RECEITINHAS

> Uma vida mais doce e sem açúcar

25/10/2016

Nossa alimentação sempre foi OK. Variada e com alguns prazeres aqui e ali. Quando começamos a correr a coisa refinou. É até engraçado usar esse termo neste texto.

A corrida tem uma ligação muito forte com foco, equilíbrio mental e a alimentação. Dias em que não comemos bem a tendência é não correr bem. Foi preciso um tempo para entender o que é comer bem. Uma banana vai bem, duas vou conversar com ela no percurso. Uma fatia de pão ok, duas passou. Não era só a questão da qualidade dos alimentos, mas da quantidade e do histórico da semana, não só do dia ou do “pré-treino”. É preciso ter a cabeça no lugar para se informar e não surtar. Aqui, levamos numa boa e sempre testando cada um por sí o que é melhor. A gente troca informações e gostos, mas Fábio tem o que funciona pra ele e eu o que é melhor pra mim. Cada corpo é um corpo.

Eu sempre gostei de assuntos ligados à alimentação e a cada ano me aprofundo mais. A grande verdade é que foi correndo que aprendi na prática que a comida é nosso combustível e o nosso remédio e, que nem sempre é hora de comer por prazer. A vida moderna e acelerada nos deixou muito mimados. Aí, entrou com tudo o açúcar com o “meu dia não tá bom”, “hoje eu mereço” – o tiro que faltava para comermos por impulso, compulsão e vício.

Eu já não sou das mais loucas do açúcar, mas depois de ler alguns textos (aqui e aqui) do “tio Drau”, comecei cortar 90% da minha vida. Os outros 10%? são para memória emotiva, familiar, celebrações e mimar a barriguinha – mas sem pena. Drauzio Varella, pra quem não sabe, além de médico, apresentador e escritor, ele é corredor e pelos seus artigos, considero-o uma pessoa super de buenas, sem extremismos e cabeça abertíssima. Me surpreendi quando soube que ele não come açúcar a ANOS.

Barbinha ainda é mais formiga que eu e, também por conta das corridas diminuiu ainda mais. Era uma relação direta e simples: o metabolismo ficava péssimo, o corpo pesado e corríamos sabendo que tinha algo errado. Passamos naturalmente a comer ainda mais frutas e a usar mel, melado e tâmaras, açúcares naturais e que trazem verdadeira saciedade – coisa que açúcar refinado nenhum traz. Hoje a base da nossa alimentação é feira e começamos a preparar quase tudo em casa como pão, queijo, geleia, torta salgada, iogurte, bolos. As mudanças físicas? de 65 para 61cm.

Foi um processo leve, não forçamos e vamos animando cada vez mais. Pesquisamos algumas substituições e vamos inventando nosso bolinho com ingredientes saudáveis. Testando que descobri como adoçar com tâmara é algo incrível! Passei a treinar meu paladar para curtir o cacau. O teste foi outro dia comendo um pedaço de bolo de chocolate da minha mãe e que achei tremendamente doce – óbvio que tava delícia, haha. O ser humano é adaptável. É só uma questão de escolhermos o que é melhor pra nós e equilibrar.

A nossa relação com a comida vem mudando bastante. Os rótulos estão sumindo e fica cada vez mais espaço para a FOME de verdade e o bom senso. Vamos descobrindo e testando novas farinhas para massas, com mais valor nutritivo para balancear um pouco. Está divertido! Dia desses fiz um bombom de amendoim e mel e outro de côco e mel, apenas. Banhei no chocolate 70%. Comemos com a boca cheia de tão gostoso. É incrível o sabor e como realmente sacia. Comer uma caixa de uma vez? nem querendo, estava cheia.

Claro, ainda vamos visitar nossa família e amigos e comer um bolo nega maluca ou pudim. Ainda compramos um pacote da bolacha preferida dele e do meu cookies predileto. Mas, vamos com equilíbrio. Nos livramos da ideia de “jacar”, que traz um peso grande e desnecessário. Vamos com consciência: É um dia ou outro. Temos noção de que esse é um plano a longo prazo pra nossa vida. A ideia é que a gente faça ainda mais receitas em casa e coloque os ingredientes que nos façam bem e ter uma vida mais sustentável. Dobrar a meta é ter nossa horta e viver dela <3 ahaha. Um passo de cada vez!

Tem muitas coisas na vida que fazem bem e trazem felicidade além do açúcar? E como tem.. Há um mundo grande dentro de nós e por aí afora. Vamos não só conhecer este mundo: vamos cuidar. Começa na mesa.

