CRÔNICAS, VIDA

> É preciso um bocado de tristeza

09/08/2016

Um dia, alguém cantou “mas para fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza”. O único verso repetido. Não foi à toa não.

Muito fala-se sobre a felicidade, simplicidade e a leveza para viver. Busca-se muito esse trio para ter uma vida mais tranquila e serena. Também não é à toa. Na rotina e ritmo sem freios que optamos muitas vezes por caminhar é preciso todo este trio maravilha pra aguentar.

Para isso já preparam aquela lista que vai daqui até o Japão do que você precisa fazer: não comer carne, viajar 3x no ano, comprar roupas assim e assado, não usar isso ou aquilo, escutar tal cantor, fazer yoga ou pilates, surfar, ler X e Y livros, aplaudir o pôr do sol. Mais uma vez somos pegos pela armadilha do ser humano: A arte de começar tudo de fora para dentro.

Não é de se surpreender, afinal são anos e anos vivendo em um mundo que nos julga pela aparência, quer aprovar as decisões que tomamos, as roupas que vestimos e o rótulo que acreditam que precisam nos dar. Então, esquece tudo isso. A questão não é do que vá “funcionar”, mas de não precisar se tornar quase um personagem – pois parece que é o que querem de nós. Se é que posso dar um conselho, ele é breve: Respire e se escute. 

A vida é um processo. Daquele que não existe regra ou molde e, mesmo sabendo disso, até insistimos na boa intenção em indicar o que nos faz bem, mas é importante não esquecer que cada um é cada um. E é preciso saber quem a gente é pra gente.

Cada um é um mundo.

Cada um tem aquela pitada que só a gente sabe como é duro de conviver com ela. Aquele defeito que aturamos com dificuldade. Cada um tem de vez em quando aquela sensação de que se está deslocado no mundo e não fazemos parte de nada. Cada um tem um momento em que é preciso se retirar, silenciar ao redor para conseguir ouvir dentro de sí. Cada um tem os seus medos, mais bizarros ou até os que fazem sentido para outros. Cada um tem os seus demônios para aguentar. Todo mundo.

Cada um tem a sua corda bamba para se equilibrar. Cair, levantar e retomar.

Quando a gente retoma e se reequilibra, quantas vezes forem precisas, a felicidade vem. A felicidade é um instante. O momento em que tudo esta em sintonia à maneira de cada um. Por isso, não é à toa que a queremos tanto: Alegria é a melhor coisa que existe. Diferente da tristeza, não precisa repetir duas vezes este verso – todo mundo sabe.

É por isso que a danada é uma conquista diária. Um bocado de alegria, entusiasmo, drama, suspense, medo, riso, solidão e a tristeza. Somos um mundo de sentimentos em equilíbrio. Felicidade é parte de um todo. Se tirar a tristeza é impossível reconhecer a alegria.

Vinicius tinha razão: um samba com beleza, tem que ter um bocado de tristeza. Um bocado.
A alegria vale a pena.

Está tudo bem estar triste. Tá tudo bem sentir o que for preciso, contanto que se sinta e viva sendo o que você é. “Respire e se escute”. É preciso repetir não duas vezes, mas toda hora e todo dia.

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