Categoria

Corrida

Corrida, Inspirações

> O que você precisa para correr?

27/06/2017

Quando comecei a correr surgiram muitas e muitas dúvidas. Para falar a verdade ainda vivo cercada delas, mas vou correndo assim mesmo. Muitas delas descubro lendo, pesquisando, testando, vendo diferentes textos e opiniões. O que mais aprendi neste curto tempo de corrida é que você precisa ter coração. Agora não falo de ritmo cardíaco, mas sim, do prazer em correr.  Quando estava nos treinos para a meia maratona e depois para a maratona, eu tive uma briga grande com a minha mente. Tudo começa nela. Por muitos dias eu pensava em não ir. Até que tudo se resolvia ao me perguntar “Por que faço isso?”

Corro porque me faz bem.

Então eu amarrava os sapatos e ia.

Tirando todo trabalho mental, alguns acessórios e peças me ajudaram bastante neste percurso. VALE LEMBRAR que, não, você não precisa e nem deve ir para uma loja de esportes comprar todos de uma vez. Comece. Uma hora você vai se perguntar “mas esse porta celular incomoda o que posso usar no lugar?” e quando pesquisar no google, vai achar uma infinidade de produtos específicos. Foi assim que funcionou com a gente. Fomos adquirindo acessórios que facilitaram e deixaram correr mais confortável com o tempo. Fiquei 1 ano com o mesmo tênis para ver se gostaria de correr mesmo. Mais alguns meses para perceber que longas distâncias pedem um top adequado para o movimento e assim vai. Nesse caso: Sem pressa 🙂

Vamos começar? Vou listar os principais por aqui.

  • QUAL TÊNIS DEVO COMPRAR?

Para correr você precisa de TÊNIS. Apesar de algumas vertentes correm descalças, mas deixa pra outro post 😛 . Existem diferentes modelos de tênis para corrida atualmente no mercado, por isso é algo bem pessoal. Eu comecei com um Adidas Glide boost é um tênis ótimo para começar e comprei em outlet por um preço bem honesto. O amortecimento é bacana, tem estabilidade, é leve e protege bem os pés.  Hoje em dia adoro o Adidas adizero adios e estou curtindo o Rebook Harmony road. Nesta matéria demos umas entrevista contando um pouco mais e você também pode conferir a opinião de outros corredores.

  • USE PROTETOR SOLAR!

Ás vezes levanto cedinho para correr ou vou no final da tarde apressada antes de escurecer e me esqueço do bendito protetor solar. Para quem ama correr e deseja praticar por quanto tempo for possível, os cuidados com a pele são essenciais. Nós não temos noção do quanto ficamos expostos ao clima, só quando começamos realmente uma rotina de corrida. Por isso, proteja o seu rosto e corpo! Também é interessante comprar uma camiseta com proteção de Raio UV (preciso disso). Você ficará com umas marcas meio bizarras de roupa, mas vale a pena 🙂

  • NUNCA PENSEI QUE UM TOP FARIA TANTA DIFERENÇA…

Eu sempre fiz atividade física, mas nunca de alta intensidade assim. Quando comecei os treinos para a meia maratona, percebi que o top era algo que me incomodava demais. Achei que fosse problema de postura ou as costas fracas, até ler um pouco mais sobre os tops adequados para correr principalmente longas distâncias. O problema é o contato do suor com o top atritando na pele, desenvolvendo queimaduras e áreas de assaduras na região dos seios. Olha gente… já me machuquei feio, não é gostoso. Até hoje só experimentei 3 modelos de tops da nike e recomendo muito. O site deles é super detalhado sobre o uso de cada um, mas vá até uma loja para provar antes para ter certeza. Já vi algumas corredoras dizendo que nas lojas realizam testes e tiram suas medidas para saber qual é o modelo mais certo para você. Claro que os tops não tiram o fato de precisar colocar uma fita nos mamilos e passar vaselina embaixo dos seios ou axilas nos treinos longos. Não tem jeito! É muito tempo fazendo o mesmo movimento…

