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> Entre crônicas: Amor pra cachorro

04/02/2014

“Eles alegram a vida da gente”, é o que mais escuto quando levo minha vira latinha para passear. Eu sorrio, meu namorado sorri e concordamos com a cabeça. Alguns vão mais longe no papo e já esparramam o coração dizendo “Queríamos tanto pegar um bichinho pra gente”. E devem mesmo, mas não antes de saber que eles dão trabalho. Trabalho mesmo. E essa é uma palavra que causa calafrios nessa geração, onde o que dá trabalho demais, não dá prazer. Verdade? claro que não, pra nós que nunca desistiríamos de um bichinho por comer, por exemplo, a minha câmera?… Ah, é! Essa foi a nossa!

Adotar é sem dúvidas, uma festa na alma todos os dias. Ter um amigo, um cãozinho, pra chamar de seu é quase como ir até o fim dos adjetivos mais lindos de qualquer vocabulário e ainda assim, faltarem palavras pra descrever. Amar um bichinho, vai além de ser fofo. A gente ama as imperfeições. Amar é educar, é claro, mas ser consciente é fundamental! você tem que saber onde esta se metendo com responsabilidade. De todas as perguntas que já me fizeram, posso garantir que tudo foi resolvido com uma coisa que não vendem em shoppings de animais, mas que algumas pessoas irão te dizer: pa-ci-ên-cia. E ela não brota, a gente arranja. Não significa que o bicho tenha que destruir seu sofá, mas para ter menos enrosco na alma e mais diversão, relaxe e se equipe pra isso, amigão.
Conviver, relacionar e ceder dão trabalho, mas é o melhor de se viver. E sim, pra você que se perguntou aí, dá prazer sim. Acho que viver o instante e não pensar no valor das coisas é difícil demais para o ser humano.

E, foi pensando nisso que a vida me fez presenciar umas das cenas mais cômicas que já pude imaginar. Quer mais trabalho para amar quando se tem um cachorro que mija na sua cômoda de sapatos – nova e feita sob medida -, encharca o quarto e precisa de 3 pessoas pra limpar? Esse é o Juninho. 6 anos de pura aventura com a família. Eu vi aquela cena e esperei os donos esboçarem alguma reação, até que escuto um “Juninho, já tá na hora de segurar esse pipi” e caio na gargalha.
Enquanto 3 pessoas esquematizavam como limpar aquela coisa toda, eu olhava de longe e pensava: Esse podia ser o fim do Juninho nessa família. Afinal, dizer “Esse cão não tem jeito” é fácil. Mas, olha, todos tem. E se não tiver, improvisa, seja amigo do tempo, procure senso de humor e não perca o amor. Não se perca. A gente quem escolheu ter, bate no peito e encontra riso e põe a sapateira no alto, quem sabe? Por fim, eu curiosa perguntei se tinha sido a primeira vez que ele fez isso? E a resposta,  “nada, foi a terceira. Mas, já estamos dando um jeito”.
“Um jeito”, achei lindo aquilo e cheio de ternura. E graça, porque não conseguia parar de rir do alvejante sendo arremessado pela janela no meio da confusão.

Afinal, amar é não desistir. É fazer sweater mordido ser da moda e o pêlo na roupa ser sinal de companheirismo. Faz parte. Ter um bichinho e tentar viver sem isso não tem como, mas tentar viver bem apesar de tudo isso, tem como.
Amar um bichinho destes é fácil. É fácil mesmo. Eles são apaixonantes e irão te amar seja você ganhando 500 ou 20.000 por mês. Seja dando arroz ou a ração mais cara da linha pet light-menos-gordura-trans. Pouco importa pra eles. E talvez seja essa a melhor lição que eles nos tenham pra dar. Algo assim tão puro, difícil de explicar…

Não tem jeito, é esse amor. Um amor pra cachorro mesmo, sabe? Assim, de graça. ♡

Texto do dia 05.01 – 15:35 hr;

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