaram para a janela e eu pude ver: água caindo do céu. Não é algo mágico? eu achei.

Eu vi as gotinhas na janela escorregarem e apostarem corrida uma com a outra. As plantas ficavam mais vivas, a rua menos movimentada e o ar parece que ficava melhor de respirar. O famoso cheiro de chuva que nos trazia a brilhante ideia de pedir bolinho de chuva para a minha mãe. Hoje, sinto saudade dessa ingênua chuva.

Infelizmente, Ringo não pode se deliciar com um bolinho de chuva. A gente tenta cantar, brincar e até dar um biscoitinho, mas nada melhora o dia pra ele. Até que resolvemos deixar passar. A gente senta do lado dele e espera. Em algum momento, vem o sol que ele tanto gosta ou ao menos o céu cinza e nublado, para voltarmos ao famoso corre-corre no quintal que a gente adora. Então, Ringo esquece que meia hora atrás chovia.

A gente pode ver beleza nas coisas, mas há momentos em que só nos resta esperar.

Uma hora passa, é o que repetimos para o Ringo quando cai a primeira gota do céu.

Sempre passa.

AMOR, CRÔNICAS

> O programa favorito para fazer com quem amamos

06/11/2017

A gente gosta de pedir pizza e comer na caixa para não lavar louça, fazer a pizza em casa só para deixar a sala quentinha, colocar um pão para crescer, sair para correr, colocar para assar, tomar banho e comer pão quente e puro. A gente gosta de rir da nossa academia improvisada em casa e de comprar cacarecos na papelaria que a gente não sabe se vai usar. Imaginar o que os nossos cachorros pensam, como eles falam nos mínimos detalhes, de empilhar almofadas neles dormindo e rir a madrugada toda disso. A gente não gosta mas organiza a caixa de contas do ano, usamos o mesmo copo para sujar menos louça e mudamos os quadros de lugar para parecer que redecoramos a parede.

A gente gosta as vezes de sair, fritar o cabeção, voltar tarde, se sentir jovem, ter aquela ressaca arrependidos e jogados no chão da sala com mais 3 amigos dormindo no nosso sofá. A gente gosta de terminar a noite em casa, com violão no quintal, cantando como se não houvesse amanhã e falando sobre os dilemas da vida e as manias um do outro. A gente gosta de olhar as poucas estrelas no céu e sonhar em voz alta. A gente gosta de pensar como nosso grupo de amigos estará quando ficarmos todos velhinhos, de convidar gente nova para testar receita junto e comer a gororoba. A gente gosta de manter perto quem quer o bem e nos aguenta.

A gente tenta sair e aí chove, o cão fica ruim, a pessoa desmarca, o dinheiro não cai na conta. A gente não liga. A gente gosta de não fazer nada um com o outro. Sentar cada um de um lado no sofá e enviar um monte de tweet de sites idiotas com piadas internas pro outro. A gente gosta de conversar do que sente, os maiores medos, receios e valorizar os atos de coragem. Contar o sentimento mais bizarro que ninguém sabe e não deixar sobrar nada que sozinho possa nos amedrontar. A gente curte chorar quando sente que precisa ou quando está feliz demais e o coração explode. A gente gosta de saber que o traje preferido é o moletom do outro e uma calça de abrigo, mas topa um desfile na cozinha quando uma roupa nova caiu bem. A gente escolhe filme junto que só um se interessa, pois já sabe que o outro vai dormir depois de 5 minutos.

Qualquer programa é o melhor quanto se esta com uma das pessoas favoritas no mundo. Não o contrário. A rotina não assusta, a mesmice não atrapalha. A gente aprende que a vida é uma só para querer um conto de fadas e, na verdade, atitudes sinceras e espontâneas, são reais. E a gente sabe que pessoas e sentimentos de verdade são o que importa na vida.

O melhor programa, junto com alguém ou não, continua sendo viver, sendo livremente quem somos e amando cada pedaço de vida que temos agora. Da vida, é isso que a gente leva: o amor. O programa é enfeite.

CRÔNICAS, VIDA

> Agradecer é uma escolha

31/10/2017

Se me perguntarem a coisa que eu mais odeio, eu direi de imediato que não odeio nada, com tanta força assim, imagina. Porém, se me der mais alguns segundos eu vou balançar a cabeça, torcer a boca e dizer: ficar doente.