  • MOCHILA OU CINTO DE HIDRATAÇÃO

Para quem deseja correr longas distâncias, fugir da cidade ou correr pela cidade, as mochilas de hidratação são fundamentais. Manter- se hidratado durante a corrida é importantíssimo. Principalmente para a recuperação muscular e para repor todo líquido no corpo. O recomendado para nós foi 150-200ml de água a cada 20 minutos. Isso varia muito, principalmente no começo, depois fica quase automático, mas a quantidade e a frequência precisam ser adaptadas para não causar enjoo. O bom é que com a mochila e o cinto de hidratação, você não precisa parar e perder o ritmo da corrida, além da liberdade de poder correr onde quiser. Para trajetos curtos ou até 10km que fazemos no parque, vamos sem e paramos para dar uma “bicadinha” nos bebedouros. Outra opção ao invés da mochila são os cintos de hidratação, o nosso é da Adidas e tem uma capacidade menor de água, mas é ok. Você se acostuma a planejar. Particularmente preferi o cinto e Fabinho a mochila, em mim a mochila não ajustou tão bem no corpo e nele sim.

  • POCHETE COMPACTA OU “DOLEIRA”

Essa é a melhor dica para quem ainda não tem um relógio de corrida ou não planeja comprar. Pelo celular com aplicativos como Strava e Nike running, você pode marcar o tempo e distância das suas corridas. Correr com aquele acessório para braço sempre me incomodou horrores! Logo fui atrás de uma doleira, uma pochete fina e que você pode colocar chave, cartão e também o celular. Em lojas de artigos esportivos tem de algumas marcas, a nossa nós compramos em uma loja simples no interior do Rio grande do sul. É importante que a doleira seja bem ajustável e que se adapte no seu corpo. Experimenta, testa, dá uns pulinhos na loja pra ver se você gosta antes 🙂

  • MEU RELÓGIO, MEU XODÓ!

Ai, eu amo meu relógio de corrida! Sei que os pirados em tecnologia vão me matar, mas amo só pelo fato dele me possibilitar sair sem celular, sem peso e sem me preocupar com a chuva. É tão prático! Demorei um tempo para comprar para ver se eu ia curtir mesmo correr, afinal é um investimento. AMEI E AMEI MUITO. O meu é da Tomtom runner 1, MAAAAS eu não sabia que eu inventaria de nadar, senão já teria comprado o Tomtom multisports ou o modelo que vem cardio junto. Se você tiver condições de comprar o relógio com cardio no relógio vale MUITO a pena! Facilita a vida e você não precisa comprar aquela faixa que incomoda um monte embaixo do peito.

No canal temos uma playlist de corrida onde vocês podem acompanhar um pouco mais de toda a evolução e o que fomos aprendendo 🙂 Espero que ajude!

LET’S RUN!

Corrida

> Correr emagrece?

23/05/2017

Aqui em casa podemos responder de duas maneiras: sim e não. Mas, o melhor título para este post seria: Correr te faz bem?

Quando comecei a correr o que eu mais ouvia era “mas você já é magra, vai sumir”, por isso acho melhor reforçar alguns pontos antes de começar a responder o título deste post.

Ser magra não é sinônimo de ser saudável. PONTO. Eu estava bem com meus exames médicos, mas minhas disposição e rendimento não me acompanhavam tão bem. Isso que sempre fui ativa e sempre caminhamos bastante por ficarmos um bom tempo sem carro e utilizarmos só em situações mais específicas. Mas, né, não adianta! Nós não temos noção do nível de sedentarismo que alcançamos atualmente. 2 anos atrás eu fiz minha avaliação na academia e 10 minutos depois o instrutor teve que parar: Meu batimento chegou a 180 em 10 minutos de bicicleta. Me senti ridícula. Na hora de preencher “qual seu objetivo na academia”, eu disse: quero subir a rua de casa sem ficar ofegante. O instrutor riu e achou que eu estivesse brincando, talvez por eu não ter dito que queria um bumbum de panicat. Porque raios exercício físico precisa ser apenas por algo estético? Bom, este é outro tema.

Nunca fui fã de levantar peso, mas eu sentia que precisava, pois terminava as sessões fotográficas com muita dor nas costas e coxas. Aos poucos fui sentindo diferença no meu rendimento. Até que 1 mês e pouco depois comecei tentar a correr, toda aquela história toda que vocês já devem ter decorado. Me apaixonei e fazer musculação ou exercícios para ganhar força e correr melhor não era um sacrifício tão grande assim.