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  • Eu estou diminuindo o açúcar e o sal aos poucos na minha vida também e deixando a alimentação o mais natural possível. Seu blog e canal têm me ajudado bastante nesse processo (já fiz o pão caseiro, o hambúrguer de lentilha e a geleia de morango).
    Outro blog que gosto bastante é o http://blogdamimis.com.br/, você conhece? Tem umas dicas muito boas lá.
    Não sabia que dava pra adoçar com tâmara.
    Beijos!

    • Isadora Ribeiro

      Ai que coincidência, já cai em uma das receitas dela! haha obrigada por “trazer” de volta 🙂 gostei muito! Vamos indo né? <3 tâmara no bolo fica maravilhoso!!! 🙂 recomendo!

  • Eu evito ao máximo sal, aliás nem gosto de comidas muito salgadas. Mas açúcar? Está sendo difícil. Uso sacarose pelo menos, porém vi um congresso do Luciano Bruno, onde ele disse que usar adoçante é o mesmo que continuar usando açúcar comum. Porque podemos não estar mais consumindo açúcar branco, mas o nosso cérebro continua viciado em doce.

    http://www.rosastenue.com.br

    • Isadora Ribeiro

      é verdade!!

    • É verdade! Se puder troca a sacarose pelo açúcar demerara. Eu fiz essa substituição e vi bastante resultado.

  • Ravena Sales

    Sobre preparar cada vez mais comidas em casa, lembrei de um livro que li chamado Regras da comida (o título pode ser um pouco assustador mas achei bem de buenas), nele o escritor fala que a batata frita só se tornou tão popular quando as indústrias começaram a lavar, descascar, cortar e fritar pra nós. Da mesma forma o frango frito e tantas outras comidas, se cada um fizesse em casa seu próprio alimento a quantidade de alimentos processados que comeríamos seriam bem menor. Outra coisa que ele falou que sempre procuro lembrar foi: “Se você não está com fome pra comer uma maça, você não está com fome.” Tento lembrar de algumas das “regras” quando vou comer, preparar a comida ou mesmo fazer as compras do mês. Ótimo texto, como sempre.

    • Isadora Ribeiro

      Nossa vou procurar esse livro agora! hahahah tudo o que pensamos. 🙂 Essa da maçã mata a pau a nossa lombriga né? hhahahaha vamos indo <3 obrigada pela indicação!!

    • Nossa, me interessei também! Vou procurar 🙂

  • Incrível e inspirador como sempre, Isa. Faz um tempo que venho pensando sobre minha alimentação. Como você disse, “um passo de cada vez”. Estamos acostumados a comer de um jeito e mudar requer algum tempo pra pensar na logística da coisa. Acho que assim as coisas se tornam tudo mais significativas, capazes de mudar o resto da nossa vida toda. <3

    • Isadora Ribeiro

      SIM <3 a gente passa aaaaaanos vivendo de um jeito, vamos com calma né? <3 se respeitando e não pirando as cabeça!

  • Também não sou a louca dos doces, mas sinto que às vezes como açúcar por compulsão mesmo. Quando estou em casa sem fazer nada, minha MENTE parece pedir por doce.

    Acho incrível a forma de alimentação de vocês!

    • Isadora Ribeiro

      é bem isso né? parece um droguinha mesmo como falam hahahahaha

  • Que amor de texto…eu tenho um problema com a comida, nossa relação não é saudável e eu uso pra me premiar ou pra me consolar.
    Mas quero comer melhor, mais natural, pra ter mais saúde e disposição. 🙂

    Post inspirador. <3

    • Isadora Ribeiro

      Que bom que serviu Ana <3 é normal, né? acho que a indústria e tudo impõe um pouco isso pra gente. Vamos aos poucos o/

  • Eu sempre adorei comer muito, passava pra dentro um pratão sem pensar no amanhã e me jogava nos salgadinhos vendidos na porta da faculdade. O meu esposo que despertou em mim o interesse sobre alimentação saudável e consciente, sem exageros e de qualidade. Por um tempo deixei de comer carne, introduzi muitos vegetais na dieta e percebi de cara os efeitos no meu corpo e na saúde.

    Hoje, minhas refeições são bastante equilibradas, mas tem uma coisinha que eu não consigo lidar – o açúcar. Sempre foi um desafio na minha vida, desde pequena – comia nescau de colherada se não encontrasse um doce mais gostoso. Hoje não faço mais essa loucura, porém não consigo passar mais de três dias sem comer um doce de leite, goiabada, chocolate ou qualquer coisa que me dê felicidade.

    Espero conseguir um dia falar que sou super controlada e que doce na minha vida é só para a memória afetiva…

    Um super abraço, Isa e continue escrevendo textos fofos até pra falar sobre alimentação <3

    http://www.recebendovisitas.com