VIDA

> Observando: Sobre o direito a tristeza

27/02/2014

É até meio besta escrever disso, afinal, somos humanos e uma erupção de sentimentos nos cercam a cada dia. Mas, olha a novidade: sim, a tristeza existe e por algumas vezes nos dá a mão e quer dar um tibúm na água com a gente.
Conversava com uma amiga por mensagem quando percebi que isso não era tão óbvio assim, ao fazer a bobagem de dizer a verdade para aquela clássica perguntinha do tudo bem e você? e, não, não estava muito bem. Entendo o lado amável da preocupação dos 6 “porquês” que fui bombardeada por ela. Mas, poxa, só tô ué. Mas, não pode! Não pode? Ah, minha amiga. Pode sim. Ás vezes, o mundo pesa.
Quem nunca passou um café ouvindo Johnny Cash, sentou no chão abraçando a xícara como se fosse alguém, quentinho e aquecendo seu coração? E ainda com ela entre os joelhos, paralisou esperando alguma resposta? Quem nunca reinou de pijama por um dia todo, ah vá! Se deem esse luxo, faça me favor. Ou melhor, façam se esse favor. Diferente do que o culto extremo à felicidade diz, a triste faz parte, claro que faz. Nascemos chorando, frutos de uma dor que gerou um amor profundo e verdadeiro, pode perguntar e confirmar com sua mãe isso, tô inventando não. Chorar faz bem, “limpa os olhos”, já diziam os mais velhos e eu acredito. Chorar, lava a alma também, experiência própria.
Nos faz sentir além do que imaginamos ser, lidando com sentimentos que não entendemos, mas que precisamos amansar, domar e não prolongá-los mais que o necessário. Faz parte não ter o sorriso cravado na pele, mas ainda manter a gentileza sincera, ter o seu espaço e não ferir ninguém por perto. Faz tudo parte do pacote de ser humano. De ser. De se expor a vida e as suas consequências. Eu, tenho é medo de quem tem medo de sentir, de mergulhar em sí. Pra dizer a verdade, tenho medo do que posso encontrar lá no fundo. Sei lá, mas eu vou, não me seguro.
Pelo menos, sei que a felicidade não vai definhar nos meus dedos por este dia que amanheceu acinzentado na alma. Os mesmos dedos que com algumas tímidas lágrimas, digitavam: “Amiga, tô no meu direito hoje. fica em paz”.
Fiquem em paz, usando um moletom velho surrado ou de scarpin tentando não tremer o calcanhar. Tanto faz. Hoje, fico em paz comigo, como quer que eu esteja, apenas fico. Mas, só por hoje, quero minhas meias quentinhas e meu café amigo. Amanhã, a gente se fala mais, eu prometo. Hoje, preciso fechar os olhos, controlar a respiração, apertar o nariz, contar até 3 e dar um tibúm, ali dentro de mim. Tô no meu direito. Não tô? (-;
3,2,1….

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