(Agora vamos ao paralelo…) RESUMO DA ÓPERA: Fabinho sempre se manteve em um boa faixa de peso saudável e adorava fazer academia. Se mudou pra SP, parou de fazer esportes e começou um trabalho fixo. Nesta época ele me perguntava se eu achava que ele tinha engordado e eu dizia que não. A gente quando convive quase não percebe, mas quando finalmente CONSEGUE ver, lá se foram 5-7kg a mais. Tudo isso só de comer sempre um doce depois do almoço, uma coxinha de lanche da tarde, pastel toda quarta no trabalho e chegou a 77kg.

Nessa época que entramos na academia Fabinho já tinha perdido boa parte deste excesso apenas por cortar estes pequenos prêmios que a gente se dá para deixar o dia “feliz” depois de trabalhar muito. Diminuiu 8 cm de cintura só com bom senso no prato, academia 3x e corridas curtas 3x na semana.

(Voltando lá pra meia maratona….) Meu peso até a minha meia maratona se manteve com uma pequena variação de meio kg a mais. Fabinho estava em preparação para a maratona e estava BEM seco, o que é normal nesta fase com volume alto de treino, mas ocorreu perda de músculo a mais do que deveria.

Depois da minha meia maratona e da maratona do Fabinho, decidi encarar a minha primeira maratona. Foi a hora em que resolvi entrar em contato com uma nutricionista (nossa amada Poly) e puxei Fabinho junto comigo. Deveria ter feito isso antes, deveria. Ao menos foi em tempo dos 42.2km, pois eu não teria conseguido ou terminaria bem prejudicada. Particularmente eu odeio falar em números. Mas se for para desconstruir um padrão, vamos lá. Comecei o trabalho para fortalecimento muscular e fui de 20% de gordura para 18% em poucas semanas comendo mais (HEHE). Depois de 18% de gordura para 15% em mais 2 meses comendo mais ainda (HEHEHE). Meu peso foi de 45.5 para 46.5-47kg. Fabinho foi de quase 20% de gordura para 9% e depois chegou a 6%, conseguindo terminar essa última maratona com 70kg, praticamente o mesmo peso.

Vira e mexe me falam que eu aparento mais magra, mas mais forte. Quando digo que ganhei quase 2kg a mais correndo dizem “Credo, então não vou começar a correr”. Ganhar peso não é ruim, se é feito de forma saudável e com propósito. Ainda mais quando você gosta do que vê e essa força te traz benefícios na sua vida. Não tenho apego algum com número da balança depois que compreendi que ele é só um número total, não uma avaliação corporal que vai muito além. Sim, é melhor confiar nas suas roupas.

Hoje, sinto que consigo realizar meus desejos. Meu corpo consegue acompanhar a minha mente e esta foi a maior recompensa. Consegui escalar em 2.500m de altitude sem me sentir mal, não precisei de ajuda e ainda fiz esteira no final do dia pois estava com saudade de correr depois do repouso da maratona. Minha pressão esta quase sempre estabilizada, não passo mal com facilidade e não lembro a última gripe que me deixou de cama.

Não tiro o fator estético, mas acredito que precisamos de hobbys e momentos de prazer na rotina. Dance, pedale, corre, nade, salte, faça yoga, escale, ande de patins, circo… Procure algo para se apaixonar e se perca! Sinta prazer. Priorize ter um tempo para se cuidar e curtir. Não se sinta culpado por isso. O trabalho pode esperar. Você consegue dar jeito.

E acima de tudo: se ame como você quer, não com um número que dizem que você precisa alcançar.

Fabinho chegou na faixa saudável perdendo. Eu cheguei ganhando. Nós, encontramos algo que nos faz sorrir, como nesta foto, que é impossível de explicar.
Somos mais livres dos nós do dia a dia a cada km.

Corrida

> Sobre correr, acreditar e viver (bem)

03/05/2017

Minha mãe correu comigo na barriga até os 3 meses de gravidez, pois ela não sabia que estava grávida. Depois de descobrir e de fazer uma bateria de exames, o médico disse “essa é guerreira, pode continuar, mas devagar”. Nasci e depois de uma infecção hospitalar fiquei 20 dias na UTI. Ao sair do hospital, o médico número 2 disse pra minha mãe “esse coração é de ferro”. Cresci. Passou. Eu sempre fui elétrica e me enfiava em tudo quanto é esporte ou qualquer coisa para preencher meu tempo. Meus pais deviam ficar malucos. Correr quando eu era nova era tão fácil. Eu era das baixinhas que no pega-pega ninguém conseguia alcançar. Às vezes eu ficava no canto da quadra e nem chegava a suar. A vida foi passando e usei botinha ortopédica para ajustar os pés, fiz fisioterapia no joelho por uns 2 anos de jogar futebol. Eu não corria, eu fugia.

