Observando, VIDA

> Observando: Sobre ter simplesmente um violão

05/11/2013

Algumas noites são difíceis, quase impossíveis. Dias em que se pensa em zerar tudo e recomeçar. Afinal, se doar não é tão fácil. Às vezes da vontade de fugir, pois também é duro ser, amar e viver. Nestes dias a noite é muda. Não do tipo de silêncio gostoso, aquele que aproxima e alimenta a intimidade. Mas, daquele que nos faz viajar para outro mundo, um imaginável que talvez seja melhor. Será? Sei que não.
Às vezes a gente precisa de um tempinho. A vida é leve e boa, tão leve que pesa, por não sermos sempre tão bons. Principalmente, para quem queremos perto. Eu sei que é simples, mas tem vezes que não parece. Simples…
Em momentos assim, aquele em que a mente se fecha e é difícil perdoar, a gente junta todas as forças do coração, tira a cara da almofada ensopada e sorri com força só para não esquecer como é bom sorrir, como é bom conviver. Simples?
Em noites assim -e nas mais alegres também-, ele puxa seu violão (ou aquele ukulele que perde afinação toda hora) e começa a melodiar e o riso volta na casa de mãos dadas com a calma. Já não se busca mais a perfeição ou algo que seja imaginável: a vida é como é e ela basta. Simples;
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Por isso, eu tenho quase certeza que tudo pode se ajeitar com um violão por perto. Ainda que ele esteja me ensinando um instrumento novo e os acordes não saiam tão bonitos: a música tem um algo ou um algo muito além que aproxima, reconecta, nos faz voltar para aquele estado de espírito em que quase nada precisa ser um grande caso, apenas precisa de um novo repensar, uma nova chance. Simples!
Às vezes, quando a vida dói ou coisas apertam o coração, eu aprendi a apertar o play. Ou chamo ele e peço para tocar qualquer coisa, o que quer que for para eu ouvir, será o bastante. Fecho os olhos e tudo volta ao zero. Às vezes, o escuto tocar distante no fundo do quintal e lá volto eu sem nem notar, a sorrir. É, tem músicas que nos levam as estradas e que podemos até sentir aquele ventinho no rosto com aquelas notas que nos libertam que nos dão aquele tempinho que tanto precisamos: passam minutos, mas parecem anos na alma.
Agora, vejo em cada música um pequeno atalho diário, não para fugir dos problemas, mas para ajudar a encarar, para ter essa segunda chance para reerguer, fortalecer e seguir a caminhar rumo aos reparos da partitura dessa vida. Porque é necessário.
É necessário sim. Pois tem música pra qualquer hora, tem hora pra qualquer música. Tem música? Então a vida cresce, aparece. E sorrimos ou choramos aprendendo. E pode ser simples. Simples -agora, com ponto final-.

Ps: Fotos do Instagram

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