Não sou uma pessoa nada agradável quando fico doente. Fico entediada e irritada. Não gosto da ideia de me sentir indisposta, depender de alguém pra cuidar de mim, não conseguir ajeitar a casa, atrasar trabalho e ficar o dia todo olhando para o teto. Pois bem. Aprendi que o melhor remédio para evitar tudo isso era me alimentar bem e cuidar minha saúde ao máximo. Legal, ajudou muito mas, né, isso não me fez virar um robô. Semana passada peguei uma virose da-que-las. 40 graus de febre e uma tosse a cada 10 segundos que parecia que meu pulmão sairia de mim a qualquer momento. Minha primeira reação ao perceber os sintomas, foi deitar a cabeça na cadeira do escritório, respirar fundo e dizer em voz alta “era tudo que eu não precisava para essa semana”.

Quem disse que não?

Em abril, fiquei gripada e minha mãe me disse “Filha, ás vezes isso é o seu corpo pedindo para descansar. Aproveite”. Não sei se era o caso desta vez, mas quando lembrei disso, tudo me fez sentido. Sério. Acompanha o raciocínio: eu estava bem > percebi que fiquei doente e isso tirou minha paz  > reclamei > fiquei pior. Eu poderia ter interrompido este ciclo muito antes de ficar pior.

A boa notícia é que nunca é tarde demais para ser grato ou perceber que reclamar não leva a nada. A gente escuta muito sobre a gratidão, a gente sabe que precisa agradecer, mas nós achamos que precisamos fazer isso só quando algo incrivelmente maravilhoso e digno de fogos de artifício acontece na nossa vida. A gente sabe que as pequenas coisas, na verdade são grandes, mas as deixamos passar em branco todo santo dia. Por quê?

Reclamar é um hábito. Quando algo de ruim, difícil de aceitar e doloroso acontece é praticamente automática a reação de reclamarmos ou brincarmos ironicamente reclamando. A próxima vez que isso acontecer, perceba o efeito que reclamar te causou. É abstrato de explicar, porém reclamar gera algo dentro de nós. Algo como uma mancha que parece se espalhar cada vez mais a medida em que potencializamos este sentimento tornando aquele problema, que era ainda um pontinho pequeno, ficar muito pior.

Naquele momento, eu não estava só gripada. Minha reclamação me lembrou que eu estava com cólica, com meu dente doente, trabalho atrasado, reunião, evento, edição para finalizar, documentação para resolver e problema no banco. Parabéns! Agora eu tinha o problema e todos os outros problemas que a minha reclamação trouxe de bagagem.

Percebe?

Da mesma forma que reclamar é um hábito, a gratidão também pode se tornar parte do nosso dia a dia. Quando percebi todo esse rebuliço da gripe acontecendo eu fechei minha agenda, terminei algumas ligações, ajeitei o que podia naquele momento, preparei um chá de gengibre e deitei no sofá. Estava tudo bem. Percebi que de alguma maneira eu precisava passar por aquele momento tedioso e tirar proveito dele. Meu namorado também pegou e passamos a noite rindo um do espirro do outro.

Briguei e me policiei comigo mesma o final de semana inteiro. Eu nunca tinha percebido a reação tão direta que reclamar tornava tudo pior. Ainda era difícil, ou quase impossível, agradecer aquela situação, mas eu não fazia mais parte daquele ciclo. Inventava algo para rir, ler, distrair e conversar, não reclamar.

“Agradecer é uma arte” era para ser o título deste post, entretanto agradecer é uma escolha. Uma escolha simples, mas muitas vezes difícil. É duro de aceitar que somos responsáveis por todo o turbilhão que acontece em nós e, não estou dizendo que ficaremos incrivelmente bem depois que tivermos consciência de tudo isso.

Uma coisa eu posso garantir: ficaremos a cada dia mais leves e em paz. E tá ótimo. Não dá para reclamar, né? 😉

Interrompa o ciclo vicioso: agradeça e sinta algo belo em expansão dentro de você.

CRÔNICAS, VIDA

> Existe algo que só você pode fazer por você

09/10/2017

Existe algo que só você pode fazer por você: correr atrás dos seus sonhos.