Sempre fui responsável e fissurada em conquistar meu espaço e isso me custou um pouco essa diversão. Comecei a trabalhar cedo, por isso ganhei umas rugas de gente adulta com 17 anos. No final do dia o que mais me dava saudade era do tempo em que eu e meu irmão ficávamos batendo bola no quintal. Ele brincava que eu seria a nova Sisi. Nunca me passou pela cabeça isso, mas eu gostava de sentir que ele acreditava em mim. Me fazia acreditar. Porém não o bastante para continuar.

Por anos eu achei que não tinha força de vontade. Comecei teclado, fiz 3 anos, parei. Comecei violão, 2 anos, parei. Aula de futebol, 3 anos, parei. Ballet, uns bons anos, parei. Hoje, entendo que a vida tem os seus ciclos e eu tive os meus focos em cada fase. Hoje sei que o meu maior erro, foi ter me deixado de lado e ter confundido hobby com o que eu amava de verdade fazer. Foi quando anos e anos depois a corrida apareceu na minha vida. Ou melhor, na do meu cunhado, depois para meu namorado e então pra mim. Na verdade eu nunca achei que fosse correr. No aeróbico na academia fazia bicicleta enquanto respondia emails do trabalho no celular. Não via graça. Um dia meu namorado me falou: Não quer fazer esteira comigo hoje? Eu não sei respirar e meu joelho é zoado, já era a minha fala ensaiada. Ele insistia, “sei que vai gostar”. Até que um dia eu resolvi tentar.

Cresci a vida toda ouvindo que eu era delicada demais pra muita coisa que eu gostava de fazer. Isso me deixava irritadíssima. Odiava minha pequena altura por isso: me tiravam pra frágil e fofa – no sentido diminutivo.  Até que sem perceber deixei-me convencer que eu era tudo isso mesmo. Demorei anos para entender que sim, eu estava fisicamente fraca por ficar anos parada, mas era só uma questão de fortalecer. Nunca quis ninguém para me defender ou carregar os meus pesos. Comecei a fazer exercícios para fortalecer joelho, perna, articulações, panturrilha, costas, peito, ombro. Me preparei. Para mim. Foram quase 2 anos de corrida para entender que delicadeza, não é sinônimo de ser frágil, mas até então, tive umas briguinhas internas comigo mesma.

A corrida me cobrou em poucos meses o que a vida me pedia até então: dar tempo e persistência. Tempo eu passei a arranjar, persistência era e, é, algo diário. Uns dias são mais fáceis e outros mais duros. Cada dia é algo diferente. Mas a sensação de finalmente parar alguns minutos para desgastar o corpo e deixar meus problemas a cada km, virou amor.

Quando consegui entender, ainda bem, estava em tempo: eu não precisava do médico 1, médico 2, meu irmão ou meu namorado acreditando em mim. Eu precisava acreditar em mim.

Acreditar em sí mesmo não é uma questão de se achar superior e falar da boca para fora que você pode tudo. Acreditar em sí é se dar a chance para ver até onde você pode ir. É entender os seus problemas, defeitos e desafios para lidar da melhor forma possível com eles.

Correr para mim nunca foi apenas sobre o ato em sí. Nunca foi sobre o verbo correr. Correr foi um favor que fiz ao meu coração: o que hoje eu sinto pulsar fisicamente melhor e o que vai até a boca sorrir diariamente após terminar uma corrida.

Correr pede persistência. Hoje, vivo bem, bem melhor. Voltaria e faria tudo de novo. Ou melhor, procuro fazer isso a cada dia.

Nunca desista de algo que faz o seu coração subir pela boca. Nunca desista de algo que te faz bem profundamente como ser humano. Nunca desista de algo que te faz sorrir.

Correr? Recomendo.

Corrida, Inspirações

> MINHA PRIMEIRA MARATONA

10/04/2017

Essa foto foi nos 30km. O dia mais desgastante da minha vida, foi o melhor. Mas, calma, temos muitos km pra contar ainda.

Tudo começou a nem 2 anos atrás quando meu cunhado tinha começado a correr e fez meu namorado se apaixonar também. Não demorou muito para que eu desse uma chance a mim mesma para testar. Hoje, posso seguramente dizer: foi a melhor escolha que fiz para minha vida.

Essa semana passou voando e mexeu muito comigo. Além de estar animada, os dias de TPM são bem dureza na questão psicológica. Pensei, achei que não ia dar, depois pensei que podia e, então na sexta-feira pela manhã, eu decidi que ia fazer dar certo sim. Eu ia.

Domingo de manhã, chegamos na prova e tudo estava muito bem organizado. Acordei tranquila, me posicionei no meu setor e comecei a me alongar. Observava as pessoas ao redor e vi de tudo: altos, pequenos, magros, mais cheios e muitas, MUITAS pessoas de idade concentrados e sentados no beiral da calçada. Olhei uma senhora com seus lá 60 anos e pensei “vou ficar na cola dela, ela sabe o que faz” e a perdi de vista. Às 7:30H, foi hora da largada. Como de se esperar bem devagar e com quase nada de espaço , o que foi bom para manter um ritmo leve e de aquecimento. A maioria quebra na empolgação da saída. Afinal, quando se vai fazer 42km a pergunta a ser feita é: Aguento mais ou menos nessa média até o final? O seu corredor administrador precisará responder. Decidi ir sem pressa. Apenas conferindo no relógio para não empolgar com os gritos e energia tão boa e que nos anima. Logo nos 8km, uma moça parou comigo: “Posso ir com você?” Claro que sim, eu respondi. Ela ia fazer 24km e comentou que estava com receio de não terminar. “Na verdade, você vai correr só 16km agora” eu disse. Ela me olhou sorrindo. Estávamos em um pace bem baixo do que eu queria, mas sentia que a medida que engrenava, ela perdia o controle. Decidi me manter ao lado dela. Fui e peguei dois copos de água, um pra mim e outro pra ela e seguimos. O primeiro anjo no caminho que me fez olhar menos para o chão e mais para o lado. Foquei menos em mim, mais nela e foi lindo.

No 14km um moço de americana chegou em nós também. Contou que ia fazer a maratona e estava com medo de quebrar e não terminar por não conseguir concluir os treinos longos direito. Tentei distraí-lo com outras coisas: Rimos do moço comendo salame, do cara bebendo coca-cola e nos emocionamos com a senhora de 70 anos correndo cantando. Meu único erro, foi não ter perguntado o nome deles. A moça disse que iria segurar e ele, se apressar mais. Espero muito que tenham chegado onde queriam.

No 18km eu me sentia bem. Tinha energia, perna e a cabeça estava boa. Me arrisquei e mandei uma foto para os meus pais que não puderam ir para dizer que estava tudo bem. Mandei um te amo para o Fabinho. Entrei na USP e sabia que ali o buraco já seria mais embaixo. Mas, logo no 21km, conheci a Regiane. “Eu te vi vindo bem e vim atrás de você”. Sério? Ela balançava positivamente a cabeça enquanto comia o gel de carboidrato e me oferecia. Contei que estava comendo de 6km em 6km e agradeci, estávamos no ritmo que eu queria completar a próxima metade da prova. Regiane ia fazer a prova de 24km, contou que fazia triathlon e me indicou exercitar outro movimento nas pernas de tempo e tempo para aliviar o ácido lático. Foi ótimo. No 23km ela sorriu e me disse “Isadora, muito obrigada por me trazer até aqui”. Eu ri e disse que foi o contrário. Ela me olhou e continuou “Você me deu vontade de fazer 42km, mas eu vim com cabeça de 24km e vou quebrar se continuar. Mas, vai com força. Você já enfiou os 42km na cabeça?”. Disse que sim, mas só tinha me dado conta naquele momento do quão puxado seria. Ela apertou minha mão como se acreditasse em mim, saiu para seu sprint final e gritou “24km é a hora do seu gel”. Regiane foi meu terceiro anjo. Ela me deu consciência da força que eu ia precisar.

Dali até os 31km foi quando me senti um pouco mais fraca. Sol, muitas pessoas caminhando e o trajeto sem nenhuma sombra. Foi exaustivo demais, mas não pensei 1 segundo em parar. Olhei no relógio e meu tempo não era o que eu tinha pensado, mas estava no estágio que não percebia que estava correndo, as pernas apenas iam. Acho que Regiane tinha ajustado os 42km na minha cabeça de qualquer maneira. Combinei com Fabinho de que eu iria mandar uma mensagem nos 32km, para dizer como estava. Eu não via a hora de chegar nesse trecho para dizer que estava bem. Peguei meu celular e disse que estava ok e com as pernas um pouco pesadas. Até que escutei um “ISA!!!!”. OXI? Fábio? Esse lado da história do Fabinho vocês verão no vlog.

Dos 32km em diante seguimos juntos. Resolvi diminuir o ritmo por questões de pernas mais pesadas que o normal. Tive muito receio de faltar para os kms finais e comprometer tudo até ali, apesar de me sentir bem e inteira na medida do possível. Fabinho estava bem e animado, embora agora ele me conte que continuou correndo só para terminar comigo e que não estava nos melhores dias. Nos 35km foi quando a maratona oficialmente começou pra mim. Brinquei que não corri 42k, corri só os 8km mais duros da minha pequena vida na corrida. Minhas coxas pareciam ter 10kg a mais, tinha que me policiar para manter a postura e o pace já não me importava: era trote até o fim, contanto que meu relógio mostrasse 42.195km. Neste trecho a maioria das pessoas estavam parando e caminhando, confesso que isso me deu dor no coração. Não importa o tempo de chegada, se você fez 42km, você é um maratonista. Mas, vi muitos chorando, gente com físico muito bem preparado sentado, senhores com passinho devagar animando quem aparentava desistir, pessoas passando mal. Eu sentia minhas coxas bem pesadas, mas sabia que não iria parar ali. Eu pensava no que eu poderia fazer, jogava água, seguia o conselho da Regiane, pensava na mensagem que minha mãe enviou de manhã. Foi duro. Pensei que não ia dar.

Os últimos 2km foram dramáticos, mas os mais especiais. Durante todo o percurso tinham pessoas animando, gritando, aconselhando e ajudando com TUDO o que podiam. Eu me emocionei o tempo inteiro. Gente que não me conhecia, lia meu número de peito e me chamava pelo nome. Gente que sonhou esse sonho como a gente sem nem nos conhecer. Faltando 1km, um moço me viu com lágrimas trancadas e disse “CHORA QUE JÁ É SEU”, desatei a chorar e soltei as pernas. Eu já enxergava o pórtico, minha melhor amiga me esperando de surpresa, meu melhor amigo ao meu lado e eu só conseguia sorrir: nem 2 anos atrás, eu chorava porque não conseguia correr 400m. Olha onde eu tô?! Fabinho abriu os braços e eu o abracei forte. Chegamos onde queríamos e sonhamos juntos.

A maratona foi um processo pessoal, doloroso e especial pra mim. Já não importava mais se eu terminaria ou não, eu tinha aprendido tanto. Eu estava apaixonada pela corrida, mas foi neste processo que realmente virou amor. Parei de me preocupar com números, parei de me cobrar ser 100% sempre, passei a me divertir e entregar o meu melhor de cada dia. Quando terminei minha primeira meia maratona, 1 ano atrás, eu não sabia pra quê correr 42km. Hoje, eu sei. Vivi cada km nesse percurso. Senti cada dor, cada sorriso, cada cansaço e cada lágrima. Não fugi: eu queria viver tudo isso ainda que fosse preciso dar todas minhas reservas e inseguranças. Terminei com mais vida do que nunca dentro de mim. Terminei com fé na bondade das pessoas, terminei com fé em mim.

Este, parafraseando Lucy, foi o melhor dia da minha vida. O primeiro..

Corrida, Diálogos

> 4h e 40min correndo só..

03/04/2017

Quando decidi que iria correr minha primeira maratona eu olhei para o Fábio e disse: vai lá bater o seu recorde pessoal, não se importa comigo. Ele sorriu e agradeceu pela minha torcida. Virei as costas e pensei, “Não vou conseguir“. Passei a tratar esse pensamento como natural de quem se inscreve para uma maratona com tão pouco tempo de corrida e fui levando. Logo nas primeiras semanas de treino, em uma corrida normal e curta e eu disse para ele:

– Não vou fazer uma maratona sozinha. Ele me olhou e disse:

– Não vai mesmo… se continuar com essa cabeça. Sozinha, você já corre.

Fábio jogou a bucha pra mim. Na verdade, ela já era minha, só faltava eu assumir.