O universo pode até conspirar a favor, um dia podemos nos considerar com sorte por acontecer determinada coisa e, ainda assim, uma hora você terá que usar suas próprias pernas para correr atrás do que você deseja. Aconteça o que acontecer. Com sinais ou sem sinais.

Quando falamos em sonhos, logo vem em nossa mente uma enxurrada de coisas mirabolantes: comprar uma casa, ter X filhos até tal idade, viajar pelo mundo e o tal do sucesso profissional seguido por “ser rico”. Não que todos estes sonhos sejam errados, mas aprendi a encarar meus sonhos de uma maneira diferente para não me afogar dentro deles mesmos.

Sempre fui do tipo que sonha. Sonha até demais. Sonhava até me esquecer um pouco do presente. Até perceber, quando adolescente, que isso não me levaria a lugar nenhum. Eu apenas seria uma pessoa sonhadora. Passei a ir atrás dos caminhos que a vida me levava, até sem um pouco de foco, entretanto, hoje vejo que precisei passar por tudo e de tudo para escrever essas breves palavras. Tudo por ter dado pequenos passos que muitas vezes eram tão inseguros – mas ainda eram passos.

Um dos meus maiores sonhos, como o de muitos, era conhecer o mundo. Pesquisar quanto isso iria me custar financeiramente, de tempo e ainda sincronizar com meus outros sonhos, não animava muito. Foi então que parei de me lamentar e passei a conhecer o mundo ao meu redor. Viajava para Santos, Praia grande, Itu com a família e amigos que se fosse qualquer outro lugar que eu precisasse de visto para ir. Sim, as coisas possuem o valor que depositamos nelas. Criei memórias, lembranças e boas histórias em diferentes lugares sem precisar de um passaporte. Até o dia em que consegui fazer minha primeira viagem de avião e gosto de pensar que isso aconteceu porque aprendi a amar e viajar pelo meu bairro e dentro de mim mesma primeiro.

A verdade é que a gente tem que começar de alguma forma e que a vida sempre sabe mais do que nós mesmos do que precisamos passar. Cabe a nós abraçar e vivenciar. Isso não quer dizer ser feliz e realizado sempre, mas aprender e evoluir com as circunstâncias.

Sei que parece que a vida tem um fluxo e um caminho pré-definido que todos devemos seguir, mas acredite, ela não tem. Por isso, se for para lutar, sonhar e correr atrás de algo, que seja puramente pelo o que você deseja. Hoje, me recuso aceitar que estamos neste mundo como meros e pacatos turistas da vida: fazemos check-in nos sonhos turísticos que todos querem que a gente faça, tiramos fotos e partimos para o próximo. Acredito que estamos aqui para aproveitar cada segundo, aprender, compartilhar o que foi bom, cuidar do mundo, de nós, de quem amamos e vivenciar o que acontece ao nosso redor.

A vida irá nos agraciar com pessoas e momentos que irão nos motivar, sim, mas ela também mandará situações para ver até onde você quer lutar.  Se você quer algo, comece agora. Comece com o que você tem. Se é mudar de trabalho, trace um plano, busque conhecimento e comemore as mínimas conquistas. Se é para viajar aprenda a valorizar cada dia, faça corte de gastos e saiba que tudo tem seu tempo. Se é para aumentar a família cuide da sua saúde emocional, espiritual, fortaleça seu corpo, trace metas em casal. Para fazer uma maratona, você precisa primeiro fazer 1km, depois o 2km e depois o 3km. Um passo de cada vez. Comemore cada quilômetro e quem dividiu cada metro com você.

Concretizar um sonho só tem graça se sabemos aproveitar todo o caminho que precisamos passar para alcançá-lo.

Assim como no amor, a vida não nos pede que sejamos sempre perfeitos e impecáveis, ela quer constância. Pequenos gestos e decisões diárias que nos farão seguir de alguma forma ou que apenas não nos deixarão desistir. Comece. É difícil e muitas vezes até fisicamente doloroso, mas um dia valerá apena ter escolhido começar. Ainda que a gente precise se reinventar um dia, a gente sempre precisa, valerá ter dado aquele pequeno e inseguro passo dia após dia.

Seja lá o que você sonha, é algo que só você pode fazer por você. E eu sei que você consegue.

Aceite isso.