Quando eu era adolescente eu me incomodava com solidão e o silêncio. Não era fácil ficar parada, quieta ou contar apenas com a minha presença. Brotava o medo misturado com o receio de alguém que eu não conhecia tão bem e não estava disposta ainda a dedicar meu tempo. Sim, eu mesma. Só podia ser. Depois com o tempo, não o tempo que passa para afastar ou ensinar, mas da dedicação em entender os meus dramas, eu finalmente aquietei o facho. Mais alguns anos depois e ficar só passou de um hobby para amor. Eu não só curto, como eu preciso.

Logo na minha primeira tentativa de corrida o choque da solitude voltou. Não era apenas eu comigo mesma, era eu, com meu corpo, minha mente e minhas desculpas, a preguiça e os problemas diários gritando dentro de mim. Eu não era capaz de correr e eu sabia, mas queria tentar. Apesar da estratégia de ir escutando música optei por encontrar na corrida,  assim como na meditação, uma forma de limpar minha cabeça e ouvir o silêncio. Eu olhava fixo para o asfalto e assim fui rumo até a minha primeira meia maratona. Naquela época a corrida já era uma das melhores partes do meu dia, mas ainda era algo que eu fazia principalmente pela empolgação externa.

A corrida é um esporte individual. É você por você. Por mais que alguém esteja ao seu lado incentivando, ninguém irá mover as pernas no seu lugar. Ainda assim, eu tinha amigos por perto que corriam e o meu namorado para dizer “você não vai hoje? eu tô indo” e eu ia por causa dele. Hoje, eu não me atrevo a ficar mais de 2 dias sem correr, aliás nem encontro motivos pra isso acontecer. Correr virou uma parte do dia de uma forma incrivelmente minha. Foi correndo que aprendi a fazer algo apenas por mim.

Muitos corredores dizem que há um momento no trajeto da maratona que você estará rodeado de mil e tantas pessoas e se sentirá só. Muito só. As pernas não irão responder como no início e o questionamento de “o que eu estou fazendo aqui?” virá à tona. Nessa hora é preciso ter bem fresco em mente o porquê e por quem se está ali.

Fábio tinha razão. Eu já corria sozinha, mas eu seguia com a certeza e os caminhos dele. Tudo são fases que precisamos passar para conquistar a segurança e nossas metas. A exigência e cobrança pessoal nunca me deixaram dizer “eu vou fazer isso, afinal eu mereço”. Sempre faltava algo. Nunca eu era o bastante. Achava mais nobre fazer por alguém. Demorei para perceber que eu era capaz. Não capaz de fazer uma maratona, mas sim, de fazer algo especialmente por mim e me sentir realizada por isso.

Hoje, alguns do meus ponteiros conseguiram se ajustar e compreendi as minhas imperfeições e, dessa forma, os meus limites. Dia 09/04 vou passar em média de 4 horas e 40 minutos sozinha com a minha cabecinha e estou esperando ansiosamente por isso. Para ela me dar um bug ou eu deixá-la maluca. No final vou encontrar o meu melhor amigo e agradecer por ter acreditado quando eu não conseguia admitir que tinha forças dentro de mim.

Você pode dar tudo de sí e pode ir ainda muito mais além. Só dependerá do quanto você quer e fará por isso. Só. Só vá…

Corrida, Inspirações

> Persistência é o segredo

14/03/2017

“Como começar a correr”, já pesquisei isso no google, é uma das perguntas que mais recebo e já foi um post aqui do blog também.

É tão difícil. Comecei sem achar que ia conseguir e, se me perguntarem, até hoje, não falo que corro. Comecei devagar, com dificuldade para respirar, sem aguentar o peso do próprio corpo, mas eu queria. Não sabia o porquê, mas queria.

A gente pensa e se pergunta muito em como começar, mas o certo seria “como continuar a correr”. A corrida pede equilíbrio, insistência e persistência. Vai cansar e não vai dar barato nenhum na primeira semana. Você continua achando que todo o pessoal que corre, diz que ama e levanta as 5 da manhã no domingo é doido. Ainda não é possível de entender como alguém curte aquilo. Correr ainda é um desconforto, mas você conseguiu ir 3x na semana. Parabéns!

Na segunda semana o corpo parece que pesa ainda mais. As pernas então nem se falam, estão duras e contraídas. Você resolve tentar mais uma vez. Apesar do corpo se acostumando com o esforço, você consegue suportá-lo um pouco melhor e já é muito motivador. Terceira semana e você já pegou gosto pela coisa e isso não significa que não será difícil. Mas, já está naquele estágio em que você planeja ir mais longe, ou mais rápido ou sem as pernas doerem tanto. São dias em que você não pensa em furar o dia da corrida, a respiração flui melhor, ainda não é confortável e, então, a força aparece.

A corrida pedirá equilíbrio para você se enxergar e ouvir o seu corpo. A hora de descansar, alimentar, cuidar, diminuir ou acelerar. Depois é necessário insistir mesmo com alguns incômodos e que ainda não seja confortável encontrar o ritmo e a coordenação. Persistir dependerá do quanto se deseja.

Eu diria que correr por 1 ou 2 meses, 3x na semana sem furos e com os devidos descansos, já é transformador. Você sente melhoras nítidas no seu corpo e durante o dia. Me tornei um pessoa muito mais tranquila para as decisões do dia a dia depois que comecei a correr. Demorei 1 mês para me viciar, Pode ser que demore mais ou menos, depende de cada um, como em tudo na vida. Pode ser que você não goste mesmo de correr, acontece. 1 mês depois que comecei a correr eu já revirava minha agenda para não deixar de ir. Pensava em voltar correndo de um compromisso ou outro, ir mais cedo, ir mais tarde, ir no dia seguinte. Correr me fez desacelerar a rotina e respeitar a velocidade de cada fase da vida que há em cada dia. Correr é sobre isso: persistir. Apenas isso.

A corrida é um esporte individual. A força de vontade e a disciplina também. Entretanto ter um amigo para conversar, ainda que ele não te acompanhe é muito motivador.

Se você começou a correr a pouco tempo e gostou das primeiras sensações, eu digo: Persista. Parar e desacelerar pode ser preciso, mas não desista!

Depois é coisa de tempo, você provavelmente já se viciou um pouco no bem-estar, no estilo de vida, em competir com você mesmo e já se desdobra para tirar 30 minutos para sair por aí. Vicia? Vicia. Depois não diga que eu não avisei…

Corrida, CRÔNICAS, VIDA

> Você está bem?

06/03/2017

Pergunto porque quero saber mesmo.

Sinceramente, eu não lembrava a última vez que me perguntaram isso querendo saber realmente como eu me sentia.

A vida é uma corrida e agora não falo do ato de correr, mas dessa mania de que parecemos sempre estar com algo para fazer, pensar, como agir, dizer e prosseguir. Todos sem excessão vivem boa parte do dia assim: trabalho, sonhos, alimentação, relacionamento, amizades, família, saúde, isso não é ruim. Mas, convenhamos que é uma infinidade de pautas para resolver e, sim, elas não tem fim.

A verdade é que entra ano e sai ano e nós sabemos pouco das pessoas. Queremos saber o que elas fazem e no que temos em comum, não conhecer QUEM elas são. Afinal, a essência de cada um demanda tempo.

Perguntamos o dia todo qual aplicativo, qual o sapato, batom, tênis, loja, viagem, o lugar, como é isso, aquilo… Mas não paramos para perguntar se alguém ESTÁ bem. Como essa pessoa realmente se sente, como está indo o dia, a vida e os planos. Será que realmente estamos interessados em algo além do que nos convém?  É duro de pensar e admitir.

Dia desses surgiu o momento em que alguém me perguntou se eu estava bem. Disse rápido e rasteiro que sim. A mesma pessoa refez a pergunta “Tá, mas você está bem?”. Foi quando percebi: ela realmente queria dividir o peso do meu dia. Alguém que tinha os seus compromissos, sua vida, afazeres, problemas e, ainda assim, queria jogar papo fora. Queria ouvir eu reclamar dos pêlos que nunca acabam, da quantidade de dúvidas, dos medos e da alegria de ter acertado um bolo naquela semana. Eu falava e a pessoa sorria – ouvir e enxergar o próximo traz a sensação de que não estamos só no mundo. O verdadeiro ato de ser humano.

“Você está bem” não é educação, mas um convite para quem deseja ouvir de outro mundo, não exatamente os segredos, mas aquilo que se têm a dizer e sentir.

Da vida, só levamos as experiências e o que cativamos. É preciso sentir e aprender mais com o ao redor. Independente da velocidade da vida o freio e o acelerador está dentro de nós. Acelere quando precisar, mas freie sem culpa quando sentir que deve. Tudo bem? Espero de coração que